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Dossiê sobre mormons

Postado em 2 December 2005 Escrito por Izzy Nobre 1 Comentário

Esse papo tava já enjoado, mas o povo pediu repetidamente e eu não posso dizer “não”. Além do mais, acho que esse texto será bastante útil, tanto pros mórmons quanto pras pessoas normais que não acreditam em contos de fadas.

Vou separar o post em três trechos: as duas primeiras partes explicando a história do mormonismo e do Joseph Smith (pescado diretamente de qualquer biografia do sujeito, disponível publicamente e sujeita à verificação de qualquer um), e a última parte mostrando (e provando) que a história é uma das mais fantásticas lorotas já contadas. Tou repartindo esse post tanto assim porque a história é realmente longa, e ninguém vai querer ler um post de cento e cinquenta e dois parágrafos.

Antes de mais nada, digo a todos que tudo escrito neste texto (com exceção óbvia das gracinhas típicas de um post do HBD) é nada além de história confirmada e comprovada. Se você – mórmon ou não – duvida de qualquer detalhe que eu escrevi, pesquise por conta própria. Se eu cometi algum erro factual, aponte-o. Mas erro factual MESMO, e não algo como “ah, as enciclopédias todas dizem isso, mas é uma conspiração contra nós!

E principalmente, não apenas aceite a minha palavra, ou a de mais ninguém. Não corra pra mostrar esse texto pro seu pastor e perguntar pra ele como exatamente responder as perguntas que eu fiz. Vá atrás dos fatos você mesmo. Dê uma pesquisadinha, não vai doer. Você vai se surpreender, confie em mim.

Se ao menos UMA pessoa perceber a lorota que engoliu todo esse tempo e cair na real, as horas gastas lendo o Livro de Mórmon, enciclopédias e biografias não terão sido em vão.

É sério.

Agora que já dei o disclaimer, está na hora do VAMOS APRENDER MAIS SOBRE O MORMONISMO COM O TIO QUIDE, volume I.

Voltemos rapidamente ao ano 1823, no estado americano de New York. Havia naqueles arredores um garotinho chamado JOSEPH SMITH JÚNIOR, que pra todos os efeitos será referido de agora em diante como “profeta”.


Esse é Joseph Smith. Um cara legal, bacana, gente fina e educado, apesar de ter uma cabeça que lembra um triângulo isósceles de cabeça pra baixo.

Na época de seus 17 anos, o profeta apareceu com a seguinte mirabolante história: ele havia sido contatado por um anjo! Moroni, esse era o nome da criatura celestial. Segundo Smith, Moroni tinha sido um Nefita, ou seja, um membro de uma antiga civilização que existiu na América séculos antes de Cristo. O anjo o explicou que a história completa da nação Nefita havia sido escrita em placas de OLRO, que haviam sido enterradas CONVENIENTEMENTE numa colina não muito longe do lugar onde Smith morava. O anjo explicou que Smith foi escolhido por Deus pra contar a história até então desconhecida dos Nefitas. Este importante relato seria uma espécie de “adição” à bíblia que todos conhecemos. De acordo com o que o anjo contou pra Smith, todas as religiões ao redor do mundo estavam absolutamente erradas e era dever dele trazer o caminho correto pra humanidade, senão iríamos todos arder no quinto dos infernos.

Beleza, então.

O profeta não pôde se conter de animação e contou a história pros seus familiares. A pergunta óbvia de qualquer indivíduo com um mínimo de senso crítico foi exatamente o que a família perguntou: “tá, mas você pode provar isso? Cadê esse tal livro de OLRO?”

Nesse momento, as cortinas abrem, o palco se ilumina. A platéia fica de pé e aplaude. Começa o primeiro ato da mais longa peça da história da humanidade (uma que começou no século XIX e continua até hoje). Joseph Smith inicia sua atuação.

No que se tornaria uma série de desculpas esfarrapadas e explicações contraditórias, o profeta explica que por algum motivo o anjo não o permitiu ficar com as placas. Até hoje não existe uma resposta oficial para esse pequeno probleminha de falta de evidências, e cada mórmon que você perguntar te dará a opinião dele de por que o anjo Moroni não deu as placas àquele que era o único que poderia traduzi-las.

Mas não há problema, porque quatro anos depois, Smith deu à sua família as boas novas! MORONI DEU AS PLACAS PARA QUE ELE AS TRADUZISSE! E se passaram apenas quatro anos, obviamente Smith não poderia ter utilizado todo esse tempo pra, sei lá, inventar uma historinha fictícia qualquer e alegar ser a tradução das supostas placas! Afinal, são apenas quatro anos minha gente! Não dá pra escrever 166 páginas (o primeiro manuscrito “traduzido” tinha 166 páginas) em apenas QUATRO ANOS.

Mas deixemos esse detalhe pra depois. Smith não vai “traduzir” nada ainda, há muita história pra contar até lá.

Joseph Smith, O PROFETA DE DEUS ALELUIA, trouxe o livro de OLRO (que supostamente pesava trinta quilos, lembrem-se deste detalhe) pra casa. Mais do que previsivelmente, a família pediu para ver a maravilhosa mensagem espiritual que se tornaria em breve o “complemento” da Bíblia Sagrada. “Bora, Joseph! Deixa eu ver essas placas, menino!”

Mas Joseph “O Profeta” Smith se recusou a mostrar o livro de OLRO pros seus familiares. Mantendo o artefato seguramente escondido dentro de uma fronha de travesseiro, o profeta alegou que o anjo havia proibido terminantemente que Smith mostrasse as placas pra alguém. Novamente, isso faz bastante sentido, se você considerar que não faz sentido nenhum. Mas vamos deixar as explicações pra segunda parte do texto.

Smith consolou seus familiares explicando que eles poderiam tocar no livro POR CIMA DA FRONHA, sem tocar diretamente nas placas. Claro que ele não poderia ter posto, sei lá, uns tijolos lá embaixo. Ele era um profeta! Profetas não mexem com tijolos, apenas pedreiros fazem isso. E assim ficou. Joseph “Joseph” Smith, agora de posse do livro de OLRO, poderia começar a tradução do que foi citado por ele mesmo como o “mais correto livro já escrito na história da humanidade“. Lembre-se deste detalhe, ele será útil lá na frente.

Acontece que todo mundo sabe que você não pode ter um livro de ouro puro dentro de casa sem chamar atenção dos outros. Apesar de não morar no Brasil, o jovem Smith “Profeta” Joseph começou a ser perseguido pela vizinhança criminosa. Aqueles desgraçados queriam seu livro de OLRO! RauL, me diz como pode um absurdo desses!

Joseph “Joseph Smith o Profeta” Smith foi espertaço e escondeu as placas numa caixa. Um dia ele saiu de casa pra passear por aí, e deixou a caixa em casa. Seus vizinhos foram rápidos, sequestraram a tal caixa e arrebentaram-na pra subtrair as placas. Mas, SURPRESA!

A caixa estava VAZIA, meus amigos. Completamente VAZIA. O livro que Smith alegava ter guardado lá simplesmente não estava lá. Não havia placas coisa nenhuma.

Isso seria uma prova óbvia de que a história toda era um embuste, não acham?

PORRA NENHUMA. Smith, o espertalhaço o PROFETA DE DEUS, alegou que teve uma premonição de que seus vizinhos eram um bando de filhos da puta, e que eles iriam tentar roubar as placas. Assim, ele as colocou em outro lugar antes do negócio todo acontecer! Mas que alegria!

É inacreditável, mas até mesmo essa lorota pegou. Se bem que os caras já tinham aceito acreditar num livro de OLRO que ninguém podia ver, acho que daí em diante o resto fica fácil de engolir.

E a fama de Smith como um enviado de Deus, detentor até mesmo de poderes premonitórios, se espalhou mais ainda. O cara era quase um X-Man praquele pessoal.

Chegou a hora de finalmente traduzir as placas. Sim, porque ele não po
deria dizer que o negócio já estava em inglês – seria absurdo demais até mesmo pros padrões dele. As placas estariam então em uma língua morta, e para traduzi-las o anjo presenteou-lhe com duas pedras mágicas, chamadas de Urim e Tumim (algumas versões dizem que eram pedras, outras que era algum tipo de artefato não bem definido). Ao colocar as pedras/artefato perto das placas, ele podia ler o texto normalmente.

Ok até aí.

(Continua no Volume 2)

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

Um comentário \o/

  1. Valentim says:

    Olá amigo Izzy, muito bom seu post até aqui, mas
    não estou conseguindo acesso às outras partes…