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Postado em 20 February 2006 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Tudo morre. Com exceção de poucas entidades que parecem extender sua existência à eternidade, como emails corrente em prol de uma garota nigeriana com tumor cerebral ou a Dercy Gonçalves, tudo que existe nesse planeta um dia diz “ah, cansei. fodam-se todos vocês.“, sofre uma falência múltipla de órgãos, e bate as botas.

Pessoas morrem quando carros tentam ocupar o mesmo espaço em que elas se encontram. Relacionamentos morrem quando você introduz partes do seu corpo em outros corpos que conhecem sua namorada e contam tudo pra ela (apesar de terem jurado que não fariam isso, malditas). Tamagotchis morrem, embora voltem à vida facilmente por meio de uma espetada de clipe de papel no botão reset. (O que morreu de vez, no entanto, é o motivo que levava alguém a comprar aquelas merdas). Palms morrem também, e como viúvo de um Tungsten E2, eu sei melhor que ninguém. Até videogames morrem – um dos meus PS2s bateu as botas faz pouco tempo, aliás. Felizmente sou um playboy mimado e possuo dois videogames, então o luto pelo console falecido durou pouco tempo. Bastou tirar o GTA de dentro do primeiro, colocar dentro do segundo, e pronto.

A morte envolve a nossa breve existência assim como os Tupperwares de mamãe envolviam bolos de fubá que eu levava pra escola pra comer no recreio (ou na aula de Redação, o que me rendia maravilhosas visitas à coordenação após um dos pedaços de bolo decolar e atingir um amiguinho no meio do olho). Mas apesar de que o toque da morte é algo tão presente ao nosso redor, por algum motivo que nem John Smith poderia decifrar nós sempre pensamos que “nunca vai acontecer com a gente”. Mas acontece.

E sempre acontece em momentos inoportunos, e a nossa reação nessa hora é equivalente a que você teria se eu apertasse a campainha da sua casa e, ao me atender, eu jogasse um balde de ácido clorídrico na sua cara, dissesse que o Dumbledore morre na página 675 e saísse correndo. Você, que ainda não leu o livro porque o Submarino atrasou a entrega, sofreria a dor de mil mortes.

O motivo pelo qual parei de brincar com meu palm pra escrever este texto tão melancólico a respeito da morte é que um habitante da residência Nobre faleceu durante esta madrugada.


Meu companheiro de anos de partidas memoráveis de Counterstrike, Soldat, Age of Empires 2, Worms e basicamente qualquer outro jogo pirateado pela turma do FHBD finalmente cedeu ao desgaste e ao tempo. Desde semana passada notei que meu mouse andava mal das pernas, se é que alguém ainda usa ou reconhece essa expressão. Algumas vezes eu precisava deslizar o mouse de um lado da mesa ao outro pra que o cursor percorresse alguns milímetros na tela do computador. Clicar se tornou uma atividade emocionante, eu nunca sabia se o mouse registraria meus cliques ou não. A situação em breve se tornou insuportável quando, no meio de uma montagem no Photoshop, notei que qualquer pressão inferior a um soco no botão esquerdo do mouse não seria detectado.

O culpado? A Blizzard. Se há um jogo destruidor de mouses no mercado, este jogo é Diablo. Não lembro de ter encontrado na caixa do meu Diablo nenhum aviso do tipo “Atenção, viciados: este jogo provavelmente destruirá seu mouse antes que você alcance lvl 60“.

Agora vou ter que ir até a lojinha genérica de informática perto do banco, aquela cujo dono é um indiano estranhão, e vasculhar a estante de liquidação de equipamentos semi-velhos.

Se a preguiça não fosse tão predominante, levava até a câmera e registraria a aventura.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)