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Postado em 29 May 2006 Escrito por Izzy Nobre 2 Comentários

Entre muitas outras coisas (blogueiro, imigrante semi-legal, colecionador de items relativos à série Matrix e ex-cristão), sou um estudante voluntário nato, com ênfase no “voluntário”. Isso significa que, embora anos atrás eu fizesse qualquer coisa ao meu alcance pra evitar o estudo, agora que não há a obrigação de aprender é que eu expando meus conhecimentos.

Nos últimos anos de ociosidade concentrada, uma de minhas atividades favoritas é passear a esmo no Wikipédia, clicando em qualquer link que me pareça levemente interessante e absorvendo as informações – provavelmente incorretas – que algum nerd passou dias redigindo e semanas vigiando pra que ninguém substituísse trechos do artigo por xingamentos aleatórios.

E não ouse pensar que me limito à wikipédia! Depois de aprender tudo a respeito da Amazônia e finalmente entender o que diabos é a síndrome de Robinow, abasteço meu conhecimento a respeito de irrelevâncias de cultura popular lendo as trivias de meus filmes favoritos no IMDB. Além de ser um passatempo que me dá uma ótima desculpa pra não lavar a louça de três dias atrás, não há nada que atraia mais o mulheril do que saber detalhes obscuros e curiosidades irrelevantes a respeito de seus filmes favoritos. Confiem em mim, eu não mentiria num site humorístico.

Apesar da minha insaciável sede de conhecimento e cultura, existem três coisas que eu não entendo: mulheres (e sua necessidade doentia em entrar em qualquer loja de roupas assim que as suas atingem mais de um mês de idade); logaritmos (e como diabos eu me formei do segundo grau sem jamais entender patavinas sobre os tais) e o que diabos motiva um ser vivo e dotado de razão a comprar um brinquedo que simule os comportamentos e idiossincrassias de uma criança recém-nascida.

A menos que você tenha nascido no Zimbábue, você deve ter visto brinquedos quando era criança. E a menos que você tenha nascido na China, você tem irmãos, talvez até uma irmã, que algum dia pediu pro seu pai uma Boneca Caga-Mija-Berra da Estrela. Você já viu o tipo – representações plásticas de um bebê recém-nascido que emula o comportamento de uma criança real. Bebês de brinquedo que simulam desentendimentos intestinais são sensacionais, não num sentido “veja o que tecnologia pode fazer!” mas sim num “veja o que a tecnologia está realmente fazendo“.

Eu simplesmente não consigo entender o apelo comercial de um brinquedo que faz tudo aquilo que você desejaria que um bebê de verdade não fizesse.

Vamos aos exemplos práticos.


Na foto acima, Kevin, meu irmão gringo. Ou brasileiro/canadense (braso-gringo, um híbrido?), na verdade, já que segundo o consulado o pivete tem nacionalidade dupla. Brasileiro, canadense ou japonês, o comportamento de um criança recém nascida varia pouco. Eles são basicamente máquinas de comer, cagar e emitir ruídos ensurdecedores cada vez que detectam a presença de alguém com dor de cabeça nas suas proximidades. Eu tava tentando pegar o pivete no ato da gritaria no outro dia, pra fazer um vídeo pra este post, mas o maldito parava de berrar assim que eu me aproximava com a câmera. Vai entender.

Deixa eu fazer um parêntese rápido aqui. Tenho pouca ou nenhuma experiência com bebês, então não sei se isso é o comportamento padrão de fábrica. Mas o meu irmão não apenas chora, ou melhor, ele chora com pouca frequência. O negócio dele mesmo é berrar como se alguém estivesse arrancando as tripas dele com pauzinhos de comida chinesa. Ele fica lá no berço, berrando por horas a fio num som que se assemelha a um pterodáctilo brigando contra o atendente da operadora telefônica por causa de uma conta abusiva, fazendo pausas e mudando de entonação, como se estivesse conversando consigo mesmo. Mas acho que ele pensa que está a quilômetros de si mesmo, e por isso tenta vencer a distância com a zoadeira do caralho.

O que eu estou querendo dizer é que nenhuma das características que bebês apresentam é atraente ou desejável. Chamem-me de inocente, mas eu não entendo o apelo de limpar uma bunda em miniatura cujo dono sequer agradecerá seu esforço, a menos que você considere um poderoso jato de mijo quente no meio do peito e/ou rosto um “obrigado”.

Por que marquetear essas habilidades?

Tá certo, eu sei que existe na mulherada um instinto materno latente (esperando apenas que o primeiro vagabundo a engravide e então suma sem sequer pagar pensão alimentícia pro rebento) que é aliviado pelo manuseio de um bebê de plástico fabricado pela Estrela.

Já que vender brinquedos que saciem seu desespero em tomar conta de um ser vivo que você fará de conta que saiu de dentro de um útero é aparentemente um mercado tão promissor, por que então não criar uma linha de bebês de brinquedo que ressalte as VANTAGENS de pôr um moleque no mundo, ao invés de enfatizar o trabalho sujo da limpeza anal ou a gritaria infernal que impedirá que você assista Jornal Nacional ao menos que sua TV tenha close caption, o que continua sendo uma merda porque você continuará tentando ouvir o Bonner e as porras das legendas atrasadas dez segundos te confundirão todo?

Pôr uma criança no mundo, ao contrário do que você possa pensar, vem com muitas vantagens. Com exceção de ter que lidar com as complicações e responsabilidades da paternidade, ter que re-estruturar sua vida social e profissional pra que estas se tornem compatíveis com a presença do rebento, arcar com suas despesas supérfluas por quase duas décadas e basicamente jogar sua vida na lata do lixo por causa da preguiça de ligar pra recepção do motel e pedir camisinhas extras, ter uma criança trás diversas vantagens pra sua vida. Você pode, por exemplo, comprar um Mclanche Feliz sem que o balconista pense que você é um imbecil atraído pelo brinquedo barato (este no caso é o seu filho); você pode voltar a andar pela sessão de brinquedos sem culpa e encher os braços de caixas de Lego e sem precisar explicar que “é pro seu primo” quando alguém te dá um olhar reprovativo. E tenho certeza que deve haver alguma outra vantagem, ou esse planeta não estaria superpopulado.

(Ou isso, ou ninguém jamais aprendeu que pinto não tem ombro até que fosse tarde demais).

O objetivo desse post é explicar que eu morro de medo de me tornar pai. Sempre que a namorada me aparece com “novidades” relativas a controle de natalidade como “ahhh, me falaram que eu posso tomar a pílula assim ou assado e a efetividade continua a mesma, acho que vou tentar só pra ver se é verdade, sem a menor necessidade ou preocupação com as consequências devastadoras que essa experiência pode provocar!” num canto distante da minha mente ouço os berros do Kevin. Sinto os pelinhos do pescoço se arrepiarem e imploro que ela apenas engula a porra do negócio do jeito que o médico mandou, sem inventar moda.

Espero que vasectomias não sejam muito caras. Aliás, foda-se vasectomia, objetos afiados e testículos não deveriam jamais estar em proximidade. Vou emplastificar a piroca.

Tomara que não cobrem por centímetro.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

2 Comentários \o/

  1. Anônima says:

    Leitora oculta, oi. 8D
    Nunca gostei desses brinquedos, a minha única obsessão são bichos de pelúcia, como o meu leão tamanho GG. Não vejo a graça daquela porcaria, e realmente, se é assim, não tenho nenhum resíquio de instinto materno.

  2. Pedro Ivo says:

    Tu tá quase casando. Daqui uns 3 anos, vai ter teu primeiro filho. Quando isso acontecer, vou ler este post de novo e RIR ALTO.