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Postado em 25 May 2005 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Alô amigos! Cá estou eu, seu amigo Quide, publicando mais um texto pseudo-engraçado pra ajuda-los a enfrentar a chatice do dia a dia no seu trabalho e contribuir com o aumento da incompetência e ociosidade.

E o texto de hoje é sobre um joguinho de Playstation2; uma boa indicação para quem tem o console ou apenas motivo de inveja para alguns de vocês – os pobres lascados – que mal podem comprar pasta de dente, que dirá videogames.

Outro dia eu estava aqui no meu quarto, fazendo castelinhos com moedas de um centavo como sempre, e a patroa teve a idéia de ir à locadora alugar algum filme. Já fazia quase três dias que eu não via nada explodindo, e eu tava com uma graninha sobrando, então aceitei a idéia. De mãos dadas com a namorada, saltitei alegremente até a Blockbuster que fica convenientemente atrás do meu prédio.

Um fenômeno curioso que me aflige após a compra do PS2 é que a seção de jogos exerce uma estranha atração gravitacional sobre mim, puxando-me inexoravelmente em direção à prateleira de jogos usados. Enquanto a gótica vasculhava a área de comédias, de onde eu sabia que ela emergeria com mais um filme ruim (minha mulé tem um notório mau gosto cinematográfico e para outras coisas também, como escolha de namorados), corri como um somaliano atrás de uma galinha para a parte de jogos. Cheguei lá ofegante, mas minha corrida não foi em vão: achei uma incrível pérola logo ao lado dos jogos ruins que ninguém jamais comprará e que permanecerão na loja até que ela seja implodida cinquenta anos no futuro para dar lugar a uma fábrica de algodão doce:


STAR WARS BATTLEFRONT. Eu havia visto a propaganda do jogo há meses antes na TV, e quase mijei nas calças de raiva por não dispôr da grana na época pra gastar com o jogo. Acontece que dessa vez eu havia acabado de receber o cheque do Gúgou (brigado amiguinhos ), e não voltaria pra casa sem o game. Julguei vinte paus um preço bastante razoável, agarrei a caixa, corri pro balcão, passei o cartão de crédito feliz na maquininha de cartões de crédito. Barulhinhos eletrônicos deram fim a uma interminável espera de três segundos de imenso suspense: “terei dinheiro suficiente na conta ou não?” A máquina cuspiu um recibo e a balconista enfiou o jogo numa sacola, respondendo minhas dúvidas. Agarrei o saquinho de plástico como se fosse meu próprio filho, mandei um cordial “thanks” e quando estava prestes a explodir pra fora da loja, lembrei da namorada. Lá estava ela, segurando o DVD de Debi e Loide 2, me perguntando o que eu havia comprado.

Nem lembro mais qual filme ela alugou, até porque acabamos não assistindo porra nenhuma. Meu pai estava assistindo seu DVD do Roberto Carlos no aparelho da sala, e eu não ia ceder o PS2 do meu quarto pra assistir filme algum. A namorada estendeu o dedo para apertar o botão que abre a bandeja do videogame, ato que eu prontamente respondi com um tapa na sua mão. Saquei o meu jogo recém-adquirido da sacolinha plástica e enfiei no videogame. O que seguiu-se pode ser descrito com um orgasmo eletrônico de vinte dólares.


Todos sabemos que a LucasArts anda meio desleixada com os jogos do universo Star Wars que ela anda lançando, cujas qualidades variam entre os níveis “muito podre” e “absolutamente asqueroso“. Não é o caso em SWB. Finalmente a LucasArts resolveu parar de produzir toletes fumegantes – de venda garantida apenas por carregar a licença Star Wars – e se comprometeu em produzir algo que valha a pena ser jogado até mesmo por quem não é fã da série.

Star Wars Battlefront é O jogo para você que é um nerd de SW, como é o meu caso. Há muito tempo nossa raça sofria por causa de títulos fedorentos como “Star Wars: Force Commander”, “Star Wars: Galatic Battlegrounds” ou “Star Wars: Onde está Jar Jar Binks?“, jogos que parecem ter sido feitos pra pagar uma aposta que George Lucas perdeu. Esqueça todas as porcarias que a LucasArts é culpada de libertar neste mundo. Repito a frase que abriu este parágrafo: Star Wars Battlefront é O jogo.

SWB é um jogo de ação/tiro em terceira pessoa (meu estilo favorito de ação, ao menos pra consoles) que simula as todas as batalhas clássicas de todos os filmes da série, e de algumas que aconteceram no universo expandido da série (presente em livros, revistinhas e outros jogos). Sim, TODAS as grandes porradarias intergaláticas estão no game, garantindo gritos de êxtase dos mais fiéis fãs das trilogias: A batalha no planeta congelado de Hoth, na floresta-lua de Endor, na Cidade nas Nuvens, em Kashyyyk (o planeta dos Wookies, que só aparece no Episódio III), e muitas outras. Puta que pariu, quando jogando em Endor, você pode até mesmo atirar em Ewoks! O que mais você poderia querer?!


O jogo oferece as duas linhas temporais da série: a Guerra Civil Estelar – o mote da primeira trilogia – e as Guerras Clônicas – tema dos Episódios I, II e III. Você tem opção de unidades correspondentes à linha que elas pertencem: quando jogando na Guerra Civil, você escolhe entre o Império Intergalático ou a Aliança Rebelde. Quando jogando as Guerras Clônicas, as opções são os Soldados da República ou os Droids Separatistas. Até aqui, nada de novo pra quem acompanha os filmes religiosamente – como eu. Há cinco unidades específicas em cada lado, as clássicas de todo jogo: a infantaria, o médico, o sniper, e por aí vai. Como manda o script, cada unidade tem uma habilidade especial. Quando combinadas estrategicamente, as habilidades conferem ao esquadrão um formidável potencial de chutar bundas.


Isso é tudo? Não! SWB trás uma característica que eu particularmente esperava a muito tempo num jogo de tiro da franquia: você pode pilotar todos os veículos da série! Essa habilidade rendeu ao jogo a alcunha de Star Wars Battlefield 1942 nos fóruns gringos internet a fora. Todos os robôs/naves que aparecem nos filmes estão disponíveis, muitos deles podendo ser tripulados por mais de um jogador. A emoção de passear por cima da base rebelde dentro num AT-AT – pros não-nerds: os robôzões quadrúpedes de O Império Contra Ataca – enquanto seus co-pilotos usam os lasers secundários pra catar um ou outro rebelde que passeiam pelas redondezas é incomparável. Há alguns animais em que você pode montar, mas eles são pálidos em comparação com as máquinas de destruição do jogo.

E isso não é tudo. Há ainda a opção de trocar porradas online contra 15 outros nerds. Você poderia imaginar que um jogo com tanto potencial teria um modo online incrivelmente divertido, mas obviamente você não conhece SWB.

A culpa é de todos, a começar pela LucasArts. Pra compensar a qualidade que eles injetaram no jogo, a empresa resolveu não investir absolutamente nada no suporte multiplayer. O resultado disso é um modo online totalmente lagado, com poucos servidores, e absolutamente nenhuma opção extra. Você não pode encontrar amigos no jogo, não pode enviar mensagens pra outros jogadores, enfim, não pode fazer praticamente nada além de jogar.

Mas tudo bem. Achei que, se ignorasse essas falhas (que a LucasArts prometeu consertar em SWB 2, que sai até o fim do ano), a experiência online poderia ser remotamente divertida. Me enganei de novo.

Mas tenho que ser honesto: a culpa agora não é na LA. O que impediu SWB de ser o melhor jogo de tiro que
já joguei na vida não foi o lendário desleixo da LucasArts, mas a qualidade de imbecis que encontrei nos servidores. Estes não são imbecis normais: estou falando aqui de super-imbecis, uma raça avançada de cretinos que parece ser encontrada apenas nos servidores de Star Wars Battlefront. Não importa em qual servidor você logue, sem dúvida haverá ao menos uns três super-imbecis para te causar raiva lá. Já vi gente pilotando naves apenas para sair atropelando os companheiros de time, gente jogando várias granadas pra cima e em seguida fugindo da “chuva”, gente destruindo veículos que você vinha correndo o mapa inteiro pra pegar… tudo isso acompanhado de risadas retardadas no headset, ou xingamentos revoltados. E, na pior demonstração de maldade que já vi na minha vida, um dos jogadores do time em que eu estava jogando deixou seu headset do lado do computador, colocou músicas da Britney Spears pra tocar, e se mandou. Ninguém conseguia mais planejar nenhuma estratégia, porque o som alto dominou o canal de comunicação. E por causa do lag, o sistema que identifica o enviador das mensagens travou, fazendo os outros jogadores pensarem que EU era o responsável pelo atentado sonoro. Saí do jogo e fui procurar o endereço dos escritórios da LucasArts, pra enviar uma reclamação na forma de uma caixa de Semtex.

Quando os jogadores não estão fazendo algo espetacularmente idiota, é apenas aquela bagunça generalizada; todo mundo correndo pra cair na batalha de peito, se esquecendo que o jogo tem uma natureza tática. Ou seja, ninguém consegue se virar por muito sozinho.

Cada uma das unidades no jogo é particularmente boa em um aspecto, e uma merda completa em todos os outros. Sem ajuda do resto do time, pode ter certeza que o grupo inteiro será trucidado rapidinho – e é o que acontece em 100% dos casos. Ao contrário de outros jogos do gênero como Socom 2, é muito raro encontrar um grupo de jogadores que ouve suas sugestões e permanece junto, agindo realmente como uma equipe.

Mas tou exagerando. O modo online não é tããão ruim assim. Consegui achar uns bons server algumas vezes, sim. Mas é sempre mais fácil apontar as falhas.

Apesar dos pesares, o jogo ainda vale a pena. E muito. Se você tem um irmão, recomendo o modo Splitscreen – uma ótima alternativa ao modo online. Pra quem é fã da série há anos, a diversão de participar das batalhas épicas do universo Star Wars, a bordo dos veículos mostrados nos filmes, é inigualável.

E, claro, você ainda pode matar ewoks com tiros lasers na cara. Só isso já vale os vinte dólares.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)