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Postado em 1 November 2005 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Depois da noite de ontem, me perguntarei eternamente: como fui capaz de viver todos esses anos sem desfrutar do Halloween?

Trunks, a gótica, Jenn (sua amiga e atual semi-namorada do meu irmão) combinamos de nos encontrar do lado de fora do meu prédio, onde nossa carona nos pegaria. Incrivelmente, conseguimos chegamos atrasados na frente do meu próprio prédio. Vou culpar a namorada.

Ela estava fantasiada de algum tipo de fada, e aprendeu que é melhor colocar as asas da fantasia DEPOIS de sair do carro, e não antes. A lição aprendida foi aprendida, mas não antes que ela pudesse ficar entalada entre dois assentos. Por medo de quebrar as asinhas de plumas cor de rosa, a coitada se imobilizou e pediu ajuda. Parei de rir e ajudei a desenganchar a asa.

Pô, nem falei das fantasias. Como vocês já sabem, eu fui de Mario, ladeado pelo Trunks em sua melhor encarnação de Luigi. Queíamos fazer as caixas com interrogação, mas fomos empurrando a responsabilidade com a barriga e acabou não dando tempo. Fica pro ano que vem.

A namorada era algo meio indistinguível; meu melhor palpite é que ela era uma fada cor de rosa (completa com peruca, asas e saia da mesma cor). Jenn era algo ainda menos reconhecível – a única peça de fantasia que ela usava eram asas de plumas pretas. O resto da composição era um longo vestido em estilo gótico, com uma fenda que subia até quase sua barriga e me dava ampla visão de sua meia-calça e de sua calcinha, ambas pretas e de renda. Pensei em alertá-la sobre o problema do vestido, mas pra quê me dar ao trabalho? Melhor ver a bunda dela a noite toda. E assim foi.

E a Mel tava fantasiada de carteiro morto, uma macabra referência à onda de assassinatos cometidos por carteiros nos EUA. A propósito, sacam o jogo Postal? Ele é também outra referência ao fenômeno.

No carro, a namorada contou à mãe da Mel (nossa carona) que este era o nosso primeiro Halloween. A mulé perguntou, horrorizada, se não tínhamos Halloween no Brasil.
Expliquei que, apesar de que nos últimos anos estão tentando trazer essa prática pro país, jamais haveria influência o bastante pra convencer milhares de brasileiros a simplesmente dar doces de graça na porta de casa.

Ao chegarmos na casa da Mel, demos os últimos retoques nas fantasias e nos preparamos pra sair. Eu estava um tanto receoso, achando que a gringaiada não ia querer dar docinhos pro nosso grupo – afinal, todos passávamos da idade da molecada que geralmente vai mendigar doces de porta em porta. Minhas dúvidas foram postas por terra quando vi Mike, o irmão mais velho da Mel, na frente do espelho pondo maquiagem. O cara é um ano mais velho que eu, mas sai pra pegar doces todo ano. “Se dão guloseimas e quitutes pra esse marmanjo, vão dar pra mim também“, decidi confiante. Pus meu boné, apertei as luvas na mão e saímos.

As meninas eram as mais empolgadas. Eu e Trunks seguíamos atrás, pensando “bom, se recusarem o doce, ao menos quem pagará o mico são elas, e não nós.” Medo babaca. Ninguém se recusou a dar nada.

Sei que sou suspeito a falar, mas as nossas fantasias (Mario e Luigi) eram de longe as mais legais que vi. Vários gringos inclusive admitiram isso, e cansei de ouvir a “porra, como não pensamos nisso antes?!”. O lance é que esses moleques sem criatividade sempre saem com as mesmas fantasias – pirata, fantasma, zumbi, piroca… todos saem usando a mesma coisa. Ninguém saiu como personagem de jogo de videogame.

Além disso, Mario e Luigi são de longe figuras facilmente reconhecíveis, independente da faixa etária. Tanto os guris quanto seus pais – que os acompanhavam na mendigagem, por motivos de segurança – sabiam quem éramos. De longe eu ouvia os gritos de “Hey dude, look, it’s fucking Mario! Lmao!!111” Não pude deixar de sentir um orgulho besta.

Até porque foi uma fantasia facílima de fazer. Comprei um macacão, uma camisa vermelha e um boné. Comprei folhas de feltro, a namorada cortou as letras, colou no boné. Completei com dois pares de luvas brancas, roubadas lá do Cullen Gardens, e pronto. Ao todo, gastei menos de 15 dólares.

Foi cansativo, mas bacana. Eu e Trunks trouxemos pra casa duas fronhas de travesseiro (tradicionalmente, usam-se fronhas pra coletar as guloseimas) cheios até a borda com chocolates, chicletes, sacos de batata frita, cartões de visitas – que os oportunistas safadamente infiltram junto com os doces – e até mesmo panfletinhos de evangelização – que os crentes oportunistas safadamente infiltram junto com os doces. Era tanta coisa que pelo fim da noite eu simplesmente não aguentava carregar a carga.

Levando em consideração que eu não gosto de chocolate, prevejo que esse montante durará facilmente uns quatro meses.

Mas isso não foi o melhor da noite.

E isso vocês só saberão amanhã.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)