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Postado em 27 June 2005 Escrito por Izzy Nobre 1 Comentário

[ Update ] A propósito, o countdown no topo da página está sincronizado com a data da minha formatura: amanhã, às 2:30 da tarde (horário de Brasília). Acompanhem emocionados.

A propósito, o contador só atualiza quando a página é recarregada. Mas não inventem de ficar dando F5 pra acompanhar emocionadamente que eu me fodo com a banda do site.

Então controlem a emoção. E tchau, que tá tarde e eu vou mimir.

* * *

Puta que pariu, tou cansado demais. Tive que me segurar no ventilador pra não cair quando entrei no quarto, e receio que minhas nádegas não mais levantarão desta cadeira hoje. A única coisa que me motiva a sair do quarto são os protestos da minha bexiga, e isso apenas porque não tenho canudinhos o suficiente pra construir um cano artesanal que chegue até o banheiro.

O motivo do meu cansaço é que acabei de chegar da última viagem escolar do programa Dare to Soar, uma ida inteiramente paga pro Ontario Place.


Isso aí, ó

Como já expliquei em outras ocasiões, as escolas canadenses têm dinheiro demais em seus orçamentos e não sabem mais como se livrar deles. Os caras já tentaram tudo: barquinhos, aviãozinhos, estrelinhas, confete… todo mundo já tava sem idéias, então alguém sugeriu um programa pra recompensar os estudantes menos burros com viagens pra lugares legais que eles de outra forma jamais visitariam. A pessoa que deu a sugestão foi demitida e se suicidou dias depois com uma bala envenenada na cabeça. Seu chefe se apoderou da idéia sem dar-lhe crédito e foi promovido. Life’s a bitch.

E a viagem dessa vez foi o Ontario Place, um parque aquático em Toronto.

Assim, os vinte alunos menos estúpidos foram cuidadosamente selecionados para a viagem deste bimestre. No entanto, ressalto que a expressão “cuidadosamente selecionados” tem na verdade um sentido levemente capcioso. Burrice é um atributo distribuído homogeneamente entre os frequentadores da minha escola, tornando a tal seleção dos melhores alunos um processo bastante rápido. Basta pregar papeizinhos com nomes dos alunos num alvo de dardos e lança-los vinte vezes. Os alunos foram selecionados mais ou menos na mesma proporção em que você seleciona seus pais.

Aí chega o dia da viagem (hoje). Sobe a vagabundada toda num ônibus escolar daqueles amarelinhos e toca pra Toronto. Eu tentando ler um site no palm pilot, reafirmando minha nerdeza colossal, enquanto um mané qualquer tentava ler sobre meus ombros (ou talvez sob o suvaco), e o resto da galera cantava algum rap no fundão.


Esse são os toboáguas (duvido que essa palavra exista formalmente) do parque. Havia quatro; o roxo, cor de rosa, azul e o verde. O código de cores é pra indicar o nível de masculinidade requerido para se aventurar nos tubos. O roxo, cor “nacional” da boiolada firme em suas convicções, era o menor de todos. O rosa, tonalidade específica do tipo “viadinho”, que não é militante mas gosta de homem do mesmo jeito, era um pouco mais desafiador mas nada que realmente bombeasse adrenalina na corrente sanguínea. O azul era o segundo melhor de todos, e também o mais alto. O verde era o mais fodélico, e merecerá um parágrafo só pra ele adiante.

Independente da cor do toboágua, uma coisa era constante: a gritaria incessante e ensurdecedora dos aproximadamente trezentos milhões de guris de 10 anos que povoavam o parque. Havia mais pivetes do que a vista podia abarcar; a molecada se estendia até o horizonte. A criançada, todos dominados por alguma força das trevas, sentiam a necessidade de depositar berros de 450 decibéis diretamente dentro da minha orelha, todos eles informando suas mães de que estavam a) descendo no toboágua b) dando um atlético pulo de 30 centímetros pra dentro da piscina c) com fome. Por mais que eu tentasse evitar a molecada, por mais que eu fugisse deles, nunca consegui ficar a mais de 70 centímetros de distância de um deles. Não foi tão ruim como, digamos, quando alguém caga em cima do seu sorvete, mas ainda assim era irritante demais. As cordas vocais pré-púberes da pivetada garantia aquela vozinha fina e esganiçada que me dava uma vontade de cala-los à base de bala. Mas eu não estava armado na ocasião, então não havia solução pro problema. O jeito foi se acostumar, custe o que custasse – no caso, minha audição.

Então, o toboágua verde. Adequadamente entitulado “The Plunge” (“A Despencada“, “A Queda“), o escorregador elevava-se a uma altura de aproximadamente cinco andadres, e descia num ângulo quase vertical. Na base do troço, havia semi-círculo imenso de uns 5 metros de raio com um buraco no meio, e uma piscina embaixo. O infeliz que descia, ou melhor, caía através do tubo atingia o semi-círculo em alta velocidade. Então, a pessoa rodava em volta do círculo, o que reduzia sua velocidade e eventualmente o jogava pelo buraco no centro, diretamente na piscina logo abaixo. Não é a toa que chamavam o negócio de “The Toilet”.

Convenci meia dúzia de amigos a se aventurar – esperar sozinho durante meia hora numa fila de pivetes barulhentos seria uma desgraça – e fomos todos.

A propósito, me lembrem no futuro de jamais ser pai. Aliás, de vez em quando vou dar uma voadora na barriga da gótica só por precaução.


Um misterioso globo gigante

Trinta minutos, 200 pirralhos berrantes e 50% a menos da minha audição depois, eu estava me jogando pelo buraco. A descida foi assustadoramente rápida; as conexões do tubo (que ligam um segmento ao outro) castigaram minhas costas como se eu tivesse xingado a mãe deles. Em um momento, água subiu pela minha virilha e borrifou minha cara com violência, o que me impediu de ver o que diabos me esperava adiante. Senti a claridade através das pálpebras, o que significava que o fim do tubo se aproximava, mas não consegui abrir os olhos por causa do spray que levei no meio das fuças. Fui expelido pra dentro do semi-círculo em altíssima velocidade; o mundo girava em minha volta. Minha velocidade desvaneceu-se e eu finalmente cai pelo buraco no centro. A água gelada da piscina fez meu corpo se arquear.

Nenhum outro parque aquático havia feito me sentir como um tolete. Foi foda, mas nem por uma buceta eu encararia a fila de meia hora de novo. Me despedi do Toilet e fui aproveitar os outros toboáguas. Não sem antes alimentar o desejo de furar alguns dos moleques barulhentos com um espeto de churrasco daqueles que têm duas pontas.

Na saída da Privadona, esbarrei com o Mikey, que é o drogadinho de estimação da turma. O moleque andava de um lado pro outro, desesperado, e percebi sua animação quando ele me viu. Após uma breve corrida em minha direção, ele explicou ofegante que tinha se perdido do Beaudry, que é por acaso o fornecedor de maconha da região (olha o tipo de gente com quem eu me associo). Dei de ombros, explicando que não o via há algum tempo. O moleque esboça uma expressão de “mas porra, tu é um inútil também, ein?” e extrai um cigarro da orelha. Depois, me pergunta se eu tenho um isqueiro – eu, que acabava de sair de uma piscina. Olha o que a maconha faz com um cidadão. Quando você menos espera, já tá matando seus pais pra arrumar dinheiro pra dar mais uma tragadinha. Expliquei pro cara o óbvio (“não sei você, mas não costumo nadar com isqueiros no bolso”)e me mandei dali.

Ao fim do dia, me dei conta de que vou sentir muita falta dessa escola. Pra quem não entende minha situação escolar aqui, é o seguinte: eu
já havia me formado no Brasil há anos, mas descobri ao chegar aqui que meu diploma do segundo grau brasileiro vale tanto quando uma nota de três reais escrita no verso do papel do saco de pão com giz de cera vermelho. Além disso, eu fui INTELIGENTE o bastante pra abandonar minhas duas faculdades (UFMA e CEFET, ambas no Maranhão) sem pegar nenhum documento que comprovasse minha passada por elas. Assim sendo, joguei quase dois anos de ensino superior federal na lata do lixo, e fui obrigado a re-cursar o segundo grau pra poder entrar numa faculdade aqui. Felizmente, foi possível aproveitar quase toda minha grade curricular do ensino médio, então descolei meu diplominha gringo em menos de um ano. A propósito, amanhã é a cerimônia de graduação. Será que rola post? O tempo dirá, jovem padawan.

Então. É justamente por isso que tou acabadaço. O lugar era imenso, e passei uma boa parte do tempo andando de um lado pro outro, ora procurando algum amigo, ora tentando escapar das hordas de pivetes barulhentos dos demônios.

O foda é que vou sentir muita falta daquela escola. O fim de uma rotina é sempre estranho; lembro que um forte pensamento de “Ih, e agora?” se estabeleceu na minha mente quando terminei o segundo grau no Brasil em 2000, e agora não é diferente. A galera era firmeza, os professores eram os mais gente boa que já conheci na vida e, claro, nunca ganhei tantas mamatas por ser um estudante medíocre antes.

E que venha a faculdade de direito.

Sim, porque processar os outros parece ser divertido e eu também quero.

E falando em processar os outros, aquela intriga lá no orkut nem deu resultados satisfatórios.

Não se fazem mais adêvogados como antigamente. Quase não recebi respostas, e acho que isso se deve à falta de tempo dos homi do jurídico. Os caras tão ocupados demais, quem sabe quando eles arrumarem uma folga entre abrir tópicos procurando emprego e desviar de cobradores, receberei alguma resposta legal. Enquanto isso, terei que esperar que eles terminem de distribuir currículos em quiosques de cachorro quente na praia.

Quem sabe semana que vem eles lêem as minhas mensagens.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

Um comentário \o/

  1. sgirlies says:

    Hey! Super site with terminem