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Postado em 27 October 2005 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Ahhhhhhhhhhh, o show do Slipknot… Foda, foda, e foda. Com algumas inevitáveis pitadas de situações engraçadas, só pra ficar melhor ainda no post.

O Air Canada Centre abriria às sete, mas já estávamos escolados com os últimos shows em que fomos e preferimos chegar lá com ao menos uma hora de antecedência.

Não surpreendentemente, a fila dava uma volta no quarteirão. Aproximamos-nos dos últimos colocados e estes foram imediatamente promovidos para penúltimos. Em poucos segundos, o que era uma massa de desconhecidos parecia ser composta de amigos de longa data. Todo mundo conversando, rindo, vaticinando suas profecias à respeito do show (“vão tocar isso, mas não vão tocar aquilo. Você vai ver só”).

Depois de ter passado meia hora do lado de fora num frio de petrificar os mamilos, uma prestativa funcionária do lugar nos informa que nossos ingressos davam o direito de esperar pela abertura dos portões do lado de dentro do Air Canada Centre. Demos adeus à plebe e corremos em direção ao nosso lugar de direito.

Assim que adentramos o recinto, Trunks viu um maluco ao longe e disse “Olha ali, eu vi aquele cara na MuchMusic!” (o equivalente canadense da MTV). Não vi o indivíduo, então imaginei que ele estava se referindo a um VJ ou coisa que o valha. A patroa do meu lado berrou “Chriiiiiiiis!!!111one” diretamente dentro do meu canal auricular, abriu os braços e saiu correndo em direção do moleque.

No fim das contas, descobri que o rapaz era um amigo do colégio que tinha chegado beeem cedo, tipo cinco horas antes dos portões exteriores abrirem. Ele era um dos poucos que já estavam lá na hora que a cambada da televisão chegou pra entrevistar os fãs, e acabou sendo entrevistado.

O que ele não esperava, no entanto, é que a VJ pedisse pra ele tirar o macacão que ele tinha feito justamente pra ocasião e LEVASSE A PARADA PRO BACKSTAGE PRA SER AUTOGRAFADA PELA BANDA. Não havia nada afiado no meu bolso, então não pude matar o indivíduo por pura inveja ali mesmo.

Em pouco tempo os portões abriram e aconteceu o que justifica a falta de fotos neste posts: os seguranças estavam tomando as câmeras da galera, grudando uma etiqueta numerada e entregando um recibo pros respectivos donos buscarem seus itens na saída. O porquê desta incrível viadagem não foi explicado.

A namorada se desfez também de uma correntinha que pendia do bolso traseiro e, após praguejar um pouco, entramos no estádio.

Pros 98% de vocês que não sabem o que é o Air Canada Centre:


O estabelecimento é pro Canadá o que o estádio da Gávea é pro Brasil – a casa do time mais popular do país, os Toronto Maple Leafs. Na entrada, uma imensa faixa anuncia orgulhosamente os anos em que o time ganhou o campeonato nacional. Vale lembrar que a última vez em que os Leafs sagraram-se campeões foi o longíquo anos de 1967. Pra você ter uma idéia de como faz tempo pra caralho, nem tínhamos ido à Lua ainda e Nixon ainda era presidente.

Primeira decepção da noite: os assentos, na fileira 26, eram um pouco mais acima do nível do mar do que gostaríamos. Pus a mão na cabeça e gritei desesperado “Aww fuck, look at this shit! We’re all up in the nosebleeds!”, mas um dos seguranças riu, apontou pras cadeiras da fileira 60 (praticamente encostando nos holofotes do estádio) e disse “No, THAT’S the nosebleeds

(Nosebleed é uma expressão inglesa que ironiza a qualidade de um assento, insinuando que o mesmo é tão alto que a falta de oxigênio faz seu nariz sangrar)

Resignamos-nos ao nossos assentos (que depois da comparação do segurança, não pareceram tão ruins assim) e em pouco tempo o Unearth, a primeira banda irrelevante que faria a abertura do show, começou a se apresentar. A platéia reagiu moderadamente durante os 30 minutos que a banda levou pra passar seu repertório.

Foi nessa hora que o primeiro indivíduo acendeu seu baseado. Seguindo-o como robôs, as outras trezentas milhões de pessoas no estádio puxaram seus isqueiros e acenderam simultaneamente o seu próprio cigarrinho ou cachimbo (fumar maconha em cachimbo é mais chique). Dava pra achar uma moeda no chão, se eu conseguisse ver o chão através da espessa fumaça branca.

Após ter tragado uns quatro ou cinco baseados indiretamente, Unearth deu tchau pra platéia e tirou seus instrumentos do palco. As I Lay Dying, a segunda banda irrelevante, entrou uns quinze minutos depois. Pela primeira vez eu parei de olhar pro palco e vi a confusão da galera lá no chão.

Por uma diferença de poucos dias, perdemos a oportunidade de comprar ingressos no chão. A diferença? Não tem mosh pit (ou rodinha punk) nas cadeiras 🙁 🙁 🙁

Nas palavras do Humberto, rodinha punk “É o único local que você pode bater em qualquer pessoa, cair de tapa, dar pontapés, pegar em bundas femininas e ainda sair sorrindo como se nada tivesse acontecido!

E dessa vez, ao contrário dos outros shows onde eu fui um membro ativo da pancadaria, eu teria que ver tudo por cima.

Meia hora depois, os membros da segunda banda irrelevante removeram suas irrelevantes bundas do palco. Os roadies do Slipknot caíram matando feito urubu em carniça, e uma cortina branca foi baixada, sem dúvida pra que não descobrissemos o encantamento mágico que produz a bateria do Joey.

A urina pressionava as paredes da bexiga insistentemente, dando aquela terrível sensação de precisar mijar com urgência. Acontece que eu não queria sair da cadeira de jeito nenhum, pois calculava que jamais conseguiria passar por todo mundo, sair do estádio, voltar ao saguão, achar os banheiros e me aliviar a tempo de voltar pro começo da apresentação. E além do mais, no meu íntimo eu suspeitava que aquela cortina cairia daquela forma dramática que vi nos vídeos de shows do KISS.

Decidi que ainda ia demorar pra organizarem tudo. Num reflexo, pulei da cadeira e corri em direção à saída do estádio. Já no saguão, a sola das minhas botas cantavam feito pneu a cada guinada que eu dava pra não esbarrar com alguém no meio do caminho. O tempo tava contadíssimo, não dava pra me enfiar de cara em alguém sem perder o começo do show. Talvez em outra ocasião.

No banheiro, um desespero: todas as privadas estavam ocupadas, e só havia um mictório disponível: um que estava ladeado por dois outros caras. Não me sentiria a vontade manipulando os próprios genitais tendo dois caras ao meu lado fazendo o mesmo, então resolvi esperá-los…

…até que vi o banheiro designado para deficientes.

Sem nem pensar duas vezes, corri em direção ao cubículo reservado aos aleijados e me aliviei. Me senti um pouco culpado, então para que a lembrança não atormentasse minha consciência, decidi mijar as paredes. Em retrospecto, foi bem pior que o desrespeito contra o símbolo estilizado do homem na cadeira de rodas, então ficou tudo bem.

Voltei em disparada, sentindo as últimas gotas de mijo molharem as pernas (por algum motivo, não usei cuecas naquele dia) e sentei-me de volta em minha cadeira.

Como se estivessem esperando por mim, as luzes do estádio se apagaram. Dois segundos depois, como previsto, a cortina branca caiu e as luzes do palco se acenderam. Começa o show.

Alguns vão estranhar que boa parte do post é apenas contando o que aconteceu antes da apresentação da banda. Acontece que, como muitos de vocês já devem ter percebido, a experiência de assistir sua banda favorita ao vivo (pela segunda vez) é praticamente impossível de descrever sem fazer comparações pornográficas. Se você já viu sua banda favorita num palco, você sabe o que eu senti. Com a diferença que no seu caso provavelmente não houve um solo de bateria suspensa três me
tros no ar e rodando com o baterista na horizontal, então eu acho que saí ganhando e que você fede.

As únicas decepções do show foi a ausência do James, que quebrou a mão num acidente de moto, e o fato de que a banda não tocou Vermilion. Tenho motivos sentimentais pra gostar daquela música, snif.

E eu serei o primeiro a admitir. Muitos falam que metade do Slipknot está ali pra constar, e nada como um show ao vivo pra fazer você perceber isso. Deixo a wikipedia falar no meu lugar:

Slipknot is also accused of creating positions within the band for the sole purpose of increasing the total number of members; for example, no other popular bands hold a position for a sampler, even if samples are included in the music. The band and fans claim that they have these extra members to create a unique sound, such as their two extra percussionists to add drum fills. However many critics argue that the extra members add little to the music, especially in a live setting.

E é pura verdade. Quando você vê que há DOIS percussionistas, um DJ e um sampler (pra que diabos se precisa de um sampler com lugar fixo na banda?!), e que no meio do show os supracitados abandonam suas posições pra ficar correndo no meio do palco, se pendurando nos instrumentos suspensos e girando metros acima do chão, plantando bananeira e etc, e que a música continua EXATAMENTE A MESMA – senão melhor – você percebe que o único motivo pelo que eles estão ali é estético.

Mas atire a primeira pedra quem nunca pôs uma gravata.

Resumidamente, o show foi foda. Pra completar, Trunks me pagou dois Big Macs e a namorada me comprou um gorro com o nome da banda bordado na frente. E eu quase perdi o último trem de volta só pra pra voltar correndo à plataforma e pegar um terceiro Big Mac que o irmão havia esquecido no chão, ainda dentro da caixinha e tudo.

Sem emoção não se vive.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)