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Postado em 17 May 2005 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Antes de continuar a aventura do acidente em que minha namorada se meteu, sinto a necessidade de explicar um pequeno detalhe que já tinha sido trazido à minha atenção por leitores através do MSN:

Como a sogra te ligou se ela é praticamente surda, só consegue escutar gritos na orelha??
Carol | 05.17.05 – 8:09 am |

Como os mais atenciosos de vocês devem se lembrar, os pais da minha querida gringa são surdos. Mencionei o detalhe em duas ocasiões diferentes, uma delas sendo a mais emocionante novelinha de posts que já passou por este periódico – aquela noite em que quase fui pêgo nu em pelo na cama da sogra.

Acontece que, por motivos que envolvem concisão (ou isso, ou uma inerente de preguiça de explicar detalhes com mais minúcia), acabei me contradizendo. No post anterior, falei que a véia me ligou pra informar sobre o acidente em que a namorada tinha se metido. “Como ela poderia ter te ligado, se é surda?!?!?!? Rárá! Peguei o Quide na mentira!“, muitos de vocês pensaram, apalpando a barriga e cutucando espinhas na testa. Bem, explicarei melhor.

A bem da verdade, a sogra não é surda. Enquanto o pai da namorada não ouviria uma bomba explodindo na sala ao lado, a mãe é apenas parcialmente surda. O termo inglês, conforme aprendi há mais de um ano atrás quando o namoro começou, é “hard of hearing“. Ou seja, a pessoa ouve com dificuldade, apenas quando você fala encarando-a (o que facilita a leitura de lábios quando necessária), e recorrendo muitas vezes – como no caso dela – àqueles aparelhinhos que você acopla na orelha e que ficam cheios de cera de ouvido após o uso, possivelmente a coisa mais nojenta que já vi na vida. Infelizmente, já o vi mais vezes do que desejaria.

Divago.

A questão é que eu sempre generalizava e resumia o problema da véia como surdez para evitar uma explicação mais elaborada sobre o real problema que aflige a sogrinha. É bem mais fácil taxar ela assim que precisar explicar o que “hard of hearing” significa sempre que fosse se referir à mulher. Aliás, se alguém souber o termo em português, deixa aí nos comentários.

Então. No dia que a véia me ligou, como em outras ocasiões similares, não houve realmente uma conversa propriamente dita. Ela falou meu nome (para ter certeza que eu serei chamado caso não tenha sido eu quem atendeu o telefone), passou a mensagem, e desligou. Não expliquei esse detalhe, mas até o momento em que finalmente vi a patroa naquele dia, eu estava no mesmo suspense que vocês, por um motivo simples: por mais que eu gritasse ao telefone “OMG WHAT HAPPENED TO MY GIRLFRIEND HOLY SHIT TELL ME NOW BITCH GAAAAAH“, a velha respondia apenas “ok, tou indo pegar você, bye“.

Ok, e como isso explica aquela mirabolante fuga do quarto da véia há alguns meses? Se ela ouvisse qualquer coisinha sequer com o aparelhinho de surdez, você teria se fodido!

Ah, mas vocês fazem perguntas demais. Como já expliquei, aquele aparelho quase mágico que concede uma audição – parcial, notem – aos deficientes é um depósito de nojeiras de ouvido, então eles sempre o removem quando não há necessidade de uso. A propósito, aquele negócio é enfiado FUNDO na orelha, quase tocando os tímpanos. Não é de se surpreender que o troço extraia quilos de cera quando emerge do canal auricular.

Mas então. Como as filhas dela (sim, a patroa só tem irmãs) são fluentes em linguagem de sinais, é comum que ela remova o troço quando chega em casa, tanto por questões de higiene, como de economia de bateria. No caso daquela noite, ela imaginava estar sozinha em casa – e eu peladão a apenas uma parede de distância, haha -, então realmente não havia necessidade de deixar o negócio no ouvido. O que, no fim das contas, acabou me salvando.

Não cheguei a saber ao certo o que realmente se deu naquela noite, mas já a vi removendo a parada do ouvido quando chega em casa em outras ocasiões, e levando em consideração que minha fuga foi perfeita, vou arriscar o palpite de que isso foi o que realmente aconteceu.

E agora, com vossa licença, vou terminar a continuação do post, que esse negócio de escrever em blog dá dinheiro.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)