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Postado em 14 October 2005 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Poucas vezes na vida temos a sorte de nos envolver em uma complicadíssima teia burocrática, mas a experiência deixa lembranças pro resto da vida.

Apresento o meu drama.

Meu passaporte expirará em julho do ano que vem. Para tirar um novo, será necessário mostrar meu comprovante de alistamento ou certificado de reservista.

Como uma mísera linha de texto pode comportar uma complicação que se extenderia por muitas páginas? Vou tentar resumir a confusão, dando ênfase aos pontos principais.

Ato 1:

Quando eu morava no Brasil, me alistei – atrasado, um ano após ter completado 18 e pagando multa – mas não cheguei a me apresentar por motivos de saúde. No fim do mesmo ano, me mudei pro Canadá. Ou seja, não tive como resolver o problema, nem tenho o certificado de reservista, e (teoricamente) não posso me alistar de novo. Isso porque normalmente um brasileiro morando no exterior pode se alistar através do consulado, mas isso se nunca tiver se alistado antes.

Fecham as cortinas, interlúdio.

Ato 2:

Resolvi adotar o método científico de investigação para arrumar informações sobre meu problema. Ou seja, fiz perguntas no orkut.

Encontrei algumas pessoas que estavam na mesma condição que eu. Fui informado que não há nenhum registro que eu me alistei no exército, porque este só é efetuado após a apresentação. Assim sendo, é limpeza me alistar por uma segunda vez, afinal eles não têm como descobrir mesmo.

Ok então. Liguei pra uns advogados brasileiros de imigração aqui só pra garantir, e eles disseram que o consulado é uma bagunça do caralho, e que a melhor opção era realmente me alistar novamente. A alternativa seria voltar pro Brasil no período de alistamento, o que é financeiramente inviável.

Então, decidido. Vou me alistar de novo pelo consulado e cruzar os dedos. Cadê a documentação necessária? Carteira de identidade, passaporte, original da certidão de nascimento…

Pára tudo. Perdi a porra da minha certidão de nascimento.

Fecham as cortinas, interlúdio.

Ato 3:

Poisé, não acho minha certidão nem com macumba braba. Já tentei. Me pintei todo de preto, acendi velas aromáticas, matei duas galinhas, pendurei uma no PC e outra no ventilador do teto. Ao contrário do prometido, minha certidão não se materializou na minha frente. Eu devia ter desconfiado da credibilidade de uma macumbinha passada via scrapbook, mas em retrospecto teria sido melhor pensar nisso ANTES de matar as galinhas.

Segundo me informei, precisarei de uma procuração para nomear um amigo meu lá no Ceará a ir no cartório onde fui registrado para tirar minha segunda via. Mas, antes, preciso entrar em contato com o consulado para que eles me digam exatamente o que eu preciso fazer.

Fecham as cortinas, interlúdio. Essa parte será mais longa, portanto vá logo ao banheiro logo.

Ato 4:

Seja lá quem projetou o sistema de mensagens do consulado brasileiro em Toronto deve ter feito isso com a intenção de tornar cada funcionário daquela porra o mais inacessível possível. É mais fácil contatar um náufrago escrevendo bilhetes, amarrando em pedras e jogando no mar, do que falar com alguém nesse consulado.

O negócio é o seguinte: acessando a página do consulado, percebi meio consternado qu todos os setores atendem pelo mesmo número. Ao ligar pra lá, descubro que se trata de um serviço automatizado (leia-se VAGABUNDO) de distribuição de ramais. A voz automática fala algumas bobagens sobre os horários de atendimento e os diversos setores, e em seguida as vozes dos funcionários responsáveis por cada setor se apresentam, um por um. Depois de cada apresentação, a voz automática retorna e pergunta “É essa a pessoa que você está tentando contatar? Caso sim, digite o número que ela informou“.

Acontece que os imbecis que gravaram suas mensagens de apresentação NÃO FALAM O NÚMERO DE SEUS RAMAIS. Sem entender nada, desligo e ligo novamente. Veio a confirmação: de todos os seus setores do consulado, apenas UMA pessoa teve a decência de dizer “…, meu ramal é XXX”. O resto deve ter imaginado que a seleção de ramais era automática e não disse nada além do próprio nome.

Liguei para a única pessoa que deixou o ramal e, SURPRESA!, ela não atende. Estive ligando desde a hora em que o consulado abriu (duas horas atrás), e até agora nada.

Fim. Fecham as cortinas.

Sem alistamento, sem certidão, sem procuração, sem conseguir falar com a galera do consulado, sem a menor idéia do que fazer. Seja lá qual for o plano, preciso ter tudo isso resolvido até no máximo em julho. Senão, a confusão aumenta exponencialmente.

E agora estou aqui, digitando isso pra postar no blog na esperança que ao menos um entre as centenas de leitores tenha alguma idéia do que este blogueiro fodidíssimo deva fazer.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)