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Postado em 18 January 2006 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Como alguns de vocês já sabem, a cegonha visitou a residência Nobre no último Natal e soltou uma criança aqui no telhado de casa, para que criássemos da forma que acharmos correta.


Assim como um avião sequestrado pela Al Qaeda que cai bem em cima da sua casa incendiando todo o seu bairro, Kevin Costa Nobre* mal chegou e já está causando grandes mudanças no estilo Nobre de vida. Felizmente, ninguém teve sua casa incendiada ainda – embora eu não ficaria surpreso se acabassem chutando a gente pra fora do prédio.

Esse moleque costuma berrar incessantemente por motivos triviais e/ou inexistentes nas horas mais inadequadas, como 3:26 da manhã de domingo. Paredes não são páreo para os choros de Kevin, e em breve os vizinhos começarão a se revoltar.

E não é um choro qualquer, não – os berros de Kevin soam como um pato sendo cortado ao meio por uma serra elétrica enferrujada em cima de uma mesa de mármore. Tente você dormir no quarto ao lado.

Mas e que grandes mudanças são essa“, você me pergunta enquanto dá F5 no Só pra Maiores, esperando que alguém tenha postado pornografias inéditas?

Ah, rapaz. Um pivete recém nascido muda tanto em um lar que eu pensei “rapaz, se eu pegasse aquela minha câmera digital Kodak vagabunda e saísse pela casa tirando fotografias, poderia escrever um post inteiro só enumerando as mudanças que o bebê trouxe.” E concluí que seria uma boa idéia, afinal, todo mundo adora posts com fotos. Essa é a beleza de ter uma câmera digital Kodak vagabunda.

E as mudanças começaram pelo meu quarto. Sim, meu pobre quarto que não tem nada a ver com o bebê (a menos que… gah, nem quero pensar nisso. Não quero ter que jogar minha cama fora) sofreu as primeiras modificações.


Na foto acima, meu portentoso exército de pecinhas de Mage Knight. MK é um jogo de estratégia com bonequinhos em miniatura, dados e fitas métricas. Atualmente aposentados, essas miniaturas me renderam muitos momentos de felicidade no passado – quando por exemplo, quando um amigo meu rolou consecutivamente vários péssimos lances de dados e perdeu todas as suas pecinhas pra um mero elfinho de merda que eu nem tenho mais. Ah, a alegria de ver um homem crescido de joelhos no chão e praguejando contra objetos inamimados, e em seguida esmurrando seu oponente na boca e exigindo uma revanche…

Infelizmente, isso são tempos passados. No momento, meus bonequinhos de Mage Knight deixaram de ser peças de um jogo divertidíssimo e tornaram-se (além de depósito de poeira) terríveis portadores de MORTE SUFOCANTE. Como todos sabemos, o hobby principal de bebês é tentar se matar por asfixia engolindo os brinquedos pequenos dos irmãos maiores. Meus bonequinhos tornaram-se uma ameaça em miniatura, e eu estou sendo obrigado a escondê-los da vista de todos até que os anseios suicida do meu irmãozinho passem, ou seja, quando ele parar de enfiar na boca qualquer objeto que esteja num raio de quinze quilômetros.


O objeto na foto é um sensacional desodorizador automático, um objeto absolutamente indispensável numa casa onde moram três homens adultos. Como todos aprenderam em suas aulas de biologia, o corpo humano (particularmente o masculino) é conhecido por expelir uma grande variedade de gases por ambas cavidades. Soma-se a isso o fator da transpiração testicular, e ao fato de que nosso apartamento é pequeno, e o ambiente rapidamente se enche de um peculiar aroma de cueca suja.

Por isso compramos essa engenhoca. A cada 10 minutos (ou mais, você pode configura-lo como quiser), o desodorizador emite um curto spray de uma substância aromática que cancela o cheiro constante de ovos mal lavados que permeia cada centímetro cúbico desse apê.

Infelizmente, a presença do Kevin transformou esse útil aparelho em uma verdadeira máquina de matar bebês. Imagine se o pivete, em suas explorações pelo apartamento, colocasse seu rosto diretamente na frente do desodorizador no momento em que o troço disparasse o perfuminho lá? Tudo bem, ele seria o defunto infantil mais cheiroso que a funerária já teve que tratar, mas não sei se isso consolaria meu pai. E por isso agora o desodorizador fica bem mais distante do chão. Até o dia que o Kevin aprenda a se pendurar na geladeira, ele estará salvo.


Quando eu era pequeno, o material de limpeza embaixo da pia era basicamente um rudimentar conjunto de química. Lembra daqueles que você ganhava da sua tia no dia das crianças, e que vinha com um monte de experiências que nunca davam certo e com vários tubos de ensaio que você já havia quebrado no dia seguinte? Então. Pinho sol, sabão em pó e água sanitária são a versão low budget dos conjuntos de químico mirim.

Isso é, pra criançada marrenta brasileira, que aguenta a barra heroicamente. Minha irmã comia aqueles gizes que se usam pra matar ratos e baratas, e tá vivinha da silva por aí. Eu quando criança pisei num prego que atingiu o osso do calcanhar, e hoje não tenho mais nem cicatriz e jamais precisei de vacina contra tétano. Meu irmão conseguiu a proeza de derrubar uma trave de futebol em cima do próprio pé, e apesar da experiência ter literalmente EXPLODIDO o dedão do moleque, ele hoje caminha tranquilamente.

Essa é a marra brasileira.

Já Kevin, queira ou não, é um canadense. Meus pais (tomo a liberdade de considerar minha madrasta com parente, porque é mais fácil do que ter que escrever “meu pai E minha madrasta” – o que eu acabei tendo que fazer de qualquer forma) sabem que o pequeno Kevin não terá a manha necessária pra beber dois litros de água sanitária e viver pra contar a história, como alguns de meus primos. Por isso, cogita-se a opção de comprar umas travas que tranquem firmemente as portas embaixo da pia.

Isso é, até que ele tenha idade suficiente pra tentar misturar amaciante com Pinho Sol tentando fabricar dinamite (como eu fazia quando criança) mas acabe matando o gato do vizinho no processo.

A ciência não progride sem algumas baixas.


A pilha da câmera acabou. Fiquem com essa imagem catada no Google.

O ser humano, mais especificamente os seres humanos masculinos, têm uma curiosa fascinação por buracos – saímos de um buraco e passamos a vida inteira tentando entrar em buracos similares àquele. Até que a idade certa chegue, os homens vão tentando enfiar seus dedos em buracos mais acessíveis. As tomadas, por exemplo.

As casas gringas, sabe-se lá por que, têm milhões de tomadas em cada cômodo. Isso só complica mais ainda a tarefa de proteger os pivetes; em breve seremos obrigados a comprar umas pequenas travas que bloqueiam os buraquinhos e impedem que meu irmão seja transformado em churrasquinho.

Aliás, trava é o caralho. vamos acabar é passando uma boa e velha fita durex nas tomadas, isso se não apenas desenharmos coelhinhos nelas, pra assustar o pivete.

— Mas quide, crianças não têm medo de coelhinhos!

Ah, mas meu irmão vai ter.

Aí você clica na caixa dos comentários pra dizer “Mas meu caro Kid, esse moleque mal nasceu; bebês não começam com esse tipo de estripulia antes de começar a engatinhar por aí. Por enquando o pivete está limitando a cagar no berço, chupar o peito da mãe e chorar de madrugada (geralmente após ter cagado
no berço).
“.

Tudo bem, você está 89% correto, mas eu não pude evitar escrever um texto com a foto do guri no topo. Ele parece comigo, diz aí.

*Ele não herdou o nome do Kevin Costner, parem de perguntar. Se meu irmão fosse ter nome de ator, seria ao menos um BOM ator cuja carreira não tenha sido soterrada por tentativas patéticas de ocupar a cadeira de direção.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)