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Postado em 14 July 2005 Escrito por Izzy Nobre 4 Comentários

ATENÇÃO

Dumbledore morre no próximo livro do Harry Potter

Agora que já poupei vocês do prejuízo de comprar o livro, vamos ao post.

Boliche pode ser considerado um esporte? Embora a atividade inclui muitas características que geralmente configuram um esporte, como bolas, sapatos especiais e gente muito revoltada porque está levando uma surra no placar, boliche não é exatamente um negócio muito, digamos, “esportivo“. Você pega uma bola, dá três passos e arremessa em direção de pinos no fim de uma pista de madeira. Aí você joga um dos pés pro lado – movimento que é uma marca registrado do boliche – e coça a bunda com a mão livre. Há algum grau de habilidade envolvida no negócio, mas daí a considerar como esporte há uma grande distância. Pô, até pra catar piolho é necessário um certo nível de habilidade, e isso não faz do meu pente fino um equipamento esportivo. Por outro lado, se até xadrez e curling são considerados esporte, talvez boliche também seja.

Não preciso explicar pra ninguém o que é xadrez (ou ao menos ESPERO que não precise), mas tenho certeza que ninguém aí sabe o que é curling. Alguém já chegou pra você e perguntou “Ei, você sabe o que é curling?” Aposto que o desespero bateria se essa situação acontecesse com você num futuro próximo, porque não há nada pior que alguém perguntar pra você o que é curling quando você não sabe o que é curling.

Então: você sabe o que é curling?

Curling!

Claro que não sabe, afinal você não mora no hemisfério norte. Curling é um tipo de coisa que só mesmo canadense poderia ter inventado, e apenas outros canadenses podem considerar um esporte sério. Curling define-se como a arte de arremessar uma pedra polida de uns vinte quilos que vai deslizando através de metros e metros de gelo, tentando se aproximar o máximo possível do centro de um alvo desenhado no chão. Mas não é só isso! Aparentemente (não tenho certeza, porque sempre que um jogo de curling começa na TV eu paro de prestar atenção e vou fazer algo mais produtivo como arremessar minhas gavetas pela janela), os competidores podem jogar suas pedras contra as dos oponentes, tirando-as do alvo. Ou seja, é quase um jogo de bola de gude no gelo.

Apenas “quase”. A real natureza desse passatempo canadense vem à tona após uma análise mais cuidadosa, e você não perceberá os detalhes se não usar uma lente de aumento igual aquelas que vinha em pacotinhos de salgadinhos Elma Chips no começo dos anos 90.

O time de curling é composto – até onde sei – de três participantes. Um deles arremessa a pedrona. Agora é que vem a parte legal: os outros dois, munidos de vassouras, vão varrendo o gelo logo a frente da pedra, porque supostamente isso causa algum efeito mágico que é essencial para a trajetória de uma pedra imensa de vinte quilos deslizando com atrito desprezível numa superfície de gelo. Os varredores, que também deve acreditar em Papai Noel e políticos honestos, pensam que sua tarefa de varrer o gelo corresponde a um fator crucial no desempenho do arremessador.

Curling é, resumindo esses dois parágrafos, enxugar gelo fazendo de conta que isso é um esporte.

Ou seja, se até ISSO é considerado um esporte, boliche há de ser também. E se for, é apenas mais um deles em que sou um fracasso. Descobri isso no fim de semana passado.

A patroa e seu amigo semi-viado de infância, Casey, vieram aqui em casa no último sábado. Eles queriam fazer algo diferente. Um deles sugeriu que fôssemos jogar boliche no Neb’s, um centro recreativo aqui perto. Respondi que minha agenda já estava cheia de atividades para aquela tarde, e completei dizendo que estava ocupado naquele exato momento. Os dois insistiram, então não tive escolha senão guardar o maçarico, desamarrar o Bubbles (o gato da vizinha) e segui-los.

Chegamos lá após quinze minutos de caminhada. Eu já tinha visto o lugar na minha ida pra escola, mas nunca tinha entrado lá. O prédio do Neb’s fica imponentemente localizado no meio do nada, rodeado por árvores e esquilinhos. Uma placa imensa no topo do prédio, que se assemelha com um galpão imenso de três andares, anuncia ao visitante as atrações do estabelecimento: boliche (o que me pareceu ser o carro-chefe do lugar), camas elásticas, pistas de kart, sinucas, bares, arcades e algumas outras coisas que a tinta descascada na placa transformou um mistério para mim e os outros. A promessa era de muita diversão, pois fazia tempo que eu não ia a um boliche, camas elásticas, pistas de kart, sinucas, bares, arcades e algumas outras coisas.

Uma vez dentro do lugar, a primeira opção foi o tal boliche. Pagamos os cinco dólares da admissão e fomos pegar os sapatos especiais. Sim, porque boliche é algo extremamente profissional e o não-uso do equipamento adequado pode provocar ferimentos gravíssimos, como uma unha quebrada ou, Deus o livre, duas unhas quebradas. Assim sendo, a utilização dos ridículos sapatos de boliche é imperativa.

Não tive fiz firula. Ao contrário da Becca e do Casey, que passaram horas caçando sapatos que combinassem com a cor de seus olhos ou suas meias, pus no pé o primeiro par que minhas mãos alcançaram. Suponho que o sapato que eu escolhi era antes utilizado em botes salva-vidas, para facilitar que aviões de resgate sobrevoando a área a dez quilômetros de altitude localizassem vítimas de naufrágios. Minha teoria é a única explicação para a fosforescente combinação de azul-piscina com rosa-choque do sapato, além do fato de ele ser feito quase inteiramente de borracha lisa e de eu ter encontrado algas marinhas dentro dele. Também digno de nota era o terrível odor de gato morto que o sapato emanava de suas entranhas. O chulezão era um negócio de virar as tripas mesmo. Antes de calça-lo, fiz o que pude para segurar o sapato sem enfiar os dedos na parte interna, com medo de pegar alguma doença exótica.

Por um momento pensei em remover dos meus pés aquele atentado às córneas alheias, receoso de que a extravagante combinação de cores fosse também uma ofensa à minha masculinidade. Mas aí me lembrei que se preocupar com cor de sapato é que é coisa de boiolas (igual os cornos dos pais de vocês, não esqueçam), então fiquei com aquela horrorosidade mesmo.

Aí…

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

4 Comentários \o/

  1. Camilo says:

    ¬¬’ vlw pelo aprendizado do que vem a ser curling agora … VSF por interromper um texto no meio
    sem mais
    grato

  2. Heron says:

    teu blog já foi melhor kid…
    qndo tu atualizava periodicamente e o conteúdo não era tão escrachado igual é hoje.
    tu anda muito preocupado em trollar e ta deixando o blog meio de lado…
    mas de qquer forma, vlw.

  3. Chapolin says:

    Escrito por Kid em Jul 14, 2005

    x2 fail
    LOL

  4. Danilo says:

    AHISUHISHIUHRAIUAAOSIEAOPEAO

    Porque que caralhos o cara tava lendo um post de Jul 14, 2005 ?????
    Ganhou o prêmio “get a life!” do HBD!