Hbdia
  • Feed do Hbdia
  • Twitter
  • Youtube

Postado em 11 January 2006 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Após anos procurando um instalador que não fodesse meu PC injetando duzentos tipos diferentes de vírus na minha máquina, finalmente consegui baixar CounterStrike. Há uma lei em algum lugar que obriga qualquer pessoa com mais de dois computadores em casa a baixar o jogo.

E Trunks e eu re-adquirimos o hábito de gritar coisas como “B 4 2, B 4 2! Tou sem grana!” ou “Heeeeeeeadshot!!“, ou “Filho duma puta desgraçada!“, geralmente nessa ordem. Jogar CS é algo que enche um indivíduo de alegria, até que não haja mais espaço pra alegria em seu corpo e ela comece a sair pelas orelhas, escorrendo como diarréia.

Uma das exclamações mais populares, tanto na residência Nobre quanto nas lan houses do mundo afora, é a “FACADA!!“. Matar alguém na facada em CounterStrike é tal façanha que exige que o esfaqueador fique em pé, levante os braços (geralmente levando o mouse junto) e berre “FACADAAAAA” a plenos pulmões. No círculo em que eu jogava, costumávamos usar o diminutivo da palavra, porque alguém decidiu que isso causaria uma injúria maior. Ao invés de “FACADA!“, gritávamos “FACADINHA

Ahhh, os bons tempos de vagabundagem pré-universidade, quando todo dinheiro acumulado roubando o troco do pão ao longo da semana era jogado fora em cinemas ou lan houses.

Mas divago.

Ao re-adquirir CounterStrike veio junto no pacote o hábito de, a cada X minutos, soltar um “POOOORRA MERMÃO, FACADINHA, VOCÊ VIU? VOCÊ VIU?”. Ou então só um “FACADINHA!! mesmo, pra economizar energia que poderia ser melhor empregada em wallhacks.

E qual a graça dessa situação? Simples. Minha querida gringa de estimação.

A Gótica, que praticamente vive aqui em casa, costuma presenciar nossas jogatinas constantemente. Como boa gringa tentando aprender português, hoje em dia ela evita me perguntar o significado das palavras. Ao invés disso, ela espreita sorrateiramente enquanto eu e Trunks conversamos sobre um assunto qualquer e tenta interpretar o significado de certas palavras de acordo com seu contexto.

E até que funciona razoavelmente bem. Fazendo isso, ela já aprendeu o que significa “prato”, “pia”, e “puta que pariu, você derrubou o prato no meu pé, infeliz! Preste mais atenção no que está fazendo, cacete!”.

O problema é que não dá pra aplicar a mesma lógica a algo como duas pessoas jogando CS. Os berros que soltamos muitas vezes não fazem o menor sentido. O que ela deveria supor que queremos dizer quando ela ouve “B 4 2, B 4 2, corre, ali, pera, joga granada primeiro, olha ali no tunel, defusa a bomba!”

A única palavra que sai desacompanhada, ou seja, mais fácil de entender, é a famosa “FACADINHA”. E após ouvir tanto a palavra, ela acabou concluindo que ela era algum tipo de grito de guerra. Como ela não nos contou sua descoberta, ninguém a corrigiu.

Até que estávamos jogando bolas de neve uns nos outros lá embaixo. Eu postaria o vídeo, mas não achei um bom programa pra editar arquivos .mov então fodam-se vocês e foda-se a Kodak, por fazer câmeras cujos vídeos são salvos nesse formato fedorento.

Mas a questão é que a menina, após me perseguir loucamente na brincadeira, ergueu os braços pro ar e berrou “FACADINHAAAAA!” com o tom de voz mais engraçado que ela conseguiu imitar.

A surpresa foi explicada pouco tempo depois. A coitada explicou que, como sempre berrávamos aquilo no que parecia ser pra ela um momento decisivo do jogo, ela interpretou o “FACADINHA” como algum tipo de grito de guerra.

Deu até pena da ingenuidade da coitada.

Eu gostaria de poder postar o vídeo, mas ninguém se dispôs a editá-lo pra mim. Então acho que vocês se satisfarão com um áudio em que eu ligo pra namorada apenas pra pedir que ela repita a palavra.

Gótica fala “FACADINHA!

Transcrição do áudio

– telefone chama algumas vezes –

[ Ela ] Hello?
[ Eu ] Huh, hun?
[ Ela, reconhecendo minha voz ] What’s up?
[ Eu ] Can you do me a favor?
[ Ela ] Yeah.
[ Eu ] Say “facadinha”.
[ Ela, já imaginando a safadeza ] Oh God.
[ Eu ] C’mon.
[ Ela ] (rindo) Who are you sending that to?
[ Eu ] Nobody. I just wanna hear it.
[ Ela ] Do you want me to say it with the voice, or just “facadinha”?
[ Eu ] Yea, say it with the voice.
[ Ela ] Facadiiiiiiiiinha
[ Eu ] I didn’t hear that. Say it again.
[ Ela ] Liar!!!
[ Eu ] I didn’t hear it!
[ Ela ] You’re recording it, aren’t you?!
[ Eu ] No, I’m not
[ Ela ] (tom sarcástico) Uhum.
[ Eu ] Just say it.
[ Ela ] (tom sarcástico) Uhum.
[ Eu ] Say it, bitch!
[ Ela ] Baby
[ Eu ] (rindo) Just say it already.
[ Ela ] All right, all right. FACADIIIIINHA!
[ Eu ] There ya go. Thanks bebê*. Cya later.

Eu devia logo criar uma seção oficial de humilhação da patroa.

*Sim, me acostumei a chama-la de “bebê”. Ela acha bonitinho e esfrega na cara das amigas que não têm namorados bilíngues.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Deixe sua opinião aí. Você não tá fazendo nada mesmo!

comments

Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)