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Postado em 10 January 2006 Escrito por Izzy Nobre 3 Comentários

Rezam as más línguas que eu sou o maior mentiroso da interweb. Segundo esses fofoqueiros, sem dúvida possuídos por algum tipo de espírito maligno como Lúcifer ou o Chupa Cabra, este que vos escreve é nada além de um personagem virtual cuidadosamente arquitetado por um sujeito que no mundo não-eletrônico atende pelo nome de Israel A. Nobre.

(E eu DESAFIO alguém a descobrir meu nome do meio.)

A despeito do fato de que a última coisa que arquitetei na vida foi um castelinho de cartas de baralho que mal passou do terceiro andar, a teoria de que o Quide a quem muita gente ama (e mais gente ainda não apenas odeia, como também gostaria de ver morto nos jornais acima da legenda “Blogueiro brasileiro é atacado no centro de Toronto por multidão de góticos“) é um grandíssimo mentiroso alcançou uma considerável notoriedade.

Por causa disso, é difícil contar alguma história pra vocês sem que pelo menos meia dúzia de detetives internéticos levante o dedo indicador em direção aos céus e berre virtualmente “MAS ISSO É UMA GRANDE MENTIRA, ORA POIS! DECERTO O KID INVENTOU ISSO APENAS PARA REDIGIR MAIS UM DE SEUS POSTS CHEIOS DE REFERÊNCIAS NOSTÁLGICAS E IRONIAS EXAGERADAS!“. Sei bem que praticamente tudo que eu escrevo aqui é submetido à cuidadosa análise de investigadores atentos, que provavelmente dariam um rim em troca da possibilidade de me expôr ao mundo como uma fraude virtual. Aliás, se me lembro bem, há um tempo eu arrumei confusão com um sujeito que gostava de me chamar justamente disso, “fraude virtual”. Alguém lembra quem era o cidadão?

Um dos relatos que eu publiquei aqui no HBD, no entanto, recebeu total credibilidade apesar de ser consideravelmente inverossímil. O motivo pra é que alguns leitores passaram pela mesma situação que eu, então ao menos dessa vez eu não precisei jurar pelo meu mosaico do Mario que eu estava falando a verdade.


A propósito, olha o mosaico aí. Tou prestes a fazer outro.

Estou me referindo às minhas fantásticas desventuras no ensino médio canadense, em breve disponíveis no livro As minhas fantásticas desventuras no ensino médio canadense. Diversas vezes (duas no máximo) escrevi textos mostrando detalhadamente como um canudinho de plástico é aproximadamente três vezes mais inteligente do que o canadense comum.

Normalmente, esse tipo de frase seria considerada como nada além de mais uma de minhas sensacionais hipérboles. Entretanto, aqueles que já tiveram a possibilidade de arrancar alguns milhares de reais do bolso do papai pra pagar seis meses de intercâmbio por estas redondezas sabem que eu não estou mentindo – como foi o caso das desgracentas patricinhas e a famigerada ida a Toronto. Mas esse post fica pra outro dia.

O motivo pelo qual eu novamente bato na tecla de que a inteligência de um canadense pode ser comparada a de um tijolo convencional é que, apesar de já ter me formado do ensino médio canadense há algumas décadas, não me livrei totalmente da impressionante jumentice acadêmica dos gringos. E como zoar canadenses indefesos que não podem ler o que eu escrevo sobre eles já se tornou um tema não-oficial deste site, como eu poderia não escrever este post? Como, me diga? Exceto, é claro, se eu simplesmente não escrevesse.

Há mais ou menos duas semanas, fui abordado MSNmente por Melanie, uma amiguinha que mora na zona sul da cidade (a.k.a. “lá na puta que pariu”) e que por isso nunca vamos visitá-la, exceto quando ela promete comprar pizza pra todo mundo. Aflita, ela explicou que estava sendo açoitada por difíceis questões de natureza matemática e pediu misericórdia deste gênio brasileiro.

É um lance de equações aqui“, ela falou. Apesar de que a última vez que vi equações na vida foi quando fiz o ensino médio DE VERDADE, no amado País da Putaria, me dispus a ajudar a coitada. E não, não foi com o intuito de come-la, pois a Melanie é bem gordinha e seu cabelo tem um peculiar cheiro de queijo coalho.

Mande aí a terrível equação, minha filha” eu disse, ao mesmo tempo em que puxava um chiclete que eu havia escondido atrás da minha webcam na noite anterior. Era um chiclete de morango.

A balofa canadense em manda a questão que roubou seu sono e atormentou sua existência.

Era uma simples substituição de equação de segundo grau. Sabe quando a equação está de um jeito, e você tem que apenas escrevê-la de uma outra forma, como se estivesse redecorando um quarto? Então.

A menina está na Grade 12, o que é equivalente ao terceiro ano científico brasileiro. Se minha memória não me envergonha mais uma vez, esse é o tipo de coisa que aprendemos no Brasil na oitava série, senão antes. E a parada é tão incrivelmente sem mistérios que até eu, que não estudo o assunto há anos, ainda lembrava.

Infinitamente paciente, puxo uma folha A4 da gaveta, pego um pincel atômico (eu usaria a caneta tinteiro com a que a namorada me presenteou em alguma data especial que já nem lembro mais, mas ela estava sem tinta) e traço uma verdadeira aula pra gringa. Escaneio e mando pra ela.


A imagem acima prova claramente que, além de eu não saber escrever a palavra “which”, a questão que perturbava a menina não era nada complicada. Naturalmente, ainda assim ela não entendeu.

Fui obrigado a explicar cada passo de uma operação que crianças do ensino fundamental fazem com pouca dificuldade, a menos que seja uma daquelas crianças retardadas que insistem em tentar comer cola quando a professora não está olhando.

Não sei a quantas andava a conversa, quando a menina deixou escapar que não são apenas equações que a atrapalham.


Nem lidar com frações a coitada sabia.

Mais tarde no mesmo dia, eu tava contando pro Trunks a respeito do lado ignorante dos nossos amigos gringos. Lembrei-me que a namorada tinha deixado seus troços escolares aqui em casa, e qual não foi a minha felicidade em encontrar seu livro de matemática no meio dos bagulhos dela. O que vi no livro (a Gótica está também na Grade 12, prestes a se formar) foi de horrorizar.


Acredite se quiser, o livro ensina como usar a calculadora pra resolver um problema de raiz quadrada.

Posso ter exagerado sobre muitas coisas nesse blog, mas não sobre o espantoso despreparo escolar dos canadenses.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

3 Comentários \o/

  1. Raphael says:

    [I]nada além de um personagem virtual cuidadosamente arquitetado por um sujeito que no mundo não-eletrônico atende pelo nome de Israel A. Nobre.

    (E eu DESAFIO alguém a descobrir meu nome do meio.)

  2. Raphael says:

    “nada além de um personagem virtual cuidadosamente arquitetado por um sujeito que no mundo não-eletrônico atende pelo nome de Israel A. Nobre.

    (E eu DESAFIO alguém a descobrir meu nome do meio.)”

    Alves

  3. Kid says:

    Wow, demorou apenas 3 anos pra você descobrir isso!