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O dia em que fui flagrado nu pela sogra, parte 4

Postado em 7 April 2005 Escrito por Izzy Nobre 7 Comentários

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Sempre ouvi a expressão “gelar o sangue”, e experimentei-a algumas vezes, mas nesse momento conheci o significado real da metáfora. Assim que ouvi o barulho de passos caminhando em direção ao quarto, se tornando inexoravelmente mais altos, corri pra trás da porta. Foi impressionantemente rápido, eu sequer pensei: quando dei conta de mim mesmo, já estava em pé, completamente retesado, prendendo a respiração por um instante atrás da porta semi-aberta.

Uma opção deveras imbecilóide, vocês não precisam me relembrar. A ilusão era de que a véia entraria no quarto, e que meu corpo semi-pelado (eu ainda estava com a camisa nas mãos) ficaria totalmente fora de vista, bloqueado pela porta. Como se a véia não fosse fechar a porta atrás de si logo em seguida, assim como 99% das pessoas fazem ao entrar nos próprios quartos.

Os passos se tornaram mais próximos. A proximidade da porta fazia minha respiração condensar nas lentes dos óculos, agravando minha deficiência visual. Pensei em usar a camisa pra limpar as lentes, mas eu não queria quebrar minha imobilização. Fiquei como estava, inerte e assustado, atrás da porta.

Os passos continuavam. Um vulto cruzou a porta, bloqueando a iluminação e projetando uma sombra amedrontadora no piso de madeira do quarto. Poucas vezes na minha vida uma sombra me assustou tanto, e esta certamente está no Top 10. Os passos eram de sapato contra o piso, o que significava que era realmente a véia, prestes a descobrir minha nudez.

A sombra parou por alguns instantes na frente da porta. Mais uma baforada, e meu mundo mergulhou mais profundo numa névoa esbranquiçada, resultado da condensação do hálito quente no vidro frio dos óculos. A sombra sumiu diante das lentes embaçadas, e por um momento eu não consegui distinguir se a véia ainda estava na frente da porta do quarto, ou se tinha voltado.

Um detalhe que alguns leitores devem se lembrar é que a mãe da minha mulé véia é parcialmente surda (o pai é completamente surdo). Isso tornaria tudo infinitamente mais fácil, se o apartamento não fosse do tamanho de uma caixa de sapatos. Se a confusão tivesse acontecido, digamos, na casa nova da patroa (que se mudou do prédio onde moro no começo da semana), que tem dois pavimentos e uns 4-5 quartos, eu poderia ter saído do quarto berrando, dando saltos mortais pra trás e derrubar uns quatro quadros no caminho. Uma vez que a sogra não ouve nada menos barulhento que um berro diretamente na orelha, esse desespero nunca teria acontecido.

Mas não era o caso. A surdez da mulé não era um fator a ser considerado (ou eu achava que não), porque o apê era tão pequeno, que não importaria o quão silencioso eu fosse, ela ainda me veria saindo semi-nu do quarto dela.

Minhas lentes desanuviaram nos instantes seguintes, e a sombra havia desaparecido. Antes que eu pudesse recolocar minhas idéias no rumo e decidir um plano extraordinário que envolveria dois clipes e uma moeda de cinco cents (tudo que eu tinha no bolso), ouço o barulho da torneira do banheiro, que devido à minha tamanha sorte fica diretamente na frente do quarto. Antes que eu pudesse pensar em qualquer coisa, a namorada intervém.

– Dude, GET OUT!!!

Mas eu ainda não sabia a situação lá fora. Tive medo de que a véia saísse do banheiro no exato momento em que eu decidisse sair do quarto. Hesitei por apenas metade de um microsegundo, mas a situação era alarmante demais para manter-se a calma.

– Dude, GET THE FUCK OUT!!

Agi no impulso. Agarrei a beirada da porta e puxei-a para dentro, ao mesmo tempo que saltei de trás dela. Assim que atravesso o umbral da porta, dou de cara com a bunda avantajada da sogra, que estava meio que debruçada diante a pia do banheiro, aparentemente escovando os dentes. A visão foi paralizante. Notei que eu podia ver meu próprio reflexo no espelho logo em frente à mulher. Um pensamento cruzou minha cabeça: “se essa véia levantar a cabeça – sendo ela mais baixa que eu -, ela vai me ver na hora.”

Chacoalhei a cabeça, como que afastando a idéia, e disparei em direção à porta.

Quando apareci no corredor, descalço, com os óculos semi-embaçados e com a camisa nas mãos, vi que havia um entregador de pizza esperando à porta do apê da frente. Duas meninas esperavam pelo elevador, no fim do corredor. Evito o olhar do entregador (que provavelmente já deve ter visto situações do tipo, mesmo), mas não houve jeito de evitar as olhadelas disfarçadas das duas meninas, que deviam ter uns 15-16 anos, enquanto eu recolocava a camisa, ajeitava os cabelos e percebia, ao olhar pra baixo, que eu tinha vestido a calça pelo avesso.

Nunca trepem na cama da sogra, amigos.

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comments

Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

7 Comentários \o/

  1. Gabriel P. says:

    Hahaha a melhor historia do hbdia ever!

  2. Caique says:

    Muito foda.

  3. Robson Lima says:

    PUTA MERDA HEIN!
    .
    ps: Já trepei na cama da sogra, varias vezes. Mas, por sorte que eu não tenho, nunca aconteceu nada.

  4. Darox says:

    hahahahaha então a véia nem soube q vc esteve lá ate hj heheheheh

  5. Rodrigo says:

    Maneiro é que os comentários são de SEIS ANOS DEPOIS do post =P

    Also, título meio safado esse, hein?

  6. Bill Felix says:

    Caraca, vim parar aqui nesse conto através de um link de uma história que me levou para outra história, que me levou para outra e mais outra…enfim. Gosto muito desses links que vc faz ligando um texto a outro, Izzy.
    Curti pra carai as 4 partes dessa sua aventura, nunca li um post seu tão rápido, louco pra saber o desfecho. senti a sua tensão na pele cara!!!
    KKKKKKKKKK