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Postado em 25 April 2006 Escrito por Izzy Nobre 4 Comentários

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De acordo com a ligação que recebi do meu pai ontem de manhã, ele está, de fato, em outro lugar que não é este apartamento. O véio informou que chegou com segurança em Montreal, embora a confirmação telefônica de sua ausência fosse virtualmente desnecessária. A julgar pela impressionante pilha de pratos sujos na pia, os DVDs favoritos dele espalhados pelo chão da sala (apostei com meu irmão que era possível representar um átomo de Irídio com a coleção especial Star Wars. Perdi.) e a recente transformação do que antes era a cama paterna numa sensacional mesa de Dungeons and Dragons, era bem óbvio que a única coisa que mantem a ordem nesse apartamento não está por perto pra chilicar a respeito da bagunça como de costume.

A ausência paterna trouxe um pequeno probleminha colateral – por algum motivo que ninguém jamais entenderá, o velho levou o meu desodorante com ele. Aquele tubinho de Axe (era Axe?) era a única coisa impedindo que meu suvaco se transforme permanentemente num emissor de odores que fariam uma cebola chorar.

Há algum dinheiro na minha carteira, vinte dois dólares e trinta e quatro centavos pra ser mais exato. Um tubo extra de desodorante (ou seja, um item semi-supérfluo, como marshmellow ou controles USB pra jogar emuladores de SNES) representam quatro dólares que eu não precisaria gastar, um golpe à minha economia. Dá pra comprar um booster de Magic com essa grana, caralho! Ok, tá certo, eu não jogo mais Magic. Tá, eu também não sei se o preço de booster ainda é esse. E tudo bem, talvez eu tenha matado uma prostituta e enterrado o corpo dele embaixo de um pé de siriguela quando eu morava no Maranhão. Mas esse não é o ponto! Além disso, meu suvaco já estava cheirando como um gambá que morreu há 15 horas e depois foi mergulhado num balde de amônia em que alguém havia mijado. Sair de casa nessas condições, ainda que o propósito seja minimizar o problema, não é exatamente o tipo de coisa que você devia fazer.

E vamos ser sinceros aí de uma vez por todas – eu simplesmente não gosto de tomar banho. Não pensem que eu sou um hippie comunista estudante de filosofia que mantem longos dreadlocks à base de semestres sem entrar em contato com água, talvez porque a empresa que fabrica a ducha da sua casa desrespeita as convenções estabelecidas pelos Sindicatos dos Trabalhadores de Fábricas de Duchas. Como todo bom leninista, eles fedem como protesto em nome do proletariado, são sebosos por uma ideologia. Eu, por outro lado, tomo banhos diários. E lavo até atrás das orelhas, coisa que eu aposto que vocês não fazem.

Acontece que eu simplesmente não gosto de banhos. Talvez tenha a ver com um dia em que uma tarântula saiu do ralo do chuveiro enquanto eu passava shampoo nas madeixas e cantarolava uma musiquinha do N’Sync, completamente desatento pro que acontecia perto do meu pé. E não, isso não é uma tentativa de piadinha – o pesadelo acima realmente aconteceu, o que me dá uma excelente desculpa pra fingir um trauma inexistente. Ao menos posso justificar o desgosto por banhos.

O leitor-padrão do HBD, o sujeito que provavelmente passou mais tempo jogando Diablo no Battle.net do que a maioria das pessoas passa respirando, certamente é familiarizado com falta de banhos. O típico nerd internauta, ou seja, o público-alvo que eu tenho em mente quando jogo textos neste site, não é o tipo de pessoa que costuma dar importância pra detalhes insignificantes como higiene pessoal. Aliás, eu proponho um desafio a todos vocês. Olhem pros seus teclados e mouses. Se eles não têm uma visível camada de óleo cobrindo toda sua superfície de forma que você possa seguramente usa-los pra caçar espinhas na cara, você não é um leitor HBDIsta de verdade.

Mas até mesmo você compreende a necessidade de uma ocasional visita ao banheiro praquela lavadinha mensal. E nesses dias de falta de desodorante, desenvolvi uma técnica que imaginei que vocês achariam bastante útil.

Então, como eu disse lá em cima, meu pai viajou e levou meu único desodorante. Isso normalmente não seria um problema, caso minhas glândulas sudorípadas não me fizessem o favor de vomitar litros e mais litros de suor em direção aos meus cotovelos. O único paliativo seria tomar um banho a cada 47 minutos, mas puta que pariu, ninguém teria disposição pra isso. “Foda-se”, pensei inicialmente. Enquanto o suor ainda não estiver pingando no chão pela manga da camiseta, não há necessidade de me limpar. Acontece que este luxo é incompatível com a minha habilidade de manter uma namorada. E alguma coisa precisaria ser feita.

Foi aí que tive um insight – pra que lavar o corpo inteiro se a única parte que fede como um queijo podre que alguém esqueceu embaixo da geladeira por cem anos é o seu suvaquinho? Por que não apenas dar um banho no suvaco?

A idéia é tão incrivelmente simples que eu não me surpreenderei se meia dúzia de nojentos comentarem dizendo que eu plagiei um hábito que eles praticam desde os seis anos de idade. Eu tiraria fotos pra ilustrar este texto, mas meu pai levou a câmera digital também. Usarei fotos aleatórias no texto; use a imaginação e faça de conta que elas se encaixam no texto.

Aliás, foda-se. Não vou pôr imagem nenhuma, porque afinal de contas a técnica é muito simples e nem precisa disso. “Banhar o suvaco” é um negócio tão revolucionário e holístico que, apesar de eu nem saber o que a última palavra significa, eu tenho certeza que ela se aplica à prática. Se ela funcionou pra mim e eu ainda tenho uma namorada, deve funcionar com você também, a menos é claro que ela não funcione de jeito nenhum.

Seguinte.

Ao primeiro sinal de corrimentos suvacais, vá pro banheiro. Remova a camiseta. O próximo passo é uma variável, ela dependerá de quanto tempo você demorou pra finalmente sair da frente do computador. Se a resposta foi “três dias”, remova a camiseta tomando o cuidado de que ela não encoste nos seus olhos e jogue-a no lixo.

Apanhe a toalha mais próxima e, usando essa esperteza que apenas um brasileiro pode exibir, confeccione um vestido “tomara que caia” ao redor do seu peito, evitando a área axilar. Lave suas mãos imundas e ensaboe-as. Tasque a espuma no suvaco. Repita o processo quatro ou cinco vezes.

A idéia por trás da técnica é simples – seu suvaco é uma criatura subdesenvolvida; ele não conseguirá diferenciar um banho de verdade de um banho “localizado”. Simulando um banho, seu suvaco voltará à sua condição pristina, isso é, quando ele não fede como um mendigo que caiu num depósito de absorventes usados. E tudo isso sem o incômodo e desconforto de um banho “real”.

Uma técnica tão avançada não poderia deixar de levantar questões polêmicas. Banhar o suvaco faz de você um sujeito asqueroso que não merece participar de círculos sociais (ou receber scraps, muitas pessoas atualmente acreditam que são a mesma coisa)? Banhar o suvaco é na verdade uma prática que deveria ser não apenas desestimulada, mas proibida e punível com sanções da ONU a menos que você tenha motivos religiosos pra usar como desculpa? Banhar o suvaco fará de você uma pessoa que a maioria do mundo ocidental desprezará?

Tecnicamente sim, mas eticamente e realisticamente sim também.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

4 Comentários \o/

  1. Bruno Clef says:

    Isso não pode ser verdade… Não… Não, por deus, nãaao!

  2. Thiago says:

    Já fiz isso amigo. Eu tinha tomado um banho pela manhã e esqueci de passar o desodorante, então as 14h eu já estava fedendo depois de tanto tempo jogando CS, então fui até o banheiro, lavei o sovaco, passei desodorante e voltei para jogar. Só não conhecia essa técnica da toalha, eu simplesmente molhei o banheiro todo.

  3. Guilherme says:

    AuhAHahuhuauhaA mto bom kid!

    O final do texto ficou expetacular!