Hbdia
  • Feed do Hbdia
  • Twitter
  • Youtube

Postado em 28 February 2006 Escrito por Izzy Nobre 1 Comentário

A internet revolucionou a forma como as pessoas fazem muitas coisas. Graças à grande e maravilhosa rede de computadores, há novas formas de conhecer pessoas, roubar pessoas, ouvir música, roubar música, assistir filmes, roubar filmes… a lista estende-se ao infinito, embora seus itens sejam relativamente previsíveis e envolvam algum tipo de atividade criminal perpetrada por garotos de 15 anos. Entre tantas notáveis revoluções, há uma que é muito provavelmente a mais aclamada: a democratização da punheta.

Todos nós passamos pela mesma situação, com algumas pequenas variações. Lá por volta dos dez anos, você já começava a participar das rodinhas de conversa de sacanagem com os amigos, a despeito do fato de que o mais perto que você esteve de uma mulher foi quando a garçonete do McDonalds trouxe seu bolo de aniversário há dez anos atrás, quando seus pais tinham dinheiro pra arcar com uma festinha no restaurante. Não se culpe; a maioria dos seus amiguinhos não tinha histórias mais emocionantes pra contar. Porém, um deles tinha um trunfo: um dos moleques era o feliz proprietário de uma revista de sacanagem! Quase sempre, a revista era praticamente paleozóica, anterior à invenção das tesouras (o que explicaria as mulheres com mais cabelo lá embaixo do que em cima), porém posterior à popularização de mullets. As fotos beiravam o mau gosto pleno, as modelos eram tão atraentes quanto um cadáver dentro de um saco de lixo, e a revista não raro trazia inexplicáveis manchas em suas páginas – que geralmente exigiam algum esforço para se separarem.


Era degradante, mas era tudo o que tínhamos e além do mais aos 12 anos ninguém liga pra coisas como respeito próprio. Assim sendo, a molecada se aglomerava ao redor do possuidor da revista que, sendo o “dono da bola”, não deixava ninguém tira-la de suas mãos. Não somente isso, o miserável também controlava a virada de páginas com punho de ferro. Não adianta choramingar, ele só passaria a folha quando tivesse vontade de tal e pronto. Sendo o menor da turma, eu nunca conseguia um lugar privilegiado para observar a putaria; os moleques maiores tinham mais sorte (e porte) pra garantir um local melhor que o meu. Por baixo do suvaco de alguém, tudo que eu conseguia ver era uma perna no ar. E, devido a falta de critério dos produtores da revista na hora de escolher as modelos, não dava nem pra ter certeza se era uma perna masculina ou feminina. No outro dia, eu conseguia ver um braço – embora dessa vez eu tivesse certeza de que seu dono era um homem.

Pedir a revista emprestada ao João Batista (ele era o filho do pastor da minha igreja, veja você) não era uma opção. Dizia-se que a revista era um item de valor inestimável, presente na família do dono há gerações. Ele roubou de seu pai, que achou-a embaixo da cama do avô, que trouxe escondido nas caravelas ou algo assim. Àquele passo, imaginava eu, só vou ver uma mulher completa quando tiver uns 37 anos.

Mas chegou a fabulosa internet! O reinado do Dono da Revista chegava ao fim. Ninguém mais precisava participar daquela rodinha suspeita atrás da igreja (atrás da igreja!) pra ver partes de modelos cabeludas. Ninguém mais seria punido por ser ansioso demais para esperar a virada da página. Ninguém mais se sujeitaria às vontade do Dono da Revista. Foda-se a revista! Tinhamos a nossa disposição agora todas as mulheres do mundo!

Bem, teoricamente. Em primeiro lugar, porque dial up limitava muito o que podíamos fazer na internet, e baixar pornografia não era diferente. Aliás, era de fato diferente, porque um vídeo de putaria era consideravelmente mais pesado do que as outras coisas que normalmente baixávamos, digamos, um site l33t haxor hospedado no Geocities, mesmo com todos os GIFs de caveiras e tal. Além disso, muitos de nós (eu me incluo no grupo) morria de medo de procurar putaria na internet, porque o computador era compartilhado pela família inteira. Na minha cabeça, procurar putaria na internet faria o próprio PC me denunciar na próxima vez que meu pai fosse usá-lo. Eu preferia não me arriscar, então restringia minhas buscas aos momentos em que eu estava usando o computador na casa de algum amiguinho. Se alguém vai se foder por causa de pornozeira, que não seja o filhinho de pastor aqui.

E assim foi. Um belo dia, eu estava na casa do Tiago com outros coleguinhas, e o moleque disse que tinha algo legal pra mostrar pra gente, mas apenas quando a mãe dele saísse de casa. Já imaginávamos o que seria, então esperamos ansiosos até que a velha finalmente saiu pra jogar bingo ou ser atropelada (coisa que ela realmente foi naquele dia) ou algo assim.

Pra jogar bingo ou pra ser atropelada ou pra ambos, o fato é que a véia deixou o recinto. Corre a molecada pra frente do computador. Tiago executa o vídeo, propriamente entitulado FOda001.alguma_extensão_que_esqueci”, diante dos olhos curiosos da gurizada. Imagino a paciência do moleque de baixar um vídeo de dois minutos naqueles tempos em que um modem de 56k eram o equivalente do iPod atualmente – a grande novidade tecnológica em que todos queriam pôr as mãos, mas seus salários não permitiam.

O vídeo não trazia nada de espetacular. Uma mulézinha da vida – já pelada e numa posição estratégica – esperava pelo “ator”, que não podia ser visto na tela. Em segundos o cara aparecia, botava uma camisinha e fazia o serviço, enquanto a mulé fingia não-convincentemente que gemia. Nada de oral, nada de anal, nada de esguichada de esperma na cara de alguém, nada de gente cagando na boca de outros, nada muito cheio de firulas: foi pura e simples penetração, em todo seu esplendor de quase um minuto e meio.

No entanto, aquilo foi suficiente para chocar-nos de uma forma que nem os clipes musicais do Fofão nos chocaram. Ninguém ali – além do Tiago, que assistiu o vídeo trinta vezes antes de nossa chegada – jamais havia presenciado o ato sexual em si. Pra ser sincero, nós simplesmente não sabíamos como era o negócio! A cena parecia fora desse mundo; assisti o curto filme com uma estupefação que podia ser equivalente apenas a quando o lutador controlado pelo computador em Mortal Kombat me dava uma surra de Perfect, ou quando meus pais diziam que não me levariam mais ao McDonalds por causa de algo que eu jurava não ter feito. Minha mente se tornou um vídeocassete imaginário, que reproduzia cenas do vídeo pornô cada vez que eu fechava os olhos.

O tempo passou, melhores conexões chegaram, e a inocência daquele primeiro vídeo ficou pra trás. Em comparação com as putarias que eu já vi nesse meu computador, aquele filme que assisti na casa do Tiago poderia ser confundido com um episódio dos Ursinhos Carinhosos. Já vi praticamente todo tipo de baixaria a que um ser humano pode se sujeitar; já passaram pelo meu winamp cenas que deixariam torturadores da Inquisição compadecidos. Já vi gente cagando/mijando na cara de outras pessoas, gente sendo estuprada por mais de cinco indivíduos, pessoas enfiando uma miríade de objetos em outras pessoas, cada um desses objetos menos apropriado para tal fim que o outro, gente fazendo sexo com peixes (?)… há algum tempo eu imaginava que nada mais podia me chocar, que eu já tinha visto tudo que podia ser enfiado dentro de uma pessoa.

Até que achei esse link, que não apenas encheu meu PC de spywares, mas destruiu o que restava da minha pouca fé no futuro da humanidade. No site, apropriadamente chamado “Got Fooled“, mulheres são ludibriadas a fazer sexo por dinheiro FALSO! A galera da putaria não sabia como empurrar o nível mais pra baixo, e decidiu então que pagar as vagabas pelas sacanagens era muito convencional. O site não deixa dúvidas sobre a intenção dos criadores, que é avacalhar com a imagem das coitadas.

C
laro que a proposta do site é falsa. Ninguém em sã consciência divulgaria falsificação de dinheiro assim, pra todo mundo ver, ainda por cima nos States. Mas o que marca é a idéia – os caras criam uma ilusão apenas para tornar a situação das mulheres mais humilhante do que já é.

Sinceramente?

Tenho medo do que meus filhos vão ver na internet.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Deixe sua opinião aí. Você não tá fazendo nada mesmo!

comments

Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

Um comentário \o/

  1. RicarDog says:

    Primeirooooo