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Postado em 5 November 2005 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

(O problema não era no Blogger. Postei pelo IE e foi direitinho. Adoro o Opera, mas ultimamente ele tem me decepcionado. )


Quando eu tinha 12 anos e minha mãe falou que nem lembrava mais que o aniversário dela se aproximava, minha mente juvenil não conseguiu acreditar. Como uma pessoa pode se manter indiferente ao seu próprio aniversário? Presentes, bajulação, festinha com presença indefectível dos amiguinhos escolares… é o único dia do ano em que alguém além de membros da sua família parece diposto a mostrar que se importa com você.

12 anos. Parece que faz uma eternidade, puta que pariu. Não acredito que finalmente me tornei um adulto. Os adultos “de verdade” estavam sempre dizendo que um dia a infância acaba, e eu nunca prestava atenção. Parecia que aquele estado de espírito era eterno.

Não era. Assim como a alegria de uma festa de aniversário também não era.


Trunks e eu, 1989

Acho que tem algo a ver com o fato de que, após uma certa idade, VOCÊ MESMO tem que fazer os preparativos do seu aniversário. Você tem que trabalhar pra descolar uma grana extra, você tem que arrumar um lugar pra festa, você tem que enviar os convites, você tem que contratar as stripers, você tem que entreter os convidados…

Nah, trabalho demais. Não é à toa que estou desanimadaço esse ano.

Boa era a época em que mamãe imprimia 50 convites enfeitados com WordArt, distribuia pros pais dos amiguinhos, e acordava cedo no dia 5 pra arrumar a casa e preparar os docinhos. Eu, vestido com roupa nova comprada dois dias antes, sentava na sala – não havia internet pra passar o tempo – e ficava apenas encarando a parede e esperando os convidadinhos, já pretendendo de antemão regular ao máximo o acesso aos brigadeiros e não permitir que ninguém entrasse no meu quarto. Isso porque o quarto era o altar sagrado dos presentes – não sei se é tradição universal, mas lá em casa cada presente recebido era armazenado na minha cama, e eu só poderia abri-los quando todos fossem embora.


Trunks, minha irmã vomitando algo aleatoriamente, eu com meu primeiro par de óculos.

Tenho minhas teorias à respeito dessa regra: talvez seja pra evitar que os moleques mimados se descabelem por desgosto ao ver alguém se entalando de brinquedos novos, enquanto eles sabem que voltarão pra casa pra brincar com os mesmos Playmobils velhos e desbotados.

A outra teoria é que meus pais me obrigavam a misturar todos os presentes e abri-los sem saber quem deu o quê para que eu não automaticamente odiasse o infeliz cujos pai havia sido demitido na semana anterior e que por isso não pôde me presentear com nada além de uma caixa de meias.

Sei lá, só perguntando pra eles agora.


Eu, 1987. Praticamente pornografia infantil.

Bah, a velhice roubou a diversão que eram as festinhas de aniversário. Ter sua própria festinha de aniversário era o mais próximo que nós pivetes tínhamos de ser reis: uma casa lotava-se de gente honrando nosso nascimento, que se enfileiravam pra entregar presentes e que ainda cediam o último copo de guaraná pra você se fosse o caso – o outro moleque, se quisesse, que corresse a cozinha e pedisse outro copo pra minha mãe.

Crescer é um negócio simplesmente deprimente. O que a gente ganha?

Mais preocupações.
Mais responsabilidades.
Mais cobranças.
Menos alegrias.

Esse ano eu tava tão sem saco pra ter uma festa que quase cancelei-a três vezes. A namorada e o irmão me convenceram a manter o evento, mas a falta de empolgação continua a mesma.

E por que diabos pais sempre tiram fotos de seus rebentos pelados?! Aposto que é mania brasileira.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)