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Postado em 19 October 2005 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários


Referendo, referendo, referendo, referendo… mas puta que o pariu. Não dá pra entrar no orkut, ou num fórum, ou num blog e não encontrar ao menos meia dúzia de indivíduos vociferando em Caps Lock a respeito de suas opiniões anti/pró armas.

Inevitavelmente, recebi uma porrada de pedidos pra ilustrar minhas opiniões à respeito do plebiscito que decidirá se o comércio de armas pode ser proibido ou não.

Sim, o COMÉRCIO, seus grandíssimos imbecis. O governo não está literalmente tirando o seu direito de ter uma arma, porque afinal de contas a) você não precisará entregar a que já tem, e b) se ainda quer ter uma, compre antes do resultado da votação. Eu, que nem moro no país e sequer acompanho as notícias a respeito disso, consigo entender a sutil, mas existente diferença entre “proibir o uso” e “proibir a compra”. Vale lembrar que, teoricamente, o uso já tá proibido desde 1994, se não me engano. Porte de armas (ou seja, sair com um cano por aí) é apenas para policiais, militares e agentes de segurança.

Aí que a gente percebe que neguim gosta mesmo é de fazer estardalhaço. A grande maioria dos sujeitinhos montando frente anarquista contra a medida do governo nunca viu uma arma, nunca teve uma arma, nem nunca teve a intenção ou dinheiro pra comprar uma, mas aderiu à confusão como se estivesse realmente lutando por um direito. Direito? Que direito? A maioria desse pessoal que tá armando confusão internet afora não tem nem idade pra assistir filmes em que apareçam armas!

Ah, vá se foder. Se o governo canadense proibisse a venda de Ferraris – ou de qualquer coisa que eu nem posso nem me interesso em comprar, e cuja propriedade não me faria diferença porque já há uma lei que me proíbe usa-las por aí -, eu não ia escrever um email de quatro parágrafos e em seguida jogaria no orkut tentando provar a todos que isso reduz meus direitos como cidadão.

E o argumento de que o “desarmamento” é o primeiro passo pro estabelecimento de uma ditadura? Claro, né, porque o cenário político atual é exatamente o mesmo da Alemanhã pré-Segunda Guerra, ou da Rússia soviética! Faça-me o favor. Esse pseudo-argumento, também conhecido como “falácia non causa pro causa” (Google aí pra vocês) ou “burrice”, é a prova cabal de que esse pessoal não entende nem os motivos a respeito do que está defendendo.

Sem contar naquela comparação infeliz de que “mas carro/faca/taco de baseball/qualquer outro objeto levemente pesado ou afiado também mata gente, vamos proibi-los também, duh! Será mesmo que ese povinho não entende a diferença entre um objeto que PODE ocasionar morte se utilizado de forma diferente do que é natural, e um que é projetado e construído com essa única intenção? Eles realmente acham que dá no mesmo, ou estão sendo pagos para fazerem papel de idiotas?

O outro lado, o pessoal do SIM é ainda mais chato. Alimentados pela propaganda populista da Globo, neguim vai apoiar a proibição porque acha que com isso, as mortes por armas de fogo no Brasil acabarão de um dia pro outro – isso quando não estiverem votando no sim porque o ator da novela falou que essa é a melhor opção. Drogas são proibidas e nem por isso se usa menos. Pensem nisso antes de me chamar de facínora desumano só porque não vejo a longo prazo essa mesma solução que vocês tão vendo.

Depois da proibição, você vai continuar sem ter uma arma. Que “direito” você está perdendo? Acordem.
Depois da proibição, neguim vai continuar tomando tiro na cara por motivos desnecessários. Ou vocês acham que bandido compra arma em loja? Acordem vocês também.

Calem a boca ambos os lados. Acho engraçadíssimo que brasileiro só elege picareta desde foi dado o direito de voto, mas de repente todo mundo acha que entende de política. Todo mundo acha que entende de consequências socio-culturais a longo prazo.

Minha opinião? Dêem uma arma pra cada brasileiro, e deixem o problema se resolver sozinho por meio de seleção natural. Já que o cerne da questão parece ser o fato que “civil não tá preparado pra se defender usando arma mesmo, quer arma pra quê?“, depois da minha sugestão em menos de dois meses só sobrariam os civis que SABEM usar.

Darwin não pode estar errado.

Mas, falando sério mesmo? Foda-se o Sim da Globo e foda-se o Não dos estudantes de filosofia metidos a anarquistas. De qualquer jeito, todo mundo sabe que o Brasil não vai sair do buraco nunca mesmo.

PS.: Ao contrário do que vocês imaginam, eu também tenho que votar no referendo. Isso acontece porque nosso país obriga seus habitantes a cumprir todas as obrigações cívicas ainda que não tenhamos jamais a intenção de voltar a morar no Brasil. Assim como todos os imigrantes, continuo sendo obrigado a votar (em referendo, em eleição normal e o escambau), a justificar a ausência da votação caso esta ocorra, me alistar, etc etc.

Vá tomar no cu, ein.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)