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Postado em 2 April 2006 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

A Internet está lotada de três coisas – vídeos de homens sendo sodomizado por cavalos, ROMs de jogos de MegaDrive e pessoas que se julgam imensamente mais importante do que realmente são. Neste fim de semana, tive o prazer ou desprazer de interagir com um belo exemplo do último tipo. Há um bom tempo não acontece uma briguinha blogueira besta no estilo HBD que vocês tanto adoram, então achei essa uma boa oportunidade de dar ao povo o que ele espera.

Tudo começou com este post numa comunidade de blogueiros, de onde já saíram boas safras de confusões alimentadas por egocêntrismo e escândalos movidos a senso de auto-importância. A briguinha de ontem, no entanto, deixou as confusões do passado no chinelo.

A história é a seguinte, pra você que tem muita preguiça de clicar no hyperlink – eu escrevi um tópico questionando a suposta “fama” que um certo site tem, e perguntando aos membros da comunidade que outros sites “famosos” porém insignificantes pra toda população global eles conhecem. Como se pode esperar, a confusão tomou tons TRÁGICOS.

Eu gostaria de linkar o tal site aqui no HBD, mas o cara sinceramente não merece uma menção. Digamos apenas que é uma página auto-entitulada “O MAIS FAMOSO DE SUA CATEGORIA NO MUNDO INTEIRO“, e o pior é que isso não é uma de minhas hipérboles; o cara literalmente nomeou seu site como o mais famoso do mundo. Se você pensou que isso é uma boa demonstração da marca registrada de alguém que se leva muuuuito a sério, você ainda não viu nada.

Mas então, eu escrevi o tópico lá. Como eu não tinha nada pessoal contra o cara – até ontem -, eu tomei o cuidado de não ofender o sujeito. Teci comentários naturalmente sarcásticos sobre o site do cara, como é meu estilo, mas não falei nada terrivelmente inapropriado.

A primeira resposta do sujeito chegou rápido. Thiago Fialho, a celebridade, deve passar algumas boas horas do seu dia verificando as estatísticas do seu site, ansioso por saber onde seu site foi comentado. Ao ver que um mísero blogueiro cearense que nunca apareceu no jornal teve a audácia de não reconhecer sua galopante fama mundial, Thiagão rolou as mangas e digitou uma resposta de justiça poética pra calar a boca do cabeça-chata aqui e de qualquer outro que ousasse duvidar de sua fama. Afinal de contas, como as pessoas continuarão pensando que ele é realmente uma celebridade se ele não esclarecer esse tipo de coisa para estranhos na internet?


Thiago Fialho, a maior história a atingir o mundo desde a invenção do grampeador

A resposta, previsivelmente, falava um grande bocado a respeito de “inveja”. A resposta tão padrão e pouco elaborada que até um caminhoneiro poderia dar – “se sua estrela não brilha, não apague a minha!”. Não reconhecer a fama de alguém é, inegavelmente, inveja. Se você se atreve a pensar que o site é apenas mais um na internet, você tem inveja dele. Se você nunca ouviu falar de Thiago Fialho, nunca viu o link do site dele em lugar nenhum, ou nunca tinha visto a foto acima, não é porque a fama do sujeito ainda não chegou a você (impossível!), é porque secretamente, mesmo sem jamais ter ouvido falar do cara, seu pobre coração arde com a mais pura e refinada inveja.

Com toda sinceridade, o mecanismo lógico que leva a esse tipo de conclusão me dá uma certa pena da pessoa (por 30 segundos, no cabo dos quais eu começo a rir). Sério mesmo, analisa comigo – o sujeito recebe uma crítica (ou nem tanto isso, como foi o caso aqui). A reação automática da pessoa é pensar que ninguém em sã mente poderia, voluntariamente, não idolatra-la. Afinal, como alguém poderia não amar Thiago Fialho? ELE TEM UM WEBSITE NA INTERNET QUE RECEBE ALGUMAS VISITAS DIÁRIAS! Não é pouca merda.

Partindo daí, a pessoa conclui que alguma coisa está impedindo o amor incondicional do crítico, e essa “alguma coisa” poderia ser apenas uma profunda inveja de seja lá qual proeza o cara já realizou na vida. Não podemos esquecer que o cara não apenas julga a tal proeza como notável, mas ele passará a usá-la como padrão pra julgar as conquistas de outras pessoas. Quer ver?

Thiagão, atacando o crítico e não a crítica como apenas as pessoas mais imbecis sabem fazer, criticou o HBD em resposta. Mas ele não falou que eu escrevo mal, ou que meu estilo é sem graça, nem nada que se pudesse considerar crítica “válida” ou “coerente”.

Ele apenas contestou meu púlico e a minha visibilidade, como quem diz humildemente “Se você não é o dono do Google, não tem direito de expressar uma opinião negativa sobre a minha página internética“.

O que o cara quis dizer, basicamente, é que eu não tou “no nível dele”, e que por isso qualquer opinião (negativa, que fique claro. Um elogio de um blogueiro de 10 visitas diárias ainda conta) se torna automaticamente inválida.

Dito isso, o webmaster se enfurnou novamente no buraco de onde saiu. Isso que dá morar no Acre; passar a vida toda num estado onde porra nenhuma aconteceu nos últimos 300 anos te dá uma noção meio distorcida de o que realmente importa no mundo real. Uma porra de um site com vídeos idiotas se torna motivo suficiente pra se submeter ao ridículo diante centenas de pessoas.

Mas acho que o Thiagão decidiu que uma resposta apenas não seria o suficiente, e por isso ele mandou uma segunda mensagem, exibindo orgulhosamente todas as vezes que seu site foi citado em mini-matérias de 4 linhas com que o colador do jornal jogou em cima da mesa de edição por engano enquanto fumava crack. Aliás, admito que é uma piada reciclada, mas é que essa aí causou tanto nervosismo no moleque que me darei ao luxo de usa-la de novo. Após ter esfregado as matérias na minha cara e provado, conclusivamente, de que é de fato a pessoa mais famosa que eu já vi na minha vida, Thiago se deu por satisfeito e saiu da discussão.

Os membros da comunidade, divertidos com a putaria, passaram a fazer o que sabem fazer melhor – dar uma visita aos perfis dos envolvidos na confusão pra tentar arrumar mais lenha. E o que acharam no perfil do famosíssimo webmaster foi apenas a confirmação que precisavam de que o cara é doentemente obcecado consigo mesmo. Jogaram informações do perfil do coitado no tópico, e algumas boas risadas ao custo da dignidade no moleque foram aproveitadas.

Eu bem que imaginei que a reação da criança seria beligerante, mas eu me surpreendi com a intensidade e paixão com que o menino agarrava-se à “fama” que o site lhe trouxe. Já que esta porra dá sentido à vida do sujeito, acho que eu não deveria me espantar tanto. Por diversas vezes no tópico eu rebati a calúnia dele de que eu o havia criticado, mas o Thiagão, que é rápido em procurar e colar comentários que eu fiz no site dele 100 anos atrás, não conseguiu encontrar uma resposta pra uma pergunta que eu fiz há cinco minutos.

Leitura seletiva, acho.

Eu imagino que a resposta que ele gostaria de dar é “Mas Kid, você precisa entender que, enquanto você não tiver aparecido em trinta jornais e dado algumas entrevistas coletivas à CNN, você simplesmente não tem o direito de expressar uma opinião não-favorável ao meu grande site, a menos que o faça escondido de outras pessoas.”

Mas a confusão não pára por aí! Eis que do nada surge ninguém senão Marco Aurélio, um outro blogueiro notório pelo seu incomparável amor à própria pessoa. A confusão ficou trinta mil vezes mais engraçada em menos de dois segundos de participação do Marco.

O careca, dando um excelente exemplo de raciocínio lógico que apenas um egocêntrico de primeira linha
poderia ter, colou comentários que eu fiz no site dele em 2004 e concluiu “Kid, uma vez você me elogiou, não há então como negar que você me amava e queria dar a luz aos meus filhos“. A idéia que o cara alimenta em sua cabeçorra é que, se eu postei um comentário de elogio a respeito de um texto que ele escreveu, a minha vida é senão um palco de adoração à sua pessoa.

Como um membro da comunidade ressaltou, nem quero imaginar o que se passa na mente Aureliana quando ele lê 20 ou 30 comentários lisonjeiros em seu site.

E a confusão continuou nesse ritmo; um ou o outro (que se uniram com o mesmo objetivo em comum: espezinhar aquele que não aceita sua notoriedade) colava um comentário que eu fiz anos atrás, ou citava um outro desentendimento que aconteceu quando eu ainda morava no Brasil, e em seguida vaticinava o non-sequitur de que Thiago é realmente a coisa mais sensacional a atingir a internet desde o email e que todo aquele que não crê só pode mesmo morrer de inveja da incomparável fama virtual do rapaz.


Eu já conhecia o señor Fialho de outros carnavais, mas não fazia idéia de que o cara era tão prepotente. Já o Marco apenas reafirmou o que eu pensava sobre ele há muito tempo – algumas pessoas simplesmente não estão psicologicamente preparadas pra receber muitos elogios.

Pronto, Thiagão. Agora até na merda do HBD você apareceu. Sinta-se à vontade pra empregar o pensamento caminhoneiro mais uma vez, dizendo algo como “sua inveja aumenta meu ibope“.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)