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Postado em 10 November 2005 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

[ Update irrelevante ] Vejam só que beleza. Normalmente eu diria que o cara quis apenas difundir o texto, mas perceba que ele não apenas escondeu a URL, como também teve o cuidado de editar safadamente as referências ao meu nome.

E apesar de responder as críticas, quando perguntam se ele é o autor do post, ele faz silêncio.

Alguém que tenha uma conta neste fórum vá lá e revele a safadeza o rapaz, por obséquio?

Ah, e ele também postou o texto aqui.

[ Outro Update ] E aqui também.

Parece que alguém está desesperado em provar pros amiguinhos que é esperto.



Estava eu pululando de site em site nesta maravilhosa rede mundial de computadores quando de repente percebi que acabei parando num site muçulmano. Essa internet me deixa cada dia mais impressionado; não apenas pela variedade de porcaria que as pessoas enfiam nela todo dia, mas pela incrivelmente sensacional forma como você sai de um site pra outro sem que o primeiro tenha a menor conexão com o segundo. Tava eu aqui baixando uns joguinhos antigos da LucasArts (The Dig, Full Throttle, Day of the Tentacle e outras maravilhas de infância) e em menos de quatro cliques fui parar nesse Islami Way.

Pra começo de conversa, me surpreendeu muito que muçulmanos sejam autorizados a usar um computador, que dirá então ler alguma coisa além do Corão e aprender um pouco de HTML pra colocar no ar esse site aí. Segundo meus parcos conhecimentos a respeito da religião, os caras tem regras estritas de conduta, como por exemplo:

A obrigação de rezar cinco vezes por dia voltado em direção à Meca (capital mundial da religião);
A restrição a alimentos derivados de carne de porco;
Ao menos uma vez na vida amarrar alguns quilos de dinamite na cintura e explodir um mercado israelense;
Entre outras que não lembro, mas provavelmente envolvem restrições sexuais, ou restrições sexuais com porcos.

Como eu não estava fazendo nada mesmo®, resolvi ler um pouco do site dos caras. Pra entender melhor, e tal. Percebi que atacar apenas o cristianismo não tem mais graça, e não tem uma forma melhor de arrumar munição contra uma religião que aprender mais sobre ela mesma e seus seguidores.

E vou te contar, com tanta maluquice e hipocrisia envolvendo a religião com mais adeptos inflamáveis do mundo, sinto-me quase constrangido de ter aloprado com o cristianismo por todo esse tempo.

A primeira imagem que vêm à cabeça do populacho ao imaginar um muçulmano é um árabe brandindo uma AK em direção aos céus, berrando “Allah Akbar” (que significa “Deus é o Maior”, ou “Olhem pra mim, olhem pra mim, eu tenho um fuzil”), e pelo que li no site, seus idealizadores têm plena consciência do estigma. Portanto, boa parte do site se dedica a desmistificar a LENDA criada pela MÍDIA OCIDENTAL de que muçulmanos às vezes se tornam terroristas e explodem algumas pessoas.

Uma parte do FAQ deles se propõe a pôr as dúvidas abaixo:

19. Does Islam promote violence and terrorism?

No. Islam is religion of peace and submission and stresses on the sanctity of human life. (…) Islam condemns all the violence which happened in the Crusades, in Spain, in WW II, or by acts of people like the Rev. Jim Jones, David Koresh, Dr. Baruch Goldstein, or the atrocities committed in Bosnia by the Christian Serbs. (blá blá blá) However, sometimes violence is a human response of oppressed people as it happens in Palestine. Although this is wrong, they think of this as a way to get attention. There is a lot of terrorism and violence in areas where there is no Muslim presence. For example, in Ireland, South Africa, Latin America, and Sri Lanka. Sometimes the violence is due to a struggle between those who have with those who do not have, or between those who are oppressed with those who are oppressors. We need to find out why people become terrorists. Unfortunately, the Palestinians who are doing violence are called terrorists, but not the armed Israeli settlers when they do the same sometimes even against their own people. (mais blá blá blá) As it turned out to be in the Oklahoma City bombing, sometime Muslims are prematurely blamed even if the terrorism is committed by non-Muslims. Sometimes those who want Peace and those who oppose Peace can be of the same religion.

Tomei a liberdade de negritar as áreas de relevância pra poder tecer alguns comentários. Friso agora que isso veio de um site escrito por adeptos da própria religião, ou seja, não é a opinião de terceiros ou de gente que não sabe nada sobre a crença dos caras.

O parágrafo começa de forma promissora. “O Islã é uma religião de paz e despreza a violência”. Ok, beleza, eu estava enganado então. A CNN está mentindo pro mundo quando diz que um terrorista islâmico se dirigiu a um cinema em Israel e cagou em cima do carro de um judeu. Allah Akbar.

Mas aí o parágrafo continua, e o autor do FAQ especifica que o Islã condena a violência das Cruzadas, a violência da Inquisição Espanhola, a violência na Segunda Guerra… mas nenhuma palavra sobre a violência cometida por terroristas que dividem a mesma fé que ele. Intencional ou não, a impressão final é que eles criticam a violência que acontece FORA dos seus próprios motivos religiosos. Ou seja, na melhor das hipóteses, o autor do texto é conivente com terrorismo.

Isso se torna ainda mais evidente no segundo trecho negritado, que é uma espécie de “mão na cabeça” dos terroristas, uma justificativa besta. A segunda frase negritada soa como um “Ah, mas às vezes é o único jeito, né ^^”. Convenhamos, se o autor desse texto queria desfazer o mito do Islã violento, ou de ao menos CONIVENTE à violência, ele está falhando miseravelmente.

A terceira frase negrita é uma extensão da primeira. O autor continua citando vários lugares não-muçulmanos onde violência acontece, como se a mensagem fosse “Tá vendo? Não somos a causa da violência, afinal, essas putarias acontecem em todo lugar”. Isso é, com muita boa vontade, um argumento imbecil de má fé. Apontar outras causas de um problema não isenta a sua responsabilidade. No máximo, prova que você está tão sem argumentos que precisa desviar o foco do debate.

O pior é que eu comecei a ler esse texto sinceramente esperando ler algum bom argumento, de mente aberta pro “outro lado” da história. Lentamente percebo que a CNN não é tão mentirosa assim.

A quarta frase chuta o pau da barraca e manda as indiretas pra puta que pariu. O autor mostra de forma clara um certo sentimento de despeito em relação aos judeus, insinuando que o que os judeus fazem é violência, mas o que os palestinos fazem não é (ou é menos grave)

Ora, por favor, vá tomar no meio do seu cu árabe. O cara quer comparar o exército de um país – que está lá pra defender seus habitantes inocentes -, com as ações COVARDES de um bando de malucos que se amarra em dinamite e de vez em quando manda uns vinte israelenses pro beleléu?!

Novamente, o autor do texto não disse em momento nenhum que considera as ações terroristas dos palestinos algo errado. Essa é uma impressão constante toda vez que o texto se refere ao terrorismo islâmico.

O quinto parágrafo, a menção ao atentado de Oklahoma, é o curinga dos muçulmanos. Em vários sites diferentes, sempre que confronta
dos com a questão do terrorismo, os caras são rápidos em apontar o caso Oklahoma, onde Tim McVeigh (um ex-soldado americano) explodiu um prédio do governo. A mídia americana rapidamente supôs se tratar de mais um caso de extremismo religioso, o que provou-se errado.

Puta que pariu, dá licença. As pessoas não têm tempo de traçar gráficos com estatísticas e previsões e números exatos e amostras de grupo e porras do tipo. Eu, você e todo o resto do mundo julga qualquer coisa pela regra, e não pela exceção. E sinto muito, a regra é que terroristas ISLÂMICOS costumam explodir coisas. Não é culpa nossa, porra. Vocês VIVEM fazendo isso, é claro que se tornarão os suspeitos principais.

Um único americano maluco não vai mudar isso. Talvez se quatrocentos americanos se explodissem por ano, parariamos de associar terrorismo com Islã.

Mas até lá, vocês vão ter que suportar o estigma.

E não pára por aí, não.

Does Islam oppress women?

No. (…) Women are equal to men in all acts of piety (Quran 33:32).

Ah, deve ser por isso que tanto homens como mulheres são obrigados a se cobrir da cabeça aos pés com um véu. Deve ser por isso que um homem pego numa sala sozinho com uma mulher que não seja sua esposa deve ser apedrejado. Deve ser por isso que uma mulher pode ter até quatro maridos, né?

O pior de tudo é quando isso acontece: os caras citam uma passagem irrelevante do livro sagrado deles pra ofuscar as imagens que todos nós já conhecemos. Como se o que está escrito fizesse alguma diferença no que acontece de verdade.

Mas o melhor do texto está por vir:

Female Genital Mutilations has nothing to do with Islam. It is a pre Islamic African Custom, practiced by non Muslims including coptic Christians as well.

O que eles evitam mencionar, entretanto, é que apesar de ser um costume anterior ao Islã, ele continua sendo praticado sob o véu de prática tradicional/religiosa pelos próprios muçulmanos que o autor visa defender. É como se eu defendesse meus hábitos canibais justificando que o canibalismo já existia no bairro pra onde eu me mudei, então embora eu pratique ativamente e não pareça de forma alguma me opôr à prática, não é culpa minha.

Interessante como as pessoas fracassam maravilhosamente em algumas tentativas de se comunicar. O FAQ visa destruir a “mentira ocidental” de que a caras justificam violência por meio de sua religião, e as opiniões dele apenas confirmaram essa impressão.

Outro detalhe curioso é a menção da “Espada do Islã”. A expressão se refere à campanha islâmica de conversão mundial, que aconteceu por volta do século 7.

Mas deixa eu explicar do começo. Maomé era um maluco que morava ali pras bandas do Oriente Médio – numa cidade chamada Meca – uns seiscentos anos depois que Cristo nasceu. Assim como este outro, Maomé acordou um dia e decidiu que era um enviado de Deus para os homens, e resolveu criar uma nova religião. Tal qual Jesus, Maomé também se auto-proclamou o último elo de Deus para com a sua criação.

Mas aí terei que tirar o chapéu pra Jesus, porque o cara aparentemente tinha uns truques de mágica na manga e conseguiu convencer uma porrada de gente a segui-lo. Já Maomé, coitado, demorou quatro anos pra conseguir míseros 70 seguidores.

Mas isso não importou muito, porque assim como aconteceu com todos os outros messias, em pouco tempo Maomé se tornou pouco popular entre a galera lá de onde ele morava. Tipo, se ele chegava numa festa, todo mundo saía de fininho de perto dele, e ninguém jamais oferecia carona pra ele – porque com certeza no caminho de volta ele ia encher o saco de todo mundo com aquele papo de que ele era profeta de Deus, morte aos infiéis e tudo mais.

No fim das contas, Maomé se viu obrigado a abandonar sua cidade natal e se refugiar em Medina. Lá ele começou a propagar sua religião, e teve um pouco mais de sucesso do que na primeira vez.

Acontece que Maomé era aquele tipo de pessoa que guardava mágoas. A religião, que pregava paz e submissão a Deus e tudo mais, DE REPENTE, POR QUE SERÁ, tomou tom político e violento. Maomé declarou que Deus agora não queria mais salvar todos os homens, e sim salvar um bocadinho e matar os que não se sujeitassem. Começa o movimento que nossos livros de história chamam de “Espada do Islã”, ou “Jihad”.

O site, muito previsivelmente, nega a História com veemência e insinua que se trata de mais uma “mentira ocidental”. Assim como o Ocidente mente sobre a religião defender o uso de violência, né?

Mentira o cacete.

Sabe, é bastante normal que neguim tente esconder as merdas que fez no passado. O que fode é quando os indivíduos apelando pra isso se dizem servos de Deus, ou seja, eles dizem ser melhores do que o resto do povão. Ao menos a Igreja Católica admite a Inquisição.

O que eu esperava ler nesse site era algo como “o Islã não é violento, acontece que algumas pessoas usam-no erroneamente como justificativa pra terrorismo“. O que, obviamente, é uma opinião mais acertada e até mesmo mais honesta. Nem todo muçulmano é um terrorista, pensar o contrário é bobagem.

Mas não. Além de deixar implícito que não é contra o terrorismo palestino, o autor do site vai além e tenta nos ludibriar com uma versão diferente dos livros de História, sem a menor prova sequer.

Tentei me juntar a uma comunidade no orkut pra fazer algumas perguntas diretas aos caras, mas percebi consternado que o fascismo é regra vigente entre a comunidade islâmica. Todas as comunidades que encontrei são moderadas, e uma delas exibia a seguinte mensagem:


Vão se foder, então. Fechar o acesso da sua comunidade apenas àqueles aprovados por vocês não ajuda em nada, muito pelo contrário. Se eu já adquiri uma má impressão da religião e de seus seguidores, esse autoritarismo tornou tudo pior.

Perdi a paciência de ler o resto do FAQ. Esses manés deviam parar de justificar suas carnificinas e tentar convencer que são santinhos, e fazer o que eles fazem melhor: misturar explosivos e dirigir taxis em New York.

Cristianismo e Islamismo. Só falta avacalhar com o Judaísmo e pronto: garanti um lugar em cada inferno.

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Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)