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Postado em 4 June 2005 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

A internet revolucionou a forma como as pessoas fazem muitas coisas. Graças à grande rede de computadores, há novas formas de conhecer pessoas, roubar pessoas, ouvir música, roubar música, assistir filmes, roubar filmes… a lista estende-se ao infinito, embora seus itens sejam relativamente previsíveis e envolvam algum tipo de atividade criminal. Entre tantas notáveis revoluções, há uma que é muito provavelmente a mais aclamada: a democratização da punheta.

Todos nós passamos pela mesma situação, com algumas variantes. Lá por volta dos dez anos, você já começava a participar das rodinhas de conversa de sacanagem com os amigos, a despeito do fato de que o mais perto que você esteve de uma mulher foi quando a garçonete do McDonalds trouxe seu bolo de aniversário há dez anos atrás, quando seus pais tinham dinheiro pra arcar com uma festinha no restaurante. Não se culpe; a maioria dos seus amiguinhos não tinha histórias mais emocionantes pra contar. Porém, um deles tinha um trunfo: um dos moleques era o feliz proprietário de uma revista de sacanagem! Quase sempre, a revista era praticamente paleozóica, anterior à invenção das tesouras (o que explicaria as mulheres com mais cabelo lá embaixo do que em cima). As fotos beiravam o mau gosto pleno, as modelos eram tão atraentes quanto uma meia furada, e a revista não raro trazia inexplicáveis manchas em suas páginas.

Era tosco, mas era tudo o que tínhamos. Assim sendo, a molecada se aglomerava ao redor do possuidor da revista que, sendo o “dono da bola”, não deixava ninguém tira-la de suas mãos. Não somente isso, o miserável também controlava a virada de páginas com punho de ferro. Não adianta choramingar, ele só passaria a folha quando tivesse vontade de tal e pronto. Sendo o menor da turma, eu nunca conseguia um lugar privilegiado para observar a putaria; os moleques maiores tinham mais sorte (e porte) pra garantir um local melhor que o meu. Por baixo do suvaco de alguém, tudo que eu conseguia ver era uma perna no ar. E, devido a falta de critério dos produtores da revista na hora de escolher as modelos, não dava nem pra ter certeza se era uma perna masculina ou feminina. No outro dia, eu conseguia ver um braço – embora dessa vez eu tivesse certeza de que seu dono era um homem.

Pedir a revista emprestada ao João Batista (ele era o filho do pastor da minha igreja, veja você) não era uma opção. Dizia-se que a revista era um item de valor inestimável, presente na família do dono há gerações. Ele roubou de seu pai, que achou-a embaixo da cama do avô, que trouxe escondido nas caravelas ou algo assim. Àquele passo, imaginava eu, só vou ver uma mulher completa quando tiver uns 37 anos.

Mas chegou a fabulosa internet! O reinado do Dono da Revista chegava ao fim. Ninguém mais precisava participar daquela rodinha suspeita atrás da igreja (atrás da igreja!) pra ver modelos cabeludas. Ninguém mais seria punido por ser ansioso demais para esperar a virada da página. Ninguém mais se sujeitaria às vontade do Dono da Revista. Foda-se a revista! Tinhamos a nossa disposição agora todas as mulheres do mundo!

Bem, teoricamente. Em primeiro lugar, porque dial up limitava muito o que podíamos fazer na internet, e baixar pornografia não era diferente. Além disso, muitos de nós (eu me incluo no grupo) morria de medo de procurar putaria na internet, porque o computador era compartilhado pela família inteira. Na minha cabeça, procurar putaria na internet faria o próprio PC me denunciar na próxima vez que meu pai fosse usá-lo. Eu preferia não me arriscar, então restringia minhas buscas aos momentos em que eu estava usando o computador na casa de algum amiguinho.

E assim foi. Um belo dia, eu estava na casa do Tiago com outros coleguinhas, e o moleque disse que tinha algo legal pra mostrar pra gente, mas apenas quando a mãe dele saísse de casa. Já imaginávamos o que seria, então esperamos ansiosos até que a velha finalmente saiu pra jogar bingo ou ser atropelada (coisa que ela realmente foi naquele dia) ou algo assim.

A véia deixou o recinto. Corre a molecada pra frente do computador. Tiago executa o vídeo, propriamente entitulado “FOda001.alguma_extensão_que_esqueci”, diante dos olhos curiosos da gurizada. Imagino a paciência do moleque de baixar um vídeo de dois minutos nos tempos em que os modems de 56k não eram peça de museu.

O vídeo não trazia nada de espetacular. Uma mulézinha da vida – já pelada e numa posição estratégica – esperava pelo “ator”, que não podia ser visto na tela. Em segundos o cara aparecia, botava uma camisinha e fazia o serviço, enquanto a mulé fingia não-convincentemente que gemia. Nada de oral, nada de anal, nada muito cheio de firulas: foi sexo, pura e simples penetração, em todo seu esplendor de quase um minuto e meio.

No entanto, aquilo foi suficiente para chocar-nos. Ninguém ali – além do Tiago, que assistiu o vídeo antes de nossa chegada – jamais havia presenciado o ato sexual em si. A cena parecia fora desse mundo; assisti o curto filme com uma estupefação que podia ser equivalente apenas a quando o lutador controlado pelo computador em Mortal Kombat me dava uma surra de Perfect. Minha mente se tornou um vídeocassete imaginário, que reproduzia cenas do vídeo cada vez que eu fechava os olhos.

O tempo passou, melhores conexões chegaram, e a inocência daquele primeiro vídeo ficou pra trás. Em comparação com as putarias que eu já vi nesse meu computador, aquele filme que assisti na casa do Tiago poderia ser confundido com um episódio dos Ursinhos Carinhosos. Já vi praticamente todo tipo de baixaria a que um ser humano pode se sujeitar; já passaram pelo meu winamp cenas que deixariam torturadores da Inquisição compadecidos. Já vi gente cagando/mijando na cara de outras pessoas, gente sendo estuprada por mais de cinco indivíduos, gente fazendo sexo com peixes (?)… há algum tempo eu imaginava que nada mais podia me chocar, que eu já tinha visto tudo que podia ser enfiado dentro de uma pessoa.

Até que achei esse link, que não apenas encheu meu PC de spywares, mas destruiu o que restava da minha pouca fé no futuro da humanidade. No site, apropriadamente chamado “Got Fooled“, mulheres são ludibriadas a fazer sexo por dinheiro FALSO! A galera da putaria não sabia como empurrar o nível mais pra baixo, e decidiu então que pagar as vagabas pelas sacanagens era muito convencional. O site não deixa dúvidas sobre a intenção dos criadores, que é avacalhar com a imagem das coitadas.

Claro que a proposta do site é falsa. Ninguém em sã consciência divulgaria falsificação de dinheiro assim, pra todo mundo ver, ainda por cima nos States. Mas o que marca é a idéia – os caras criam uma ilusão apenas para tornar a situação das mulheres mais humilhante do que já é.

Sinceramente?

Tenho medo do que meus filhos vão ver na internet.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)