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Postado em 5 December 2005 Escrito por Izzy Nobre 2 Comentários

[ Update ] A putaria no FHBD tava muito grande, e finalmente resolvi limpar a casa. Fiz uma faxina geral; o fórum foi completamente reformulado (com direito a regrinhas novas e tudo mais). Dessa vez o negócio vai pra frente.

Se eu não tiver fodido o database, todas as contas continuam lá. Basta logar e voltar a postar.

Ah, nada como passar o fim de semana descansando sem sequer pensar em atualizar o blog. Mãos à obra agora.

Antes de continuar a historinha, preciso ressaltar que achei muito boas algumas contribuições de leitores como o misterioso Sts, que parece ter feito uma pesquisa ainda mais extensa que a minha, ou do Messiah, que me mandou um link com umas informações adicionais muito úteis. Valeu pela força.

É curioso perceber também que os leitores mórmons estão diminuindo cada vez mais sua participação; prevejo que em breve eles responderão as acusações de pilantragem de Joseph Smith com meros smileys.

Sem mais delongas, vamos continuar a historinha. Por erros de cálculos, talvez a segunda parte não seja tão longa quanto a primeira. É difícil escrever uma história em várias partes de tamanho igual. Nisso eu dou um ponto pro Smith – ele é melhor narrando historinhas do que eu.

No último capítulo…

Chegou a hora de finalmente traduzir as placas. Sim, porque ele não poderia dizer que o negócio já estava em inglês – seria absurdo demais até mesmo pros padrões dele. As placas estariam então em uma língua morta, e para traduzi-las o anjo presenteou-lhe com duas pedras mágicas, chamadas de Urim e Tumim (algumas versões dizem que eram pedras, outras que era algum tipo de artefato não bem definido). Ao colocar as pedras/artefato perto das placas, ele podia ler o texto normalmente.

Acontece que POR ALGUM MOTIVO, Smith decidiu que precisava de ajuda pra traduzir as placas de OLRO. Aparentemente o dom espiritual dado por Deus e o tal Urim e Tumim não era o bastante – o profeta precisava de GRANA pra trabalhar.

Sim, grana. Desde antes do fundamento da igreja Mórmon, Joseph Smith já foi metendo a mão no bolso de seus seguidores. Esse padrão se repetiria até sua morte. Vocês aí acham que o cara foi assassinado por uma multidão ensandecida por absolutamente nada, né.

Então, o jovem profeta passou a procurar um otário, digo, um contribuidor contribuinte (valeu, Pedro) generoso disposto a pagar o sujeito pra fazer um trabalho que supostamente o próprio Deus o mandou fazer. Did I hear someone say “estelionato“?

E Smith não demorou muito a achar a vítima. Em 1831, o profetinha tornou-se “sócio” de Martin Harris, um próspero fazendeiro da região. O sentido da palavra “sócio” aqui foi um pouquinho distorcido. Uma sociedade geralmente implica algum tipo de lucro ou ganho pessoal para ambas partes da união, enquanto a sociedade oferecidade por Smith foi algo mais ou menos como “Seguinte, eu vou traduzir essas placas através do poder de Deus, o que é uma tarefa com a que o próprio me responsabilizou, enquanto você ‘financia’ a tradução. Beleza? Fechou.”

E já que mencionamos a tradução, seria interessante explicar um detalhe pra cambada: segundo Smith e trechos no próprio Livro de Mórmon, a língua nas placas de OLRO era “egípcio reformado”. Isso é um pouquinho estranho se você considerar que os “reais autores” do livro são supostamente hebreus e não egípcios, mas vamos deixar essa passar. O que é realmente estranho é que “egípcio reformado” é uma língua tão real quanto élfico.

É isso mesmo. “Egípcio reformado” não existe. Por que será que Smith ia escrever uma suposta tradução espiritual baseado numa língua inexistente? Seria, talvez, para que nenhum especialista em línguas pudesse confrontar sua tradução? Oh, não. Claro que não.

Detalhes, detalhes.

Martin Harris passou então a financiar o jovem Smith e ajuda-lo nas “traduções”. Se você imagina que Smith deixaria ao menos o próprio patrocinador dessa putaria toda ver as placas…

…você está enganadíssimo. Harris NUNCA viu as placas, salvo através de uma “visão espiritual”.

Vou repetir pra vocês que não entenderam: Apesar de todos os Livros de Mórmon do mundo portarem o seu testemunho, Martin Harris jamais viu as placas. Além de nunca ter tocado as placas diretamente (apenas por baixo de panos e tal), ele um dia sonhou a respeito delas, e pra ele isso significava que elas eram reais.

Vai entender o tipo de raciocínio que esse pessoal do século XIX empregava.

“Ah, mas as outras testemunhas viram as placas e tudo, né?”

Não. As três testemunhas originais (Oliver Cowdery, David Whitmer, e Martin Harris) tiveram uma visão das placas enquanto orando numa floresta, e o mesmo aconteceu com as outras oito testemunhas – convenientemente, todos membros das famílias Smith e Harris.

Vou usar letras maiúsculas, negrito e uma fonte vermelha pra ver se eu posso deixar isso bem claro pra qualquer um que esteja lendo este site:

NINGUÉM ALÉM DE JOSEPH SMITH JAMAIS VIU AS PLACAS DE OLRO. Ninguém. Absolutamente ninguém. Os testemunhos a que os mórmons dão tanto valor não passaram de “visões espirituais”, sonhos e qualquer outra coisa atribuída ao poder de Deus. Isso é claro nos testemunhos:

“And we also testify that we have seeen [sic] the engravings which are upon the plates; and they have been shewn [sic] unto us by the power of God, and not of man

O texto acima é um fragmento do testemunho original publicado em 1830.

Essas são as partes mais importantes da história do mormonismo. Há muitas partes que eu tou pulando: as subsequentes confusões com as comunidades locais – que obrigaram a comunidade mórmon a se realocar em diferentes Estados -, as repetidas prisões de Joseph Smith, os conflitos da igreja com a lei local, a candidatura de Smith à presidência (sim, o cara queria se candidatar a presidente), enfim, um monte de coisa. Nada disso é essencial pro texto, se eu fosse contar a história toda ia ficar mais chato do que já está.

Esse é o fim da segunda parte. Na terceira e última, eu vou explicar exatamente porque (se é que ainda precisa de motivos) que ninguém com um QI maior do que o de panela de pressão deveria acreditar que a história contada por Smith é verdadeira.

E depois uma resenhazinha pra alegrar o povo.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

2 Comentários \o/

  1. Camilo says:

    mormons brow ¬¬’

  2. […] This post was mentioned on Twitter by izzynobre, Guillermo Peccilli. Guillermo Peccilli said: RT @izzynobre: Você é mormon? Você é um idiota, sorry http://hbdia.com/wordpress/2005/12/07/494/ e http://hbdia.com/wordpress/2005/12/05/492/ […]