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Postado em 21 February 2006 Escrito por Izzy Nobre 2 Comentários

Chega um momento na vida de todo mundo em que você pensa “porra, mas o que diabos estou fazendo com minha vida? Decerto eu poderia estar fazendo algo muito mais interessante que isto aqui!” Esse é o meu momento.

Segurem os fogos de artifício, não estou fechando o blog.

Como é sabido por toda a comunidade de vagabundos que têm este site em seus favoritos, estou atualmente esperando o resultado de um longuíssimo processo de imigração pra Canadalândia, terra dos gringos burros e palm pilots baratos. A falta do cartão de imigrante impede que eu trabalhe (legalmente; às vezes aparecem bicos como o de vender sorvete, ou o de Halloween. Mas a grana é pouca) e que eu vá pra faculdade estudar e contribuir com a sociedade canadense. E não há nada que eu possa fazer a não ser sentar a bunda na cadeira, pegar meu controle USB da gaveta e esperar enquanto jogo Sunset Riders no emulador de SNES.

E essa espera interminável pela maldita carta do consulado dizendo “Parabéns, agora você é um residente permanente do Canadá, vá trabalhar ou estudar ou fazer alguns abortos porque aqui matar bebês é legalizado e totalmente grátis pros nossos habitantes!” torna minha vida muito tediosa. Sem a espera de um contracheque no fim do mês pra torrar numa loja de eletrônica, sem a expectativa de uma prova para a qual você não estudou, a vida simplesmente não tem emoção. Minha existência neste país resume-se a namorar, perder tempo com jogos eletrônicos e sair com os amigos. Parece uma vida de rei, mas após dois anos você começa a sentir falta de algo a mais.

Lendo um tópico antigo num dos meus fóruns favoritos – o negócio é de tão alto nível que você tem que pagar pra participar -, achei uma solução perfeita.

Hitchhiking, ou mochilão em bom português maroto. Pegar algumas roupas, juntar trocados, enfiar tudo numa mochila velha, dar um beijo de despedida/boa-sorte na Gótica, deixar status Away no MSN com alguma auto-mensagem engraçada e sair pelo mundo. Ou pelo Canadá, porque eu não acho que tenho dinheiro o suficiente pra cruzar a fronteira do país.

Ao ler o texto do cara no fórum, relatando as aventuras, desventuras e gente muito maluca que ele conheceu no caminho, me dá ainda mais vontade de empacotar meus pertences e dar o fora desse apartamento. Talvez, quem saiba, pra nunca mais voltar…?

Peguei um mapa do Canadá que tenho aqui e comecei a traçar planos e rotas imaginárias. O sujeito de quem roubei a idéia, um tal de atmosPHEAR, foi muito punk – o maluco pegou um amigo qualquer e combinou que ambos teriam que fazer o seu percurso sem nenhum centavo sequer. Eles queriam saber até onde conseguiriam chegar utilizando-se apenas da boa vontade de incautos que pegam caroneiros em beira de estrada. No meio do caminho, acabaram arrumando bicos (como pintar a casa de uma velha que deu carona pra eles) e começaram a ter fundos pra bancar a aventura. Mas sempre gastando o mínimo de dinheiro possível, dormindo na rua, etc e tal.

Quase me melei todinho pensando na aventura. É de um negócio desses que eu preciso.

E as idéias começaram a fluir. Conforme já expliquei, acesso wireless aqui é bem comum, e é bem provável que eu pudesse acessar a internet na estrada através do palm, relatando os acontecimentos em tempo real. Ou, caso eu esteja ilhado da rede virtual, ainda sobra a opção de escrever as aventuras offlinemente, no palm mesmo, formando o conteúdo do livro que eu pretendo escrever num futuro próximo.

Três coisas me impedem de embarcar nessa loucura:

– O clima. Estamos no finzinho de inverno no Canadá, e a temperatura média é -15 graus. Segundo atmosPHEAR relatou, é comum ter que esperar algumas horas até que alguém decida te dar uma carona, e até lá eu já teria virado picolé sabor cearense. Vou ter que esperar até o meio da primavera, por idos de abril, pra levar essa idéia mais a sério.

– Um parceiro de viagem. Hitchhiking sozinho é sinônimo de “estupro por caminhoneiros no fundo da boléia de uma Scania 98“. Tendo um colega você se torna menos estuprável, ou ao menos não será comido sozinho. Vou tentar convencer esses malucos que participam dos meus círculos sociais.

– A coragem final pra dar o primeiro passo. Na mente o negócio parece genial, mas na beira de uma deserta estrada interprovincial, com sol nas costas e nenhum carro à vista, o negócio muda de figura. Se eu realmente levar essa maluquice adiante, terei que ir muito bem preparado psicologicamente pra não voltar atrás no meio do negócio. Quando eu pôr o pé pra fora de casa, será pra valer. Só volto quando tiver terminado um livro sobre a aventura.

E, como em grandes outras decisões da minha vida, entrego nas mãos dos habitantes da internerdz. O que vocês me dizem, meus caros? Estão afim de chegar no HBD um dia e ler posts como “…e então hoje eu tomei banho num posto de gasolina“, ou “nunca imaginei que comida achada no lixo pudesse ser tão saborosa. Devem ter sido os 3 dias sem comer“?

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

2 Comentários \o/

  1. rodrigo says:

    DEMOROU, CARA!

    DEMOROU!

  2. Cassiano says:

    Aqui, eu não conheço ninguém que sequer TENHA OUVIDO FALAR de um conhecido sendo assaltado.

    puta que pariu dois caras esfaqueados ontem a noite a dois blocos do meu trampo (um morreu)!

    G3t Pwned