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Postado em 19 October 2005 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Nunca fui de levar muitos foras. Não que isso signifique que eu sou um fenomenal comedor: é que simplesmente eu não tentava muito.

Não tem nada a ver com baixa auto-estima por questões estéticas. Já vi muita gente dizendo que não tenta se aproximar do sexo oposto porque “é feio“. Isso é burrice. Mulheres gostosas são predispostas a dar para caras feios e desdentados; isso é um fato comprovado cientificamente. Quantas vezes você já viu no shopping um casal formado por uma mulher fenomenal, de braço dado com um cara que parece um experimento científico que deu totalmente errado, um saco de bosta que pegou fogo e foi apagado com marteladas? Muitas vezes, eu aposto. Se eu ganhasse um centavo para cada vez que vi um cara horroroso pegando uma mulher capa-de-revista, poderia pagar uma cirurgia plástica para vários deles.

A questão é pura timidez. Apesar de gostar de me expressar, essa habilidade é completamente anulada quando estou na presença de um par de seios. É um assombro que eu tenha conseguido arrumar uma namorada, e ainda por cima não me comunicando na minha língua natal.

Mas então, sobre foras. Na minha vida inteira, só dei dois foras, simplesmente porque não consigo dizer “não“. Por mais impegável que fosse a garota, ela pode ter certeza que estaria se agarrando comigo no sofá mais próximo por causa da minha falta de capacidade de negar um beijo. Dizer um não era algo muito constrangedor.

Até o dia que fiquei – por pena – com uma garota tão terrível, que minha política sobre “nãos” mudou. Descobri que dar um fora não é tão constrangedor, e talvez seja mais aceitável, caso a garota tenha um bigode maior que o seu, ou que tenha um mau hálito que derreteria barras de cadeia. Ou que tenha ambos, como a tal menina sebosa que eu peguei numa festa. Talvez o mais correto fosse dizer que ela me pegou.

Mas uma vez eu peguei um fora muito escroto. É irônico como essas piores coisas acontecem justamente com aqueles que evitam faze-las. Esse negócio de carma é uma furada.

Estava eu com uma patotinha num shopping lá em São Luís. Apareceu do nada uma garota; era bastante bonitinha. Não linda, é um exagero – digamos que ela marcava um 7 na minha escala, o que se traduz em “Essa aí eu até apresentava pra mamãe“. A bem da ocasião, eu tinha a tiracolo um cara que era primo do vizinho de um conhecido da tal menina. Acionei o colega para que este chamasse a tal garota para o meio da turma, o que facilitaria a entrada da minha língua em sua boca, ou em algum outro local de sua preferência. Talvez, com alguma sorte, até afastaria suas pernas uma da outra. Sonhar não custa nada.

Porra, Kid” falou o amigo “Você não quer conhecer essa menina, confie em mim. Ela é mó enjoadinha, uma patricinha do caralho

Amiguinho” respondi, com espiritualidade “Ela pode ser enjoada como suco de manga e uma patricinha do órgão genital que lhe aprouver, não me importo. Não quero me casar com ela, você sabe. Chame logo essa vadia pra cá

O cara chamou. Apresentação, beijinho de um lado e do outro. Deu pra perceber NITIDAMENTE que o cara tava certo: a menina tinha uma cara de enjoada que os quilos de maquiagem não conseguiam disfarçar.

Não houve diálogo. A menina se virou para o amigo e, com uma sutileza que me impressionou, falou:

– Porra, Flávio. Olha pra quem você me apresenta. Me poupe.

Uma facada no olho teria sido menos chocante. Meu, o que custava a mulé deixar pra me avacalhar quando eu estivesse longe? Pisou no orgulho com força. Voltei pra casa literalmente cabisbaixo, chutando latinha na rua e relembrando a expressão no rosto da menina.

Moral da história: pena é o caralho. Da próxima vez que uma menina feia vier pedir pra ficar com você, meta uma faca no olho dela. Elas fazem isso com você.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)