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Postado em 7 December 2005 Escrito por Izzy Nobre 3 Comentários

E o momento que todo mundo esperava finalmente chegou: a conclusão do dossiê a respeito do mormonismo. Flora deve ter mijado as calcinhas com tanto suspense e antecipação. Calcinhas de OLRO.

De antemão, aviso que a preguiça estava me matando impiedosamente e só decidi postar por incentivo da Vanessa. Agradeçam ou xinguem-na, a culpa é dela. Assim sendo, interrompo meu copo de bananada com chocolate apenas para concluir essa série de posts. Em seguida, quem sabe, uma resenha pra empatar tudo.

Vamos a uma breve análise dos fatos que já aprendemos até agora. Joseph Smith afirma ter recebido uma visita do anjo Moroni. QUATRO anos depois, ou seja, tempo MAIS DO QUE SUFICIENTE para que o sujeito tivesse escrito um livro, Smith finalmente recebe as já famosas placas de OLRO. Nada é mais importante do que frisar que Smith jamais permitiu que pessoa alguma visse as tais placas.

Seus vizinhos capturam a caixa onde Smith guardava as plaquinhas e verificam que elas estavam vazias, mas MUITÍSSIMO SAFADAMENTE o profeta explica que já sabia que os caras furtariam seus pertences e portanto escondeu o livro de olro em outro local.

Apesar de estar fazendo um serviço supostamente divino, Smith sai por aí em busca de ajuda financeira. Ele acaba batendo à porta de Martin Harris, um rico fazendeiro local que aceita arcar a empreitada do jovem Smith. Harris pede pra ver as placas, Smith dá a mesma desculpa furada de sempre – afinal, POR QUE NÃO DEIXAR NINGUÉM VER AS PLACAS? – e Harris, que é um cara de muito senso crítico, aceita custear a tradução de um livro celestial que ninguém jamais viu.

O livro nasce, Smith convence centenas de otários e vira o líder da religião, arruma confusão em vários lugares por causa da nova fé, e sua vida acaba tragicamente quando ele é preso e em seguida assassinado por uma multidão armada.

Isso é um resuminho dos capítulos anteriores. Além do que já é óbvio, o que há de errado com a história do Livro de Mórmon?

• O primeiro detalhe óbvio para alguém que já tenha lido o livro – e não seja mórmon – é que ele não passa de um plágio mal feito de outro livro já disponível na época: a Bíblia Sagrada Apostólica Romana de Roma na Itália!

Este link mostra todas as passagens do Livro de Mórmon que são simplesmente idênticas a versículos bíblicos. Não estamos falando de apenas uma frase copiada – em alguns instantes, o parágrafo inteiro é idêntico. E não é apenas uma ou duas ou trinta vezes que isso acontece, não. No Livro de Mórmon há mais de QUATROCENTAS frases copiadas diretamente da bíblia.

É praticamente um edu, mas Smith a essa altura já tinha comido alguém.

Não sei você, mas se alguém publica um livro com TANTAS similaridades com algum outro, eu não automaticamente assumiria que esse sujeito é o mais honesto da face da terra. Essa é fácil demais, e foi o primeiro deslize de Smith.

• Ainda sobre a originalidade de Smith. Os que crêem em sua história dizem que o livro contém muitos nomes hebraicos que não aparecem na bíblia, portanto, Smith não poderia conhece-los. O profeta era – eles dizem – um homem de pouca educação, burraldaço. Não poderia ter simplesmente inventado esses nomes.

— Um breve comentário:
Uma característica irritante dos mórmons (além de andar ao sol do meio dia de gravata com uma bolsinha a tira-colo distribuindo livretos e evangelizando qualquer ser humano que apareça em seu campo visual) é esse dualismo quando descrevendo a pessoa de Joseph Smith. Assim como um católico venera Maria ou um punheteiro adora Sylvia Saint, um mórmon ama Joseph Smith. Não faltarão adjetivos honoráveis quando se descreve o profeta – era um homem justo, honesto, incapaz de fazer o mal a alguém. Claro que ele não poderia ter inventado essa história!

Entretanto, quando é a autenticidade do livro que está em jogo, o Smith-Papa dá lugar ao Smith-Burro, semi-analfabeto e sem cultura, digno de pena e escárnio, que jamais poderia ter inventado tudo aquilo sozinho. —

Voltando ao lance dos nomes, achei esse textinho que coloca tudo em seu lugar:

“Muitas das “novas” palavras de Smith parecem ser nada mais do que combinações de palavras existentes. Por exemplo, Moisés + Isaías = Mosías. Abinoam + Gadi = Abinadi. Mesmo que Smith não tenha tirado o nome de Neftaí do apócrifa (2 Macabeus 1:36) ele poderia facilmente ter inventado a palavra combinando Nehemiah tanto com Zefi (1 Crônicas 1:36), Sefi (1 Crônicas 1:40), ou mesmo Sifi (1 Crônicas 4:37). Combinando “celestial” com “terrestrial” nós temos a palavra terrestial, e Helamã pode ser criado combinando Helã (2 Samuel 10:16) com palavras como Naamã (Gênesis 47:21) ou mesmo Hamã (Ester 3:5). Se Smith não tirou a palavra Moroni de uma cidade na ilha de Comoros (Cumorah?), ele deve ter combinado a palavra Mordecai (Esdras 2:2; Ester 2:5) com nomes como Gideôni (Números 1:11), Armoni (2 Samuel 21:8), ou talvez o título dado em João 20:16, Raboni.”

Ou seja, Smith podia ser burro e santo ao mesmo tempo, mas original ele certamente não era.

• Se original ele não era, ao menos conhecedor de História…

…é que ele não era mesmo. Os contos do Livro de Mórmon, que se passam na América de 600 a.C., citam alguns itens que simplesmente não poderiam existir naquele lugar, naquela época. Essas imperfeições no livro sagrado são como uma grande espinha purulenta bem no meio da testa – um detalhe vergonhoso que você gostaria de poder esconder, mas não tem jeito.

O primeiro e mais conhecido deste detalhes é a citação de cavalos na América. O Livro diz que os hebreus – que viajaram do Oriente Médio até a terra do Tio Sam dois mil anos antes da expansão marítima européia que originou a tecnologia necessária pra isso – encontraram vacas e cavalos ao desembarcar na costa americana.

Ora, qualquer um que já tenha jogado Age of Empires 2™ sabe que isso é uma mentira safadíssima. Os europeus que trouxeram os cavalos pra América, e mesmo assim apenas após pagar 200 Food pra evoluir pra Era do Bronze e então construir Estábulos. Ou 400 Wood e evoluir pra Era Imperial, faz muito tempo que não jogo Age of Empires 2™.

A questão é simples: não havia cavalos no Novo Mundo em 600 a.C. Nem vacas nem cabras também. Seja lá quem escreveu o Livro de Mórmon, ele não estava na América naquela época.

(O livro também cita aço embora esse não tivesse sido inventado ainda)

• O Livro de Mórmon fala de espadas, escudos, armaduras, cidades, moedas, templos e outros registros além das famigeradas placas de olro. Após aproximadamente dois séculos, nada disso foi encontrado. Absolutamente nada. Não há uma evidência arqueológica sequer dos fatos relatados no Livro de Mórmon. Nem a bíblia cristã é tão fantasiosa; ao menos há provas sobre alguns eventos que ela relata. O Livro de Mórmon também fala de uma espetacular batalha onde morrem DOIS MILHÕES DE SOLDADOS, o que faria daquele lugar o maior sítio arqueológico do mundo. Imagine aí dois milhões de esqueletos, com dois milhões de armas e armaduras.

Não preciso dizer que isso também jamais foi encontrado. Ao inventar essas lorotas, Smith não contava com o avanço da arqueologia. Felizmente, a fé cega ainda estava do seu lado.

• Lembram quando eu falei pra se lembrar do suposto peso do livro (aproximadamente 30 quilos)? Adivinha só: a pessoa que disse isso jamais pôde ter segurado um livro de olro, porque ele não pesaria apenas isso. Segundo a sagrada ciência de materiais, um livro de olro com as dimensões descritas por Smith (6 x 8 x 7 polegadas) pesaria 74 quilos.

O CASO KINDERH
OOK.
Se as incoerências do Livro são uma espinha purulenta na testa dos mórmons, o caso Kinderhook é aquela espinha quando ela estoura e lança pus em todas as direções, inflamando logo em seguida e instalando uma cratera permanente no meio da sua cara.

A história resumida é a seguinte: Um rapazinho das localidades encontrou por aí seis misteriosas placas metálicas contendo uma estranha escrita. O cara divulgou o fato e entregou as placas pra Smith, já que ele tinha adquirido a fama de tradutor místico.

O achado das placas fez a comunidade mórmon festejar, afinal, finalmente havia uma prova de que povos antigos da América escreviam registros em placas de metal. Falava-se até que as placas poderiam ser um apêndice ao Livro de Mórmon. E por que não? Smith recebeu as placas e começou a traduzi-las.

E aí a merda bateu no ventilador. Algus anos depois, o cara que achou as placas finalmente admitiu que tudo havia sido um embuste pra pegar Smith na mentira. E funcionou perfeitamente. A comunidade mórmon se sentiu como se tivesse soltado um peido na frente de todo mundo. A humilhação foi certeira.

Mórmons atuais vão tentar convencer você de que Smith nunca sequer aceitou a legitimidade das placas, mas não é o que os registros antigas da igreja dizem:

“Monday, May, 1. — …I insert facsimiles of the six brass plates found near Kinderhook, in Pike county, Illinois, on April 23, by Mr. Robert Wiley and others, while excavating a large mound. They found a skeleton about six feet from the surface of the earth, which must have stood nine feet high. The plates were found on the breast of the skeleton and were covered on both sides with ancient characters.
“I have translated a portion of them, and find they contain the history of the person with whom they were found. He was a descendant of Ham, through the loins of Pharaoh, king of Egypt, and that he received his kingdom from the Ruler of heaven and earth.” (History of the Church, Vol. 5, p. 372)

As citações acima são de Smith, e estão gravadas pra posteridade em History of the Church, um livro MÓRMON. Os caras obviamente caíram na lorota do moleque lá, e jamais poderão negar.

E olha o safado aí inventando uma tradução! Infelizmente, Smith foi assassinado ANTES de completar a tradução. Os mórmons tiveram sorte. Se essa tradução tivesse sido publicada, não haveria jamais como negar a safadeza do profeta.

Ou talvez não. Mórmons negam a verdade até mesmo quando esfregamos na cara deles como se fosse uma torta de limão.

E aí, Flora?

E os cavalos?!

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

3 Comentários \o/

  1. cristiano says:

    Valeu comentários muito bons.

  2. Rodrigo says:

    Hola, leí hasta más o menos la mitad y, pes que te digo…. El libro de Mormón fue atestiguado por tres personas que pudieron no sólo verlo, sino también tocarlo (véase el Testimonio de Tres Testigos: http://scriptures.lds.org/pt/bm/thrwtnss )
    Además otros ocho pudieron verlo, eso está en el Testimonio de Ocho Testigos: http://scriptures.lds.org/pt/bm/eghtwtns )
    Ambos testimonios firmados se encuentran en la portada del Libro de Mormón.

    Además el libro en sí debe tener muchas similitudes con la biblia, de otro modo sería un evangelio diferente….

    Bueno, en el fondo escribo esto por si otra persona quiere ver otro punto de vista. Espero que puedas entender mi mensaje, el español y el portugués son casi lo mismo no?

    Saludos 🙂