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Postado em 26 April 2005 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Qualquer pessoa que entrou em contato com a internet em meados dos anos 90 sabe uma coisa ou outra sobre hacking. Houve um período quando sites hackers eram moda absoluta, assim como garotinhos querendo ser piratas virtuais ou raspar a cabeça mas deixar um tufo na frente, o popular topete pagodeiro (ou alça de boquete).

Há uma regra que rege minha vida, e êi-la: tudo que não presta e esteja suficientemente perto para que eu alcance merece a chance de ser experimentado. Estando as páginas hax0rs a alguns cliques de distância, não se poderia esperar nada diferente: eu também marquei presença memorável nas fileiras de ráqueres infantis. Mas pra contar essa história, teremos que voltar no tempo um pouquinho. Voltemos precisamente oito anos, quando os dinossauros dominavam a terra e o Playstation2 ainda não existia.

A chegada da internet na minha casa foi um evento digno de foto no álbum de família, e que mudou para sempre as antigas formas de aprendizado, de entretenimento, de socialização, de matar tempo e bater punheta, especialmente bater punheta. O advento da “information super highway“, – é o nome chique da internet, decore – foi tão marcante que eu, que praticamente tenho mal de Alzheimer, ainda consigo lembrar.

Era uma manhã de sábado no longínquo ano de 1996. Eu não tinha acesso à internet até então, portanto fazia o que todas as pessoas sem esse privilégio fazem: nada. Meu pai entrou no nosso apartamento carregando uma caixa consideravelmente grande. O embrulho revelou uma maravilha da tecnologia comercial dos mid90’s: um Pentium Aptiva 133 com 32mb de memória RAM, um presente dos deuses à classe média-alta brasileira.

Computadores pessoais já eram relativamente populares nos anos 90, mas eles tinham a funcionalidade de uma pilha gasta. Devido aos poucos recursos que os primeiros PCs dispunham, usa-los era uma experiência tão divertida quanto receber uma hemodiálise num hospital da rede pública.

Não me entendam mal. Não há nada mais emocionante que passar horas examinando um imenso HD de astronômicos 500mb, jogando paciência e free cell, digitando bobagens no Lotus Notes, gastando energia e estando completamente limitado ao que já está instalado no disco rígido. Acontece que, depois dos primeiros meses, você acabava percebendo que nada de novo seu PC trouxe, além do que você já podia fazer com um caderno, um baralho e uma lâmpada ligada o dia inteiro.

(Ou um palm top.)

Então, pra garantir que não estava comprando apenas um peso de papel com um processador da Intel, meu pai incluiu no pacote um inovador kit multimídia (o nome chique do conjunto drive de CD-ROM + placa dc som) e a sensacional novidade do momento, a placa fax modem. Esta última é provavelmente a mais incrível invenção da raça humana, perdendo apenas para o formato MP3 e aquelas meias indestrutíveis que vendiam na TV quando eu era moleque.

Então estava lá eu, no auge de meus onze anos (com direito a pêlos recém-nascidos no saco e tudo mais), sentado na frente do meu primeiro PC de verdade*. O ícone piscante do modem ao lado do reloginho do Win95 certificava que eu estava, de fato, conectado à misteriosa internet (a forma antiga era verificar o telefone). Um mundo inteiro me aguardava lá fora. Um mundo, embora eu não soubesse na época, que tentaria a todo custo me vender Viagra, instalar programas indesejados no meu HD, mudar a página inicial do meu navegador e roubar praticamente todo o tempo livre que eu tenho.

A internet era bastante promissora, mas obviamente eu estava muito mais ocupado liderando minha gangue de motoqueiros futuristas através de uma misteriosa trama de ação e aventura em CD-ROM. Assim como muitos outros, fui agraciado com o genial Full Throttle, brinde que veio com o tal do kit multimídia. FT é indubitavelmente a melhor coisa que o George Lucas já fez na vida – a série Star Wars foi manchada pela esculhambação que o Lucas chamou de “novos episódios”.

Mas uma hora o jogo perdeu seu apelo. Acabei focalizando minha atenção para minha outra opção – me aventurei internet adentro.

Logo no início, a internet parecia ter sido criada por alguém que não queria que você achasse nada. Existiam poucos sites de buscas, e os que dispunhamos não eram nada como os que temos hoje (ou O que temos hoje, afinal, todos sabem que praticamente só existe um sistema de busca atualmente). Procurar coisas no Cadê era uma desgraça, vocês lembram?

Mas eu era um garotinho esperto, e os obstáculos que as engines de busca mal programadas não me impediram de me meter de cabeça no mundo virtual.

(To be continued, some day)

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)