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O dia em que fui flagrado nu pela sogra, parte 3

Postado em 3 April 2005 Escrito por Izzy Nobre 2 Comentários

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O vulto dá um passo apressado pra dentro do quatro e fecha a a porta atrás de si.

Era a patroa, já vestida. Sem explicar nada, ela me toma pela mão e me empurra pra trás da porta do quarto.

– Peraí, porra. Preciso procurar minhas roupas.

Prontamente, a garota estendeu a mão e ativou o interruptor, que fez meus olhos se fecharem instantaneamente como protesto doloroso. Parcialmente cego, nu e com adrenalina a mil, eu me sentia como um animal acuado. O que eu segurava na mão e pensava ser a minha calça era na verdade uma da mãe da namorada. Atirei-a pro lado como se a peça fosse um animal venenoso. Olhei pro lado e bingo, lá estavam minha calça e camisa, perto do criado-mudo onde o relógio ficava.

Pus as calças rapidamente – o que julguei ser mais importante – e interpelei a patroa, com a camisa na mão.

– Tá, e agora?

– Fique atrás da porta e NÃO SE MEXA. Quando eu der o sinal, CORRA.

A ênfase no “corra“, deixando claro que minha sobrevivência na situação ia depender de mim mesmo, não me deixou nem um pouco mais calmo. Eu devo ter parecido um completo imbecil, encarando a namorada silenciosamente, absorvendo as instruções. Desde o momento em que ouvimos um barulho na porta, meu lado racional parou de funcionar. Se alguém já experimentou uma situação de suspense total, em que um simples pensamento parece ser uma tarefa difícil demais, sabe do que estou falando.

Comecei a fazer milhões de perguntas a mim mesmo. O que diabos ela faria pra chamar atenção da mãe? Eu teria tempo de correr? E se eu não ouvisse o “sinal”?

E se desse tudo errado?

Antes que eu pudesse perguntar sobre o plano B, se havia algum, a namorada perdeu a paciência com o meu estupor e me empurrou pra trás da porta.

– Fica aí. Espera meu sinal.

Antes que eu sequer pensasse em fazer a ela as perguntas que fiz a mim mesmo, a menina disparou pra fora do quarto. Eu não sabia nem pra onde ela foi. Imaginei que ela tentaria falar com a mãe. Ela daria uma enroladinha, limparia a barra pelo tempo suficiente, e eu correria pra segurança. A véia nunca saberia que há minutos atrás um brasileiro estava peladão em cima da sua filha, em cima da sua cama.

“Um sinal”. Esperar por “um sinal”. A situação já era ridiculamente surreal, e a menção de um “sinal” não ajudou nada. A melhor teoria era de que a namorada correu pra inventar um papo qualquer com a mãe, tentando distrai-la por tempo suficiente para que ela pudesse formular uma estratégia melhor.

A antecipação era o pior. Aquela horrível impressão de que as coisas estão seguindos seus rumos e você não pode fazer nada pra interferir. Em segundo lugar, vinha aquela horrível sensação da pulsação sanguínea na garganta.

Passei a mão no cabelo, que o suor do nervosismo colou no rosto. Imediatamente, senti a falta dos meus óculos.

Engraçado como uma preocupação consegue fazer a gente se desligar de certas coisas. Meu grau de miopia é alto, então não suporto ficar sem meus óculos. Até então, eu não tinha dado a mínima pra esse detalhe, que normalmente não passa despercebido.

Eu não poderia ir embora sem os óculos. Sai de trás da porta e olhei em volta. Meus olhos estavam relativamente acostumados à penumbra, mas todos sabem que achar óculos é difícil até mesmo em lugares iluminados.

Dei passos indecisos pro meio do quarto, olhando em volta, tateando no colchão, na cômoda, em cima da TV. Onde eu deixei a porra dos óculos? Comecei a refazer mentalmente meus passos depois que entrei no quarto. Eu entrei aqui com óculos, e deixei-os em algum lugar por aqui. Ou teria deixado-os na mesinha de centro da sala? Parecia haver uma barreira entre os eventos presentes e o que tinha acontecido há alguns minutos atrás. Era como se tivesse sido há quatro anos. “Eu deixei os óculos aqui, tenho certeza. Ou não?”

Olhei pro relógio. Os dígitos 12 e 20 brilhavam em vermelho na escuridão, inundando a área próxima ao relógio com uma débil luminosidade. Os números pareciam abstratos na minha cabeça. O relógio. 12:20. O alarme setado pela namorada, um plano de segurança agora fútil.

O alarme setado pra namorada.

Senti um estalo na minha mente quando lembrei-me de ter repousado os óculos atrás do relógio antes de deitar, logo após a patroa ter mexido no relógio. Costumo deixar meus óculos atrás das coisas, serve como proteção contra braçadas desesperadas durante pesadelos envolvendo palhaços ou coisas do gênero.

Estendi o braço e alcancei a parte de trás do relógio. Senti o metal da armação dos óculos. Senti-me o cara mais inteligente do mundo enquanto recolocava-os no rosto. Imediatamente, o quarto pareceu mais claro. Sou míope e meu grau é alto, o que significa que vejo tudo embaçado quando estou sem óculos. Isso causa uma ilusão de ótica que faz lugares escuros parecerem ainda mais escuros, porque você tem dificuldade em definir os contornos dos objetos.

Já com os óculos no rosto, comecei a virar a camisa – que estava pelo avesso – para vesti-la. Foi mais por causa da força do hábito. Numa situação como essa, vestir com a camisa com a estampa encostando na barriga é a sua última preocupação.

E aí ouvi passos na sala. Alguém estava se movendo.

E vindo em direção ao quarto.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

2 Comentários \o/

  1. Darox says:

    “serve como proteção contra braçadas desesperadas durante pesadelos envolvendo palhaços”
    hahahahaha imaginei vc se estrebuchando

  2. O dia em que fui flagrado nu pela sogra, parte 4 | says:

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