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Postado em 14 May 2005 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Segunda feira, 11 da noite, via MSN

— Porra, que sono, honey. Vou cair na cama.
— Eu também, e pior que nem posso. Tenho um trabalho pra terminar…
— Cê vai acabar se atrasando pra aula de novo, menina. E se isso acontecer…
— Eu sei, eu sei. Se eu me atrasar de novo, vou pegar uma semana de suspensão.
— Pois é. Vai se foder muito bonito.
— Nem vou. Em último caso, vou de patins pra aula. Chego lá na metade do tempo.
— Descer de patins uma ladeira de dois quilometros, que é por acaso a avenida mais movimentada da cidade?
— É…
— Tu vai é morrer, isso sim.
— Vou nada.
— Sério, não vai de patins não.
— Já fui outras vezes.
— Não vai não. Tou falando sério.
— Ok, não te preocupa. Não vou.
— Beleza.

Isso encerrou minha conversa com a gótica, e pôs em início mais uma emocionante partida online de Star Wars Battlefront (resenha em breve, não se desesperem) logo assim que desconectei do MSN. Após algumas horas de diversão, desliguei o PS2 e fui dormir, sonhando em seguida (pela quinta vez esse mês) sobre uma raça secreta de homens-sapo que sobrepujou os humanos e conquistou o planeta, e sua ligação com o tráfico internacional de rapaduras.

Terça feira, 7 da manhã, residência dos Nobres

Acordei suado, gritando e agitando meus braços desesperadamente para me livrar das garras de um dos soldados imperiais do Rei-sapo, apenas para perceber que foi tudo um sonho e que eu não sou o libertador da raça humana. Apalpei o cobertor e percebi satisfeito que dessa vez ao menos não me mijei todo. Esfreguei os olhos, dei uma coçadinha na bunda e passei o antebraço na boca, removendo os restos de baba ressecada, e pulei da cama pra me vestir (Por sugestão insistência da patroa, me tornei adepto do esporte de dormir pelado. É bacana, recomendo. Mas isso é irrelevante na história, então esqueçam que falei isso).

Então o telefone toca. No bina, o nome da namorada apareceu, piscando em letras verdes.

— Ahn… Izzy?

Era a sogra. Achei extremamente estranho o fato de que ela estava me ligando, mais estranho ainda que o sonho que eu tive na noite anterior.

— Eu mermo.
— Tou ligando pra saber se você quer vir com a Becca pro hospital.
— ?!
— Ela se meteu num acidente.

Praguejei mentalmente. Segundos depois, minha mente entrou em negação, e eu podia jurar que a sogra estava de zoação comigo.

— Porra, sério isso?
— Já tou passando aí no prédio pra te levar.

E a véia desligou, sem me dar mais informações sobre o acontecido. Por uns dois segundos adicionais, permaneci na idéia de que isso poderia ser nada além de uma brincadeira de mau gosto da sogra. I mean, porra, na noite anterior eu falei pra menina não fazer a parada, ela faz, e agora se estoura toda? Até onde sei, não tenho esses super poderes premonitórios – a menos que aquele negócio que eu comprei na internet já esteja fazendo efeito.

Meti a mão no armário, peguei a primeira camisa que encontrei lá, pulei pra dentro dos meus sapatos (nem me dei ao trabalho de usar meias, algo que me causou arrependimento horas mais tarde) e corri desabaladamente pra fora do apê. Esmurrei o botão do elevador. Os três segundos seguinte de espera pelo aparelho me deixaram impaciente, então comecei a apertar o botãozinho repetidamente, como se a vida da namorada dependesse da minha capacidade de pressionar o botão trinta vezes por segundo. A porcaria do elevador deu o ar da graça, pondo fim a uma espera que pareceu desgraçadamente longa.

Minutos após uma ansiosíssima espera no saguão, a van da sogra se fez visível na esquina. Os vidros são insulados, então não pude ver a namorada, embora na minha mente eu podia vê-la em um deplorável estado agonizante no banco de trás, jorrando sangue das feridas abertas, tentando colocar os ossos pra dentro do braço/perna de novo, enquanto segurava o próprio olho com a outra mão. Sacodi a cabeça quase imperceptivelmente, como que para afastar o pensamento nefasto. Ao me aproximar do carro, percebi que a hipotética condição física da namorada estava me deixando exponencialmente nervoso.

Sabe aquela sensação de querer logo acabar com alguma coisa, mas estar com um medo insuportável dessa tal coisa? Eu costumava ter essa sensação quando era criança e me notava a iminente queda de um dente de leite, ou quando precisava tomar uma injeção no rabo. Eu morria de medo de ter que arrancar dentes, ou de ter agulhas de cinco centímetros deflorando minhas nádegas, mas sabia que era inevitável.

Agarrei a porta lateral da van e puxei pro lado. Lá estava ela, meio encolhida no lado oposto do banco. A patroa, que estava olhando pela janela do outro lado, virou então o rosto pra minha direção. Senti um arrepio na espinha.

TO BE CONTINUED… admitam, vocês adoram esse suspense.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)