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Postado em 28 July 2005 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Ninguém sabe (não contei pra não se acostumarem mal), mas logo após que a crise de enxaqueca passou, pulei aqui pra mesa do PC pra redigir um post pra vocês. Os leitores vêm sendo bastante generosos com os cliques, então achei que seria uma filha da putice de minha parte não aparecer com um texto aqui procês.

O texto aí debaixo era na realidade bastante antigo, que eu escrevi há tempos mas que não julguei digno de ocupar espaço na página principal do blog. Como vi que não ia poder “pegar no pesado” por um tempo – fui aconselhado pelo médico a parar de açoitar meus olhos com horas na frente do PC -, resolvi jogar esse textinho pequeno só pra tapar buraco mesmo.

Mas aí olhei, pensei, pensei, e resolvi que vocês mereciam mais.

Relevem, afinal o post abaixo foi escrito espremendo os olhos (meio que pra controlar a passagem de iluminação aos olhos), com uma compressa em volta da cabeça e à base de Tylenol e Advil.

* * *

Há poucas coisas para as quais a internet é realmente útil, e quase todas envolvem pegar coisas gratuitamente quando você na verdade precisaria pagar, ver mulheres nuas, e ver mulheres nuas gratuitamente quando você na verdade precisaria pagar. Há, porém, algo que dita a diferença entre as utilidades citadas acima: as discussões na internet.

Ahhh, as discussões na internet! O prazer de responder um inimigo fazendo gracinha com o nome dele, a diversão de postar uma crítica anonima no site/blog/scrapbook de alguém… a internet provém uma dose de liberdade que seus usuários jamais poderiam obter, e permite a eles demonstrar uma agressividade que seu franzino corpo de 50 quilos não poderia de forma alguma endossar. A menos, é claro, que você goste da sensação de ter punhos encrustados no seu rosto, entortando seus óculos e nariz.

A julgar pela quantidade de pessoas que entra na internet com o propósito único de bater boca (ou seja, todas aquelas que respiram e têm dedos), seria natural que pelo menos uma fração destes soubesse discutir propriamente. À primeira vista, é o que você poderia imaginar – “tanta gente fazendo a mesma coisa por tanto tempo, deve haver alguns aí fazendo da forma certa!”. É aí que a Realidade enfia sua bota entre suas nádegas: ninguém sabe discutir na internet. Ninguém.

O motivo é simples: se mero comentário de um desconhecido (ou seja, cuja opinião é tão importante na vida quando o processo reprodutivo dos salmões asiáticos) é suficiente para tirar-lhe do sério, você já perdeu. Qualquer pessoa séria – o que obviamente não é o meu caso – riria ao ver alguém que ela sequer conhece a criticando.

Acho que isso se deve ao fato de que não há nada mais fácil que irritar alguém através da internet. Vejam um exemplo recente que acontece aqui mesmo:


O mistério que resta é descobrir que post o cidadão leu, porque o meu com certeza não foi. No texto que eu escrevi sobre Harry Potter, em momento algum falei mal da série – taqui o link pra provar. Não posso criticar algo que não conheço direito, logo, não o fiz. Apenas insinuei que não gosto do livro e não estou interessado em conhecer melhor.

Mas não existem mais opiniões seguras. Falar que eu não gosto significa falar mal, e como ninguém pode falar mal de algo que o Rodrigo gosta, lá foi ele postar um comentário revoltadinho. O mais irônico de tudo é que, na opinião dele, as pessoas “devem saber do que falam antes de disparar críticas”. Genial! Pena que ele não aplica o conselho a si mesmo. Quinze segundinhos dedicados à leitura do parágrafo salvariam-no do vexame.

A única forma de sair por cima numa discussão virtual é deixar os críticos baterem boca sozinho, até eles perceberem que você não liga pro que eles dizem – ou, PIOR AINDA, que a voz deles sequer chegou até você. Isso os faz pensar que são tão insignificantes que você sequer sabe que eles estão descendo o pau em você.

Todas as pessoas – não me excluo – uma hora ou outra perdem a linha e passam então a digitar trinta palavrões por minuto, como se achassem que as letrinhas que elas estão mandando pra alguém do outro lado da linha têm o poder de realmente deixar aquela pessoa chateada. Como não dá pra enfiar a mão pelo monitor e extrair alguns dentes do fulaninho à base de sopapos, só sobra agredir verbalmente.

Mas isso é muito lugar comum. Qualquer pessoa pode chegar e mandar palavrões pro seu interlocutor, isso é amador demais.

Malandragem boa mesmo é o uso de argumentos-chavões, aqueles coringas das discussões que são puxados da manga sempre que o debatedor é esperto o bastante pra notar que não tem mais o que falar, mas burro o bastante pra continuar falando.

E estas são:

“…não tenho certeza, mas…”
O trecho acima vem sempre acompanhado de um fato fictício que o debatedor anexará, com muita má fé, no meio do seu argumento. É infalível: ou as pessoas aceitarão a baboseira e não se darão ao trabalho de checar a veracidade, ou pegarão o mentiroso no pulo, mas apenas pra receber a respostinha cara de pau “por isso que eu disse que não tinha certeza!“. Admitindo desde o começo que não tinha certeza (quando na verdade ele estava claramente inventando um dado), o cara se torna imune às invetigações. Ao notar essa sacada no meio de uma discussão, cuidado: você está lidando com um enrolão profissional.

“…não foi com essas palavras, mas ele quis dizer que…”
O sujeito primeiro fala isso, e depois cita algo que um Fulano teria supostamente dito. Neste caso, pode ter certeza que o tal Fulano quis dizer qualquer coisa, exceto o que foi atribuído a ele. Caso o tal Fulano apareça subitamente no meio da discussão para confrontar o indivíduo negando a citação, um enrolão com anos de experiência não perderá o ritmo: ele baterá o pé, reafirmará a alegação e ainda arrematará com um “não seja cínico, você falou sim“. Pronto, mais um engodo bem sucedido. Nem mesmo screenshots convencerão a platéia do contrário, afinal, vivemos na era Photoshop e as bundas da Playboy não enganam mais ninguém. A credibilidade de Fulano estará permanentemente destruída.

A determinação de alguns espertinhos é tamanha que, por um momento, Fulano achará até que realmente falou o que nunca falou.

“…não foi isso que eu quis dizer…”
Dizem que o sangue de Jesus tem poder. Como nunca adquiri uma amostra para verificar cientificamente, posso afirmar categoricamente sobre alguma outra coisa que tem muito poder: um enrolão negando algo que ele mesmo tenha falado. “Não foi isso que eu quis dizer“, “Não foi bem isso que eu disse” ou a mais letal variação “Não foi exatamente isso que eu falei” mata dois coelhos com uma cajadada só: o sujeito se esquiva da responsabilidade de admitir um vacilo que tenha cometido, e ainda acusa o seu oponente de ser uma mula manca que não consegue compreender a mais simples das frases. Assim como aqueles golpes de judô que meu vizinho sempre tentou me ensinar mas eu nunca entendi, essa frase protege e ao mesmo tempo contra-ataca. Ao ler esse tipo de coisa, não perca seu tempo debatendo. Desligue seu computador e vá dormir.

“…porra, mas você não sabe ler também…”
Essa é uma resposta tão utilizada que, caso seu inventor tivesse registrado a patente, estaria agora milionário. Tome cuidado, no entanto: muitas vezes este argumento é usado de forma válida, pois são comuns os casos em que alguém lê duas ou três palavras de um texto e então manda uma crític
a que em nada representa o que foi falado no tal texto. Um perfeito exemplo é o screenshot alguns parágrafos acima.

Não é o caso quando se trata de gente safada. Você pode copiar EXATAMENTE o que o indivíduo falou, e mostrar que entendeu muito bem o que ele quis dizer – porra, talvez nem haja outra interpretação, mas ele ainda dirá que você está lendo de forma errada.

E qual a forma certa, você deve estar se perguntando?

Qualquer uma que não comprometa a posição do indivíduo na discussão, claro.

Quer saber? Cansei de disso. É perda de tempo debater com gente que acha que “ganha” uma discussão online quem fala mais bobagens por minuto.

A partir de agora, terei apenas duas respostas padrões para esse tipo de indivíduo:

Essa…


…e essa.

Ambas são polivalentes e se encaixam em um grande âmbito de situações. Usem a gosto.

Caso vocês estejam interessados em saber – e eu não consigo imaginar por que não estariam – as fotografias são de Netinho Flamenguista, maranhense e dublê oficial de Satanás. As fotos foram usadas sem autorização alguma, então bem que o moleque podia me processar logo ou algo assim.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)