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Postado em 24 July 2006 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Embora seja absolutamente normal odiar seu trabalho, quando você começa a desejar que um corpo celestial caísse em cima do seu escritório derretendo o corpo dos seus gerentes e criando uma cratera de alguns quilômetros de diâmetro, sei não, talvez seja a hora de procurar uma nova carreira.

E foi o que fiz. Na quinta-feira, decidi (enquanto vendia uma casquinha de caramelo pra um pivete que é freguês costumeiro) que já bastava daquela vida de vendedor móvel de sobremesas. Tava cansado do pagamento inconstante (receber por comissão é um lixo, aprendam), do trabalho cansativo, do chefe filho da puta, e principalmente das crianças berrantes e mal educadas. Após pesar as consequências da possível demissão – pindaíba terrível, mas sobrevivível -, concluí que tava na hora de largar aquele trabalho.

Sete horas antes do meu turno acabar, dei tchau pra molecada e praquela vizinhança e segui pro escritório da Frosty Freeze. Meu chefe, naturalmente, não gostou nem um pouco da minha chegada antecipada, mas o que ele poderia fazer? Me demitir?

A gerente me pagou o que me devia de mal grado, e eu virei as costas praquele lugar pela última vez. O dinheiro que eu fiz nos 2-3 meses trabalhando naquela merda veio a calhar, mas não se engane – era um trabalho asqueroso.

Com a mochila nas costas, 200 dólares no carteira (que, com o aniversário da namorada no horizonte, dificilmente durariam até o final do mês que vem), um monte de currículos desatualizados (seria precavido remover o trabalho anterior e nome do ex-chefe, pra evitar uma referência caluniosa) e nada pra fazer pelo resto do dia, decidi passar pelo centro inteiro entregando os currículos e requisitando emprego.

Meu principal alvo eram os restaurantes, um santuário para imigrantes com situações ainda não totalmente regularizadas. Esse tipo de estabelecimento, ainda por cima quando são lugares pequenos, geralmente exige uma única capacidade – o domínio, ainda que precário, da língua inglesa. Passando nesse requerimento, você ganhou o emprego.

Ao menos em teoria, né. Confiante, espalhei uns 10 currículos pelo centro comercial da pequena Oshawa e logo na sequência fui pro shopping com um amigo pra comprar umas airsofts (já já explico mais sobre isso aí também). Como o shopping fica a menos de 10 minutos de caminhada do centro, não precisei gastar mais dinheiro com transporte.

Não havia nem passado uma hora desde a minha chegada ao shopping quando meu irmão manda uma mensagem no celular mandando eu ligar pra ele imediatamente. “Nossa, alguém morreu“, pensei instintivamente.

Ligo pro moleque e, surpresa: Já havia emprego procurando por mim. A mensagem passada pelo irmão é que eu deveria estar lá num dos restaurantes que visitei em quatro horas, pra uma entrevista. Ou ao menos eu achava que era entrevista – quando cheguei no lugar no horário determinado, a galera apenas jogou um avental em mim e apontou pra uma pilha de pratos sujos que solicitavam um banho.

O trabalho é fenomenal. Eu sei que muitos aí ficam pensando “não é possível, tudo que esse moleque conta sobre a vida dele – até os detalhes mais irrelevantes – parece ser um conto de fadas! Vai te foder, Kid!“, mas eu estaria mentindo se dissesse que não estou adorando o novo trabalho. Em primeiro lugar, esse trampo matou a minha neurose de achar que não seria capaz de achar emprego até a legendária aprovação do processo de imigração (que já vai levando um ano). Em segundo, o emprego paga melhor (bem melhor) que as picolezadas. E finalmente, eu trabalho apenas TRÊS horas por dia. Sobra tempo até demais pra fazer qualquer outra coisa nos dias em que eu trabalho, um luxo que Frosty Freeze e seus turnos de longas 10 horas não me permitiam.

Isso por si só já me fez incrivelmente feliz por conseguir o emprego. O fato de que a galera com quem eu trabalho é sensacionalmente gente boa apenas ajudou. Quando a chefia não está por lá, a cozinha vira uma putaria – nego cantando, dançando, jogando comida uns nos outros e fazendo várias outras peraltices que fazem o tempo passar mais rápido do que você esperava. E isso sem contar a comida grátis – na ausência do patrão, os funcionários tomam a liberdade de preparar comida pra si mesmos sempre que dá na telha. Ontem observei maravilhado uma das garçonetes depositar um prato cheio de nuggets de frango na minha mesa, dizendo “there ya go, new guy“. E não, não havia sido um pedido que um freguês recusou – eu testemunhei a confecção dos meus nuggets, que eram exclusivamente para a minha pessoa.

O pagamento é toda segunda. Comecei na sexta, e hoje já tem um paycheck me esperando lá.

Aliás, tenho que tomar um banho e ir trabalhar. Imagino que o novo trabalho gerará toda uma saga de posts envolvendo estripulias na cozinha do restaurante.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)