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Postado em 6 March 2006 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

O sujeito que inventou a instituição matrimonial deveria estar rindo sozinho quando estabeleceu as regras do negócio. O que é o casamento além de um anúncio público de que você está abandonando terminantemente a caça ao mulheril, jurando contentar-se com o mesmo par de peitos pelas décadas a seguir, independente do que a gravidade e os trinta herdeiros tenham feito a eles?

A cerimônia do casamento é substancialmente pior, com o perdão do uso indevido da palavra “substancialmente”. Casório é basicamente uma festa indecentemente onerosa, a respeito da qual sua opinião não valerá nada, feita pra um monte de gente que você não necessariamente gosta, mas se sente moralmente obrigado a convidar. O fato de que essa gente comerá de graça às suas custas numa festa que você demorará três anos pra pagar não impede que eles te dêem presentes baratos comprados de última hora que você provavelmente jamais usará.

Numa etapa tão importante da sua vida, que melhor apoio moral do que ter a presença do autor de um blog de humor negro e sarcasmo maldoso que provavelmente fará piadinhas em cima da sua festa e dos seus convidados, a troco de causar risadas em estranhos? A resposta é “Qualquer outra coisa“, mas isso não impediu o Kauê de me convidar pessoalmente pelo telefone na semana retrasada e requerir formalmente minha presença um pouco menos que ilustre.

Faço questão de que você e sua família venham!“, disse ele. Originalmente não tinha espaço pra Gótica na festança, mas eu ameacei estacionar um carro de som na porta da casa dele e revelar para o mundo que era seu amante gay de longa data, e rapidamente surgiu um convite pra patroa.

E olha só, vou cobrar um post de presente de casamento” disse ele, ou algo mais ou menos assim. Ele explicou em seguida que fazia questão de que eu relatasse seu casório aqui no site, o que me fez imaginar que tipo de gente auto-sabota o próprio casamento dessa forma, oferecendo-se voluntariamente como material pra risadas de estranhos na intarwebs. Aceitei de bom grado o convite do leitor, e pus-me a pensar em que tipo de roupa usaria pra ocasião. Os poucos que me conhecem pessoalmente sabem que eu tenho ojeriza a eventos sociais de grande importância (agradeço à minha natureza nérdica) e à indumentária necessária pra esse tipo de coisa. Desde os meus tempos de esquentador de banco de igreja (10 anos atrás), não participo de nada mais solene que um arroto. O último terno que usei na vida caberia numa caixa de DVD.

Mas isso é o de menos. A questão realmente importante é: como escrever um texto HBD style a respeito do casamento de um amigo?! Quem eu poderia aloprar, e quem poupar? Que piadas serão encaradas com jogo de cintura e esportividade, e que tipo de brincadeira me renderá um inimigo pro resto da vida e talvez alguns processos por difamação? Me preparei mentalmente pro que poderia ser o maior desafio da minha vida: descobrir que convidados o noivo não vai muito com a cara, tornando a alopração impiedosa levemente aceitável.

Blá blá blá, a semana passou voando e o dia do casório tava aí. A correria aqui em casa era digna de um episódio particularmente engraçado dos Três Patetas – pai correndo de um lado procurando uma toalha, madrasta correndo do outro procurando um vestido apropriado pra cerimônia, bebê cagado se esgoelando no berço, e eu jogando Mario Kart e tentando lembrar se ainda tinha algum cinto social. Pensei em dar uma de estudante de artes plásticas metido a sofisticado e usar um dos cintos de rebite (entenda-se “aqueles cintos que emos da Galeria do Rock usam“) mas pensei melhor. O que o Kauê fez pra merecer uma desfeita dessa? Revirei as gavetas jogando seus conteúdos para o ar até achar um cinto apresentável.

Continuei vestindo-me no estilo nerd de ser (sem tirar os olhos da tela do computador e respondendo qualquer um com “não posso conversar, tou me arrumando pra sair!“, apesar de continuar respondendo todo mundo) enquanto a família inteira corria de um lado pro outro procurando peças de roupas que eles juravam terem deixado em um lugar mas agora não estava mais, o que significava obviamente que a culpa era inegavelmente minha. Muita correria depois, estávamos na estrada em direção a Niagara, bem em cima da fronteira entre os EUA e o Canadá.


Esta imagem o ajudará a compreender a distância do caralho que separa Oshawa de Niagara

Graças a inúmeros contratempos, fomos agraciados com a incrível humilhação de chegar atrasados no casamento do cara. A capela estava trancada, com uma plaquinha “SILÊNCIO PORRA, CASAMENTO ROLANDO, CÊ NÃO TEM COSTUMES NÃO?” pendurada do lado de dentro. Após uns cinco minutos, a comitiva sai da capela, e encontra a família Nobre esperando do lado de fora, com a maior cara de bunda que nossas faces nos permitiram emular.

Mas os noivos foram gente boa e decidiram não nos chutar da parada por causa do nosso mero atraso de umas duas horas. Apresentações feitas (finalmente conheci a Anne, do FHBD), a primeira surpresa do dia: a mãe do noivo, uma jovem senhora muito simpática, chega pra mim e me deixa absolutamente sem reação ao revelar que lê o HBD religiosamente e que adora minhas presepadas. Fiquei boladíssimo, e anotei no meu palm mental que a mulher mereceria uma menção aqui. Mãe do Kauê – cujo nome eu MALEDUCADAMENTE não perguntei -, obrigado!

A turma se joga nos carros e todo mundo se manda pro restaurante onde a recepção seria, ahn, sei lá. Hosteada? Apresentada? Onde a recepção aconteceria, pronto. E tome fotos.

Momento memoravelmente momentosos: A Gótica se apresentando com seu refinado portinglês (que eu infelizmente não filmei), o subsequente pedido de “FACADINHA!” – que ela prontamente atendeu, pro delírio da galera -, os elogios à minha camiseta caseira de uma Piranha Plant, meu incomensurável desespero ao ver-me confrontado pela sopa de entrada (sou um fresco total e absoluto em matéria de comida, mal não-resolvido de infância que levarei pro túmulo), o suor frio que brotou na minha testa quando a Gótica e outras convidadas disputaram a jogada do buquê, o alívio quando ela não o capturou.

Chega de falatório. Vejam os retratos, trazidos a você pelo pessoal gentil do ImageCheque. Clique nas figurinhas pra ver bem grandão.

Os noivos mostram comé que se faz.
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Kevin Nobre, convidado de honra, esbanjando carisma e presença de espírito ao ser segurando como um saco de batatas.
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Anne, Raquel (uma amiguinha), eu e a Gótica, no Ripley’s Believe it or Not Museum. Explico mais sobre isso em outro post.
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A Gótica wub wub
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E chega. A paginazinha de fotos é outra.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)