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Postado em 16 March 2004 Escrito por Izzy Nobre 3 Comentários

Pessoas que merecem ter suas bagaças chutadas ou Um post que vai render muito bafafá


Procure “gótico” no Google Imagens e esse garoto feliz aparecerá, como num passe de mágica.


Góticos.

Não há um “grupo” que se apegue mais a um rótulo que os góticos.

Na verdade há, mas pra promover ainda mais o ódio dos leitores que curtem esse negócio de morbidez, vou dizer que não.

Pra começo de conversa, o que é ser gótico? Pergunte isso para seu amiguinha metida a vampira (sim, porque geralmente góticos são mulheres, e eles acham que vampiros existem memso). Depois pergunte para alguma outra. E depois para algum outra. Alguma definição bateu? Duvido muito.

Góticos são pessoas que precisam desesperadamente de uma identidade ideológica; ainda que essa “ideologia” – por assim dizer – seja exclusivamente baseada em estética e não tenha qualquer influência na maneira como essa pessoa vive sua vida.

O canal #goticos, da brasnet, trás o seguinte tópico:

Bem vindos ao mundo dos góticos, sombrio e languidamente romântico. Uma eterna busca, guiada pela noite e seus mistérios..


O que, em nome de toda a criação, significa “languidamente romântico”? “Uma eterna busca?” O que eles estão buscando?! Um significado para a expressão “gótico”, eu imagino.

Já o tópico do #gothic diz:

Você está no #gothic – O canal tem por objetivo difundir a cultura gótica … Mensagens de MP3 = BAN Inconveniências com os demais usuários = BAN ironias ao goticismo = BAN


Engraçado, estive no canal durante meia hora fazendo perguntas, e não obtive resposta alguma. Bela maneira de difundir a cultura gótica. Em contrapartida, bastou digitar algo inocente como “todos os góticos merecem uma morte dolorosa e lenta”, e fui banido. Ué, eles não gostam de morte e sofrimento?

Banindo qualquer um que se atreva a criticar o goticismo, eles provam que não suportam críticas sobre seu “modo de vida”. Qual a finalidade do debate, se você se coloca num ponto intocável?!

Ok, querem mais exemplo? Vamos lá.

Quando eu morava em São Luís, eu tinha um amigo, o Humberto. O cara era gente fina. Ele tinha uma namorada: Michelli, a gótica. Eu até ia com a cara dela, porque quando fomos apresentados ela não agia como uma puta beligerante. Até aí tudo beleza.

Num belo dia de domingo, eu estava no IRC e o Humberto apareceu online no canal onde geralmente a turma se reunia pra reclamar da vida e fazer planos pro fim de semana. Na época esse negócio de diarinho virtual tava na moda, então Humberto anunciou aos amigos que sua namorada em breve estaria postando em seu blógue um texto sobre sua vida gótica.

Ênfase para a expressão “sua vida gótica”.

Meu detector de babaquice disparou imediatamente. Vida gótica!? Será que eu sou o único que percebi que havia alguém ali tentando se fazer passar por algo que obviamente não é? Uma dessas não pode – aliás, não deve – passar em branco. Ainda na diplomacia (afinal, a idiota era namorada de um de meus melhores amigos), alfinetei, de leve:

– Vida gótica? Porra, ela tem uma vida como outra qualquer, ué.

Antes que eu pudesse melhorar o argumento – e deixar óbvio que eu estava apenas tentando trazer a tal gótica a um debate sobre a suposta “vida gótica”, Humberto dispara:

– Seu idiota, ela está aqui do meu lado lendo isso!

Fui repreendido como se houvesse xingado a menina de algo totalmente exdrúxulo, como por exemplo, digamos, “égua-lambe-selos”.

Tentei reestruturar minha proposta, mas já era tarde. Eu pisei no calo da menina, que por coincidência é um mal que ela divide com todos os pseudo-ideológicos pelo mundo afora: sua não-muito-firme convicção. Não dava mais pra tentar estabelecer diálogo. A menina ligou o modo ultra-bitch, e começou a me agredir cada vez mais.

– Bem que eu não tinha ido mesmo com a sua cara. Você não passa de um babaca, blá blá blá…

Então ela realmente merecia um chute em toda a sua bagaça.

Só nos primeiros golpes, já tive uma pequena amostra da personalidade (ou falta de) da tal Mixeli: ela era uma lambisgóia dissimulada, na falta de um termo mais pejorativo. Suas linhas seguintes vieram recheadas de xingamentos, mais revelações da real opinião que ela tinha a meu respeito, agressões contra minha namorada da época… isso só pra citar as mais corteses.

Toda essa explosão simplesmente porque eu coloquei em xeque a sua “ideologia”, ou, parafraseando a própria Mixeli, “seu modo de vida”. A reação dela, por si só, já prova toda a premissa desse post: pessoas que adotam ideologias dúbias o fazem simplesmente porque não têm personalidade própria. Que perdem toda a compostura se alguém põe em dúvida suas crenças.

Pra dar um exemplo simples, cito uma experiência pessoal. Desde os dez anos de idade, aproximadamente, eu falo inglês. Claro que os matutos com quem eu estudava achavam isso uma grande proeza, e portanto não acreditavam em mim. Eu simplesmente mandava um “vá se foder” em inglês e pronto, fim de papo. Eu provei a eles que eu não apenas dizia que sabia falar inglês, eu SABIA FALAR INGLÊS.

Se a menina ERA uma gótica, porque se revoltar tanto quando eu a contradisse? Ela simplesmente provou o que eu já pensava: ela não era gótica porríssima nenhuma, e apenas usava esse “alcunha”, por assim dizer, porque é cômodo adotar uma personalidade quando você não tem nenhuma. E Deus proteja aqueles que descobrirem seu segredo!

Retornando a pergunta, o que é ser gótico? Pelo pouco que sei da tal subcultura, góticos eram uns poetas viados que não gostavam de nada na suas vidas, portanto sentiam uma atração pela morte e tal. Pessoas realmente perturbadas, que viviam vidas miseráveis, daí a atração que o “outro lado” despertava em suas pobres mentes distorcidas.

Agora voltemos à tal Mixeli. Uma menina de classe média alta, que cursava terceiro ano científico, que tinha um namorado, que assistia TV a cabo, que ia ao shopping nos fins de semana… Sou só eu, ou qualquer outra pessoa pode perceber que essa menina vive uma vida como qualquer outra menina no mundo? Ah, claro, ela usava maquiagem para parecer mais clara, usava batons escuros e vestia roupas que pareciam figurino de uma peça teatral do século XVII.

Em outras palavras, sua “ideologia” não ia mais longe do que a forma que a menina se vestia.

Resumindo, todo o movimento que ela defendia com unhas e dentes não se basea em nada mais que estética.

Góticos me dão vontade de vomitar.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

3 Comentários \o/

  1. Edy says:

    Cara… dahora!!! Eu era o dono do canal #Gotico nessa epoca.
    Ate acredito q eu mesmo te bani!!!
    E na boa mesmo, ser gotico ow nao, foda-se.
    Bani vc apenas pq tava afim de banir alguem akela hora.
    E do goticismo oq me atrai sao: Arquitetura e a parte poetica.
    Sou feliz e nao penso em apenas MORRER.
    🙂
    Adorei seu SITE. Obrigado por me proporcionar varios momentos de diversao.
    🙂
    Continue assim!!!

  2. camilo says:

    agora entendi tudo ….a mina não era gótica ela era Emo !

  3. Issue says:

    detector de babaquice < eu ri.
    é
    ela era emo