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Postado em 23 January 2006 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Porra, como é que demora quase um mês inteiro pra eu me lembrar que todo ano deve começar com um Top 10 Alguma Coisa? Devem ser as drogas.

Enquanto eu me enrolo todo tentando arrumar mais motivos pra criticar o filme resenhado (a resenha tá quase saindo, dê-me mais uns dias pra arrumar screenshots), aí vai mais um sensacional e escrito-na-última-hora-pra-justificar-a-demora-da-resenha…

Top 10 Hypes Mais Chatos dos Últimos Tempos!
Imprima e leve pros amiguinhos no colégio.

10. Os filmes Lord of the Rings

Os metidos a alternativos costumam dizer que a pior coisa que pode acontecer a algo legal é este algo legal se tornar popular, mesmo que a popularização se dê através de um meio igualmente legal. Esta é uma das poucas opiniões dos alternativos com que concordo.

Envolvi-me com o universo tolkeniano em 1998 por causa do RPG, mas JAMAIS cheguei sequer a ver um livro do cara de perto. Não sei se vocês tiveram o mesmo azar que eu, mas antes do lançamento dos filmes, achar um livro do Tolkien dando sopa por aí era tão provável quanto ligar a TV um dia e ver que um aleijado acabou de ganhar a medalha de ouro na corrida de cem metros rasos carregando um fusquinha nas costas. Jamais pude ler as aventuras de Frodo, Gandalf, Legolas e aqueles outros viados.

Claro, isso tudo mudaria com a estréia do primeiro filme. Em breve, até mesmo os rascunhos que Tolkien escreveu enquando dava uma cagada numa manhã de domingo apareceram nas prateleiras de livrarias em todo o Ceará. Antes que você pudesse perceber, livros que já existiam há alguns milhões de anos se tornam o assunto mais quentes nas rodinhas de pagode, como se fossem uma grandíssima novidade, debatidos por sujeitos que jamais teriam ouvido falar dos mesmos se não houvesse um filme com o mesmo nome em cartaz nos cinemas do mundo inteiro. E os sujeitos que jamais tinham ouvido falar nos livros de repente tornaram-se a espécie de fãs mais chatos que eu já vi.

Se bem que todo tipo de fã tende a ser chato pra caralho mesmo, então nada de novo aí.

9. Zeramento de scraps
Junte um servicinho que existe há uns três anos mas que parece que está sendo gerenciado por um aluno reprovado de Introdução à Programação, mais bugs do que casas decimais numa dízima periódica e uma turminha que sonha em ser xerifes dessa terra sem lei que é a Intarweb, e o que você terá?

Uma sensacional e nunca-antes-vista forma de punir pessoas na internet! Antes tinhamos que engolir os desaforo resignados, mas agora qualquer mané pode liberar todo o seu ódio vingando-se na internet. Enquanto não inventam uma máquina que permita socar as pessoas através do monitor, zeramos scraps.

Aquela menina do cursinho não quis sair com você só porque você tem AIDS? O chefe da repartição não te deu um aumento só porque você trabalha em outra empresa? Caiu num profile desconhecido e não foi com a cara do dono? ZERE OS SCRAPS DELES TODOS. Quem mandou esses infelizes mexerem com você? Agora não têm mais scraps, e como todos sabem, scraps são um sinônimo de vida social! Você praticamente assassinou o indivíduo.

Você poderia imaginar que “zerar scraps” é algo tão dramático quanto apagar todos os scraps que uma pessoa tem e em seguida estuprar a mãe do cara com um pênis de borracha de 3 metros de altura, mas não é nada disso. Alguém que teve seus scraps zerados ainda pode (muito tranquilamente) ver os scraps que tem, sem grandes artifícios. Acho que o único atraente da manobra de zerar scraps é a ilusão de ser um terrível ráquer, que não tem piedade nem mesmo daquelas meninas com fotos de bikini no perfil.

A despeito disso, zerar scraps se tornou o bola da vez no orkut. Não se fala de outra coisa. Eu sou ameaçado de ter meus scraps zerados praticamente todo dia por pessoas que correm ao meu profile e descobrem desapontados que alguém já chegou lá antes deles.

Pior do que alguém que dá tanta importância a um painel de recadinhos de estranhos são aqueles que acham que estarão acabando com minha vida ao atacar o tal painel.

8. Harry Potter

Auto-explicativo. Porra, é Harry Potter.

Alguém precisa pagar um assassino profissional e assassinar J.K. Rowling antes que ela invente de começar a escrever um livro a respeito das aventuras dos pais ou primos ou irmãos desconhecidos do mago infantil, ou qualquer outra coisa que mantenha a série viva. Afinal de contas, ela não deve estar disposta a abrir mão das centenas de bilhões de dólares que ganha todo ano com os royalties de cada nova jogada de marketing que contenha as palavras “Harry” e “Potter” na capa.

7. Usar “!!11@~” no fim de frases

Há milhões de anos atrás, quando usávamos o telefone pra conectar na internet, IRC era o grande point da galera e ainda não haviam muitos servidores brazucas, nós pioneiros da nerdice nos acostumamos a frequentar servidores gringos. Lembro-me que um dos servidores favoritos era a Undernet. Metade dos usuários do servidor eram homens de quarenta anos fingindo ser garotas de 15, e a outra metade conectava no IRC apenas para baixar vídeos de japonesas comendo merda e jogando poker simultaneamente. Era um lugar estranho de frequentar.

Por conviver com esse pessoal, me acostumei com o tipo de humor que eles cultivavam. Uma das piadas frequentes na época era ironizar os usuários menos educados a respeito de computadores (do tipo que apertava o Caps Lock sem querer e deixa ligado até o mês seguinte) imitando a forma como eles teclavam. E frequentemente os caras se animavam tanto em suas exclamações que mandavam trinta caracteres inadequados depois dos !!!.

Ou seja: era uma piadinha nerd antigona que, quando utilizada de vez em quando e no contexto apropriado, era engraçada. O problema é que aparentemente essa piada se tornou popular nos últimos dias, e neguim simplesmente não entende quando é que se usa-a.

Há um momento em que a piada precisa parar. No caso do !!11@#~, esse momento é 1999. Parem de arrastar o cadáver da brincadeira. Se forem usar, ao menos usem com moderação. Nenhuma piada resiste ao uso indiscriminado, especialmente quando quem a utiliza não faz a menor idéia do que é humor.

6. Ser emo
Os caras se vestem como se tivessem escolhido as roupas de olhos fechados, usam maquiagem a despeito de que orgão genital carregam no meio das pernas, têm um adoravelmente asqueroso gosto musical e adoram fazer de conta que são almas torturadas por sentimentos e toda aquelas outras babaquices que todo mundo sabe que nem existe de verdade. O produto é familar, mas mudaram o rótulo.

Antigamente esses sujeitos se chamavam góticos. Parece que um dia alguém decidiu que tava na hora de tentar um nome diferente e o resto todo mundo já sabe. A moda já era velha no Canadá quando eu cheguei aqui (em 2003), mas pelo que vejo só agora empacotaram e começaram a exportar aí pro Brasil. Ao contrário do que aconteceu no Canadá, os brasileiros foram bem mais receptivos com a nova moda – demorou quase dois dias pra que os emos se tornassem odiados pela população em geral.

Fiquem tranquilos. Já já a MTV inventa uma nova tendência e esses moleques jogam a maquiagem fora e devolvem as calças das irmãs. O problema é que é bem provável que a próxima moda seja exponencialmente pior que a última.

Acho que o plano dos infelizes por trás des
sas pilantragens é ganhar pelo cansaço.

5. Odiar emos
O problema dessa aqui é similar ao número 7 – uso indiscriminado. Em pouco tempo, odiar emos virou uma moda tão ou mais irritante que ser emo. Quando a frase “Ahhh mermão, tu é um emo!” se torna um xingamento padrão, independente de você usar cinto de rebites ou não, você sabe que o ódio pela moda se tornou uma moda por si só.

Se a física me ensinou alguma coisa – provavelmente não -, é que ações sempre provocam reações de intensidade igual e direção contrária. Quanto mais pessoas se esforçam religiosamente em odiar todos os aspectos do jeito emo de ser, mais essa cambadinha se sente deprimida, o que consequentemente aumenta seu campo de força emoístico. Lembro de um episódio de Capitão Planeta em que tudo que os caras jogavam no oponente apenas o tornava mais forte, até que eles tiveram uma idéia brilhante que eu não lembro mais. Aí eles ganhavam do cara no final, acho.

A questão é a seguinte: zoar um grupinho composto de gente acomodada e influenciável só porque todo mundo está zoando também é o mesmo que… bom, não consigo bolar uma analogia ironicamente exagerada pra essa aqui, mas você entendeu a mensagem.

Deixem os caras gostarem de suas bandas ruins e pintarem o cabelo o quanto quiserem. Uma hora eles cansam.

“Mas Quide, meu deus do céu, você acabou de criticar os emos tambéééém”

Não me diga, Sherlock.

4. Xbox 360
Sou obrigado a tirar o chapéu. Se por um lado a Microsoft não consegue me dar um sistema operacional que funcione – mesmo após 20 anos de tentativas -, por outro lado os caras definitivamente sabem como bolar uma campanha publicitária usando artifícios que fazem você imaginar que Satanás terá pleno controle sobre sua alma a menos que você compre o produto deles.

Meses antes do Xbox 360 sequer ser lançado, playboys endinheirados já faziam fila nas lojas de eletrônicos pra fazer o pre-order do aparelho. Pela internet afora, neguim começou a vender todas suas posses pra arrecadar o dinheiro necessário pra comprar o videogame. Não faltaram pilantras pra se aproveitar do frenesi da caçada pelo console pra bolar sensacionais golpes do vigário no eBay. O Xbox 360 parecia a coisa mais espetacular a acontecer na História desde a crucificação de Jesus Cristo e o lançamento do primeiro CD do Pink Floyd.

E o que aconteceu? A Microsoft aplicou ao videogame o mesmo tipo de controle de qualidade que veio aplicando em seus outros produtos durante tantos anos de sensacionais fracassos de planejamento. Centenas de equipamentos deram defeito nas primeiras HORAS de uso; jogos travam inexplicavelmente; houve até relato de um Xbox que pegou fogo por causa do superaquecimento do console, que foi tão bem projetado quanto uma casa construída com massinha de modelar, papel machê e Cheetos sabor bacon.

Eu tive a oportunidade de jogar num Xbox 360, e eu sinceramente não fiquei nem um pouco impressionado. Esses são os gráficos pelos quais a galera está desembolsando quase 500 dólares?!

Mesmo assim, a mera menção do nome do videogame leva os nerds das proximidades a ejacularem profusamente, enquanto sonham com o dia em que poderão ter seu próprio Xbox 360.

A Microsoft poderia colocar merda de gato, camisinhas usadas, lixo hospitalar e um bilhete dizendo “Fodam-se” naquela caixa, e nego ainda compraria.

Mas pelo menos o novo Xbox não é do tamanho de uma geladeira, como o antigo. Se um videogame vai entrar em combustão espontânea momentos após você o ligar pela primeira vez, matando sua família inteira e seus papagaios de estimação, ele tem que ao menos ser bonitinho.

3. Harry Potter
Pelo amor de qualquer entidade maléfica que você oferece sacrifícios humanos, MATEM AQUELA MULHER ENQUANTO HÁ TEMPO.

Vocês não estão compreendendo a seriedade da situação. Outro dia na Toys r Us vi um GRAMPEADOR com a foto do Harry Potter. Em breve J.K. Rowling vai ter tanto dinheiro que o mercado financeiro do mundo entrará em colapso, aí eu quero ver como é que você vai comprar um ingresso pro show do My Chemical Romance.

2. Eu sinceramente não sei o que por aqui
O plano original era um Top 9 mesmo, mas que diabo de pessoa escreve Top 9’s?

Nem comunistas fariam um negócio desse.

Pra não dizerem que esse ponto foi absolutamente inútil, aí vai essa imagem de um coelho equilibrando uma panqueca na cabeça. Um negócio desses não é algo que se vê todo dia no caminho da escola.

1. Big Brother Brasil
De todos os males trazidos pela asquerosa onda de reality TV, esse foi o mais irritante.

Um dia alguém da alta cúpula da Rede Globo estava zapeando pelos canais da sua TV a cabo (por que diabos alguém assistiria a Globo?) e deu de cara com um sensacional programa gringo: trezentas mil câmeras espalhadas por uma casa captavam o emocionante dia a dia de doze estranhos que competem por uma soma imoral de dinheiro, que será dado ao que permanecer até o fim da competição na casa. O programa tem pontos de incrível ação e suspense, como por exemplo:

– Um sujeito vai a geladeira tomar um copo de leite;
– Uma das mulheres revela não gostar de uma outra;
– Um cara coça a bunda enquanto faz um comentário qualquer sobre a situação mundial, como se fosse um grande estudioso do assunto.
– Um dos participantes solta um peido enquanto dorme;
– Durante o banho (“sim, vamos televisionar pessoas tomando banho nesse negócio! Vai ser um sucesso!”), é possível ver dois milímetros de peito feminino por baixo do bikini. Pra criançada imberbe que não tem dinheiro nem autorização pra comprar revista de putaria deve ser fenomenal, mas isso não justifica um monte de marmanjo assistir aquela merda esperando pelos quatro nanosegundos de exposição de um corpo feminino.

Por que diabos eu me interessaria em acumular horas diante da TV assistindo os afazeres e convivência de doze pessoas desconhecidas sobre as quais absolutamente nada me interessa? Se eu quiser saber o que pessoas normais fazem quando estão confinadas no mesmo espaço e arrumam confusão uns com os outros a cada trinta segundos por motivos triviais, eu assistirei minha própria família.

Se ninguém assistisse essa merda, o programa seria inofensivo. O problema é que brasileiro não tem mesmo o que fazer, e qualquer coisa que ocupe o horário nobre na Globo se tornará automaticamente um sucesso absoluto. Há um tempo atrás havia até um JOGO sobre Big Brother. A indústria brasileira de games, que é tão expressiva quanto um cego surdo-mudo sem braços e morto, cria um jogo sobre essa porra?!

Por que ninguém está fazendo jogos do que é realmente importante, como por exemplo, um jogo onde você pode espancar J.K. Rowling com um bloco de cimento e pôr seu cadáver em chamas com napalm?

A humanidade me decepciona.

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About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)