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Postado em 7 May 2005 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Super clássicos dos velhos tempos (pra ganhar tempo enquanto o Quide escreve um post novo)

Meu pai deu um pulinho rápido aí no Brasil pra se casar – sim, minha família é modernética, não existe isso de ficar divorciado por mais de um mês -, de modos que estou completamente sozinho no apartamento. Certas coisas como responsabilidade com o lar, algo que nunca soube do que se tratava, começam a se fazer necessárias.


Essa pilha de pratos está na pia há pelo menos quatro dias. Meu pai me mandou lava-la pelo menos dois dias ANTES de ter viajado. Há essa altura, a colônia de bactérias já deve ter dominado cada milímetro da louça, e é provável que já tenha até sua própria estrutura social. Seus conteúdos eram originalmente arroz, feijão, milho e restos de batata frita. Agora é apenas uma mistura homogênea dos quatro elementos, mais água e detergente – estes últimos entraram na mistura quando tomei coragem e decidi limpar a putaria, mas percebi que a sujeira era mais forte do que eu e abandonei as louças à própria mercê na cozinha.

E falando em cozinha, a minha alimentação é outro fator preocupante. Na verdade sempre foi, mas antes ao menos havia a presença adulta para ficar me relembrando dos meus nocivos hábitos alimentares, numa tentativa frustrada de me convencer a abrir mão da dieta McDonalds e comer algo mais saudável – mãe, se você estiver lendo isso, desista.

Meus pais viviam me dizendo que eu ia acabar com minha saúde de tanto comer porcaria. Agora, sem ter quem me ponha juízo, é que me fodo mesmo.

Meu pai conhece o filho que tem. Ele bem sabe que eu JAMAIS seria capaz de produzir suco bebível, nem que minha vida dependesse disso (o que é o caso). Concentração de polpa e açucar em água são mistérios para mim. Então, ele comprou de antemão quatro caixas de refrigerante, cada qual portando dezesseis latinhas. Meu progenitor imaginou que, se eu fosse me alimentar três vezes ao dia, sessenta e quatro latinhas seriam mais do que suficiente para duas semanas. Pois bem, eis o saldo dos três primeiros dias.


A namorada confiscou as caixas restantes e se comprometeu e fazer um suquinho natural pra mim, antes que eu destrua meu estômago com a bebida enlatada.

Mas já avisei que se beber meu refrigerante vai apanhar.

Meu pai deixou um panelão de arroz na geladeira, e comprou umas seis ou sete latas de feijão preto. Acontece que a proporção de arroz/feijão é desequilibrada, e em breve o primeiro se extinguirá. Acho que em menos de dois dias, até. Vou ter que sobreviver comendo apenas feijão, pasta de dente e orégano.

Há roupas por todo canto do apartamento. É aquele velho hábito de chegar em casa, não esperar sequer chegar no quarto e ir tirando a roupa, jogando as peças em todo lugar – especialmente quando a patroa resolve dar um pulinho aqui. Não aguentando mais andar pela casa pisando nas minhas próprias camisas, resolvi ter alguma consciência. Juntei e cataloguei minhas roupas em um sistema muito engenhoso:


Roupas levemente sujas no topo, roupas mais ou menos sujas no meio, e roupas pingando suor e fedendo a enxofre no fundo – onde a nhaca fica enterrada e não atinge os níveis superiores – e as cuecas, jogadas pela janela.


Meu sofá, que antes era um confortável móvel, virou um acumulador de tralhas. As roupas que não couberam na classificação da cesta caem aí, e só Deus sabe quando voltarão pro armário. Perceba que as latinhas, onipresentes, também podem ser encontradas em cima do sofá. A flâmula nacional, que outrora pendia majestosamente na frente da minha janela anunciando aos vizinhos com quem é que eles estão lidando, caiu e foi soterrada por roupas sujas; o que por sinal me lembra que preciso comprar mais durex.

A bagunça tá tão grande que a única forma que vejo pra pra me livrar dela é vendendo sofá.

Melhor ainda, vou vender logo o apartamento.

Aí compro outro celular.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)