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Postado em 10 February 2006 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

[ Update ] E não é que chegou hoje mesmo?



Enquanto perdemos os últimos dias jogando Worms até que o momento em que o sujeito que está hosteando os jogos acidentalmente esbarra o dedo no estabilizador, o Dia dos Namorados se aproxima. Caso você não saiba, o VALENTINE’S DAY (a.k.a. “Desculpa pra mulé mandar flores pra si mesma”, sim, isso acontece mesmo) aqui na gringolândia é comemorado no próximo dia 14, e faltam, deixa eu ver, uns quatro dias só.

Sorrateiramente a data vai chegando, esperando o momento crucial em que eu me esqueço dela e gasto meus últimos dólares comprando um novo jogo de PS2. Ano passado não dei nada pra Gótica, se repetir a proeza em 2006 é capaz de eu acabar dormindo no sofá. Felizmente, o sofá do meu quarto fica bem de frente pra TV, então ao menos poderei brincar com meu jogo novo enquanto ela dorme com raiva e se pergunta porque diabos ainda namora comigo.

Uma das coisas que comecei a sentir recentemente, além do indescritível desespero porque o carteiro ainda não entregou o sensacional vestidim oriental que eu comprei pra gótica no eBay com a grana das doações de vocês, é uma dúvida que sei que jamais sanarei: Onde está o meu primeiro amor?

1992, Olimpíadas de Barcelona, segunda série. Eu estudava no Colégio Adventista de Londrina, no interior fodido do Paraná onde os locais adotam aquele terrível sotaque caipira/paulista que todos conhecem, e eu era infinitamente zoado pela minha dicção nordestina. Eu era aloprado porque não falava porrrrrrta que nem eles, fazendo aquele biquinho prolongado no R, sei lá como era aquela porra. Os caipiras tirando onda com o menino da capital.

Seu nome era Marta Alguma Coisa que Esqueci. Lembro-me claramente do primeiro nome, no entanto, porque ela o escrevia com firulas de causar inveja a um, sei lá, alguém que escreve com muitas firulas. Como um post não está completo sem uma imagemzinha semi-relevante, aí vai minha melhor tentativa se forjar a assinatura da menina.

Só nesse M característico dela, Marta colocava mais dedicação e esforço que muitas pessoas colocam em suas teses de final de curso. E com coraçãozim no final e tudo, como crianças de 7 anos frequentemente fazem. A Marta nunca me contou, mas eu tenho certeza que a grande frustração de sua vida era não ter um I em algum lugar no seu nome, a que ela pudesse devidamente pingar com um coração em miniatura (já tive uma namorada que fazia isso). Como ela é – ou era, quem sabe já morreu até – brasileira e não desiste nunca, ia esse coração sem motivo mesmo.

Não lembro como nossas brincadeirinhas começaram, mas… ah, quem diabos vai acreditar nisso? Provavelmente fui eu que comecei com o negócio. Dividíamos uma mesa perto da parede, então sempre que possível ela abaixava aquela calça azul ridícula que a liderança religiosa da escola obriga a gurizada a usar e me mostrava dois milímetros do tecido de sua calcinha. Essas brincadeira levemente sexuais me revelaram algumas coisas. Uma delas é que, aos sete anos, o corpo da Marta não era nem um pouco diferente do meu. A outra é que, ou ela gostava MUITO de calcinhas da Moranguinho e tinha uma coleção de uma pra cada dia da semana, ou então ela não era lá muito asseada.

E nisso ia. A menina fazia um projeto de strip no meio de uma sala lotada de pré-pré-adolescentes, e eu observava com uma expressão nula no rosto. Tenho certeza que eu gostava, mas porra, a menina não tinha curvas nem nos dedos ainda. Se meu filho for tão precoce quanto eu, vamos surpreende-lo no ultrasom encoxando o cordão umbilical.

Um dia, sei lá porque, peguei o telefone dela. Procês terem uma idéia da sensacional roça que era Londrina, os números telefônicos tinham seis dígitos. Então, peguei o telefone dela e liguei no dia seguinte por volta da hora do almoço, logo antes de sair pra escola.

“Oi, Marta!”
“Ahn?”
“Sou… eu…”
“Eu quem?”
“O Israel.”
“Oi Isael!”

Eu era a única criança de 7 anos que sabia pronunciar meu nome corretamente. Pro resto da população infantil ao meu redor, meu nome era Isael e nem um decreto presidencial os convenceria do contrário. Quem sabe era pura birra, e se eu tivesse me apresentado como Isael os moleques falariam direito.

“É, sou eu.”
“Tudo legal?
“Tu quer namorar comigo?”

Sem mais nem menos, porque mulheres gostam de espontaneidade.

“Namorar?”
“É, comigo”
“Eu não.”

O que sucedeu foram os 15 segundos mais constrangedores da minha vida. Um silêncio mortal se estabeleceu na linha. Eu consegui até ouvir a abertura de TV Colosso na TV da casa dela. Após muito pensar, resolvi que a melhor atitude seria desligar o telefone na cara da menina, sem nenhuma palavra de explicação ou despedida. Na minha mente infantil era o plano perfeito, apesar de que eu não levei em consideração de que eu a veria no colégio em menos de meia hora.

Evitei a stripper mirim o quanto pude, mas ela e suas amiguinhas me encontraram na quadra do colégio. O grupinho se dissipou inexplicavelmente. A Diana chegou pra mim e perguntou sem o mínimo respeito pelas emoções alheias:

“Ei Isael, tu pediu a Marta pra namorar contigo foi é?”
“Eu não.”
“PEDIU SIM!”

E saiu correndo. Havia um bando de loucas naquela escola, e as que eu conhecia não eram exceção.

Qual o propósito desse post temático? Não sei, porque no momento eu quero realmente saber onde está o vestido que eu comprei no eBay. Mas por trás dessa aparência insensível, no fundo do meu coração me pergunto onde Marta se enfiou, ou o que ela estará fazendo.

Marta, se você estiver aí lendo o HBD, há duas coisas que eu nunca tive a oportunidade de te dizer. Uma é que aquela tua calcinha da Moranguinho fedia pra caralho, e que eu aposto que a cor original dela não era amarela. E a Diana era mais bonita que você. Devia ter pego o telefone dela.

Como se não fosse o bastante, ela ainda tinha um I no nome.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)