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Postado em 25 June 2005 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Rapidinhas

Desde o lendário caso do Japa de Lantejoulas (quem lembra?), nunca mais provoquei alguém com agressividade o suficiente pra inspirar uma ação legal contra minha pessoa. E isso é muito chato.

O que preciso fazer pra instigar a fúria necessária pra receber mais uma ameaça de processo?

* * *

Lembram o Chris Beaudry (leia-se “Bôudrê”, nome francês viado), o moleque chato? Então. Ele também comprou Burnout 3, e passou a última semana enchendo meu saco implorando por uma partidinha online. Meio a contra gosto, aceitei o desafio. O motivo é que Beaudry, ou “Bôu” como o chamamos – ele não merece ter seu nome pronunciado totalmente – é uma das pessoas mais arrogantes e presunçosas que já conheci na vida. Isso vindo de uma pessoa como eu diz muito. Eu sabia que, se perdesse pro moleque, ele jamais me deixaria esquecer. Mas o infeliz insistia muito.

Mas aceitei, visto que minha própria honra estava em jogo. Liguei pro cara, combinei o servidor onde nos encontraríamos. Agarrei o volante (literalmente) e MOÍ a bagaça gringa dele. Três corridas, três vitórias. Em sua defesa, o cara não foi um corredor tão bunda assim. Ele me deu um Takedown, o que em termos de jogo significa que ele enfiou meu carro em algum objeto imóvel e o fez levantar vôo, me fazendo perder preciosos segundos na corrida. Não obstante, repito, moí sua bagaça. Beleza.

No outro dia na aula, o moleque orgulhosamente espalhava pra sala inteira que tinha kicked my ass no jogo.

— Beau, se não estou enganado, eu ganhei todas as corridas ontem.

— É, mas eu bati no seu carro naquela última corria e dei um Takedown em você, lembra?

— Chris, acho que minhas cordas vocais estão com defeito. Repetirei a frase passada pra garantir que ambos estamos debatendo o mesmo fato: Eu ganhei cada uma das corridas que jogamos ontem. Com grande margem de vantagem. A despeito do fato que você me deu um Takedown.

— Mas o jogo se chama Burnout Takedown, e mesmo que o modo de jogo fosse Race, quem dá mais Takedowns ganha.

Nem Deus poderia convencer o cara do contrário, então deixei pra lá.

Mas por algum motivo, ele não quis uma revanche.

* * *

A aula acaba. Vou pra parada de ônibus e subo no veículo que já estava lá me esperando, com música zumbindo nos meus ouvidos através do mp3 player e um livro na mão (Decipher, de Stel Pavlov. Speed, procure. É bom). Do lado de fora do ônibus parado, noto uma velhinha que tentava a todo custo subir no coletivo. Bengala no degrau, mão no corrimão, pé no degrau, duas horas depois, bengala no degrau acima… Ela fazia a subida no veículo parecer tão complicada e desafiadora como escalar uma montanha sem equipamentos de segurança e com uma geladeira amarrada nas costas. A idosa parecia tão velha quanto o tempo, branquela e com rugas que se confundiam com pelancas. A armação dos óculos poderia comportar confortavelmente as lentes de um telescópio astronômico. A saia relativamente curta para alguém de sua idade revelava uma visão que eu me consideraria feliz se morresse sem jamais ter que olhar: pernas varizentas, tortas e cheias de veias roxas em relevo. A véia continuava a escalar o ônibus, compenetrada, as mãos tremendo.

Quase não consegui conter a vontade incrível de pular do banco e dar uma voadora na mulé. Do nada me veio essa ânsia. Tive que literalmente me segurar naqueles ferrinhos atrás dos bancos.

A visão imaginária da velhota largando a bengala e caindo pra trás trouxe um sorriso sádico aos meus lábios. Uma menina que sentava na minha frente deve ter se perguntado do que eu estava rindo.

* * *

Negros americanos são todo metidos a inventar estilo (aposto que alguém comentará dizendo que isso é uma afirmação racista, a despeito do fato de que não há um grama de discriminação na sentença). Há um bom tempo atrás, começou aquela onda de usar calças caindo, quase no meio das pernas. Mais recentemente, o “grande lance” era andar com uma perna da calça enrolada até o meio da canela. Dá um visão “gangsta”, dizem eles. Isso se deve ao fato que meia dúzia de rappers metidos a bad boys usam as calças dessa forma; trocentos fãs imitam.

A presepada desse verão, ou ao menos eu só percebi nesse verão, é enrolar na cabeça um pano de seda (geralmente de cores fortes como azul claro ou rosa) com um buraco na parte de trás, e deixar um tufo de cabelo pro lado de fora. O tufo de cabelo crespo adquirirá invariavelmente um formato arredondado, e combinado com o pano colorido fazendo uma bola na cabeça, o infeliz acaba parecendo o Bomberman.

Eu, ein.

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About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)