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Postado em 26 July 2006 Escrito por Izzy Nobre 2 Comentários

Peraí que eu vou falar.

A única coisa mais previsível que o surgimento de uma modinha de estação é a subsequente MODINHA DE ODIAR A MODINHA.

É batata. Seja lá qual seja o novo estilinho que a “mídia” (argh) tenta empurrar em cima dos mais sugestionáveis por meio de hipotizantes e satânicas ondas de TV, sempre vai ter a turminha metida a alterna (em outros tempos chamaríamos estes de COMUNISTAS SUJOS) que automaticamente odiará a modinha, por via de regra. Pode ser até que você simpatizasse com a nova onda, mas no momento que ela adquire o status oficial de MODINHA, é como se cada célula e organela e trompa de Falópio em seu ser se dedicasse 24 horas por dia a odiar a tal modinha com todas as forças possíveis, até que mal sobre energia pra respirar. E aí você odeia mais um pouco, porque na sua mente alterna é melhor morrer que habitar um mundo com pulseirinhas amarelas e garotos pseudo-deprimidos que usam óculos de aros grossos.

O motivo do ódio? Nenhum mesmo, na verdade. Raiva de modinhas é o ódio mais gratuito que possa existir, perdendo apenas para ódio dos judeus e ódio de mortadela, que eu vergonhosamente admito cultivar (não as mortadelas, mas o ódio por elas). A aderência de outrem a uma certa moda influencia tanto a minha vida quanto as oscilações da bolsa de valores da Nova Zelândia, então pra quê gastar esforços na árdua tarefa de odiar o fenômeno?

Odiar alguma coisa dá trabalho. Dá mais trabalho do que gostar, aliás. Se você adora, digamos…


CODY MATHERSON!!

…ou…


BUTCH YELTON AND THE UPBOUND!!!

…, ninguém te fará perguntas chatas do tipo “ahhhh meu mas como você não gosta deles?!” Tanto os outros fãs dos artistas acima te deixarão em paz, como as pessoas normais. No máximo perguntarão qual sua música favorita, e aí você lembra das duas únicas que conhece e pronto. Tudo fica bacana.

Mas não. Se você odeia, todos esperam que você tenha um BOM MOTIVO pra odiar seja lá o que for. Então você terá que ouvir todos os discos de seja lá qual banda você odeia, terá que entender como a carreira deles começou e tudo – só pra poder no fim dizer “ah, eles se venderam, sabe” achando que é a única pessoa no mundo que entende a mudança de artista independente pra artista contratado. Ou então “ah, eles nem sabem tocar, ouve aí essas musiquinhas deles!” como se isso tivesse impedido bandas de outras gerações de se tornar aclamadas por público e crítica. Vide Ramones.

E depois de toda a investigação, o indivíduo sentirá a necessidade de divulgar seus achados. Claro! Como todos vão saber que você é super subversivo se você não mostrar pra eles? Tome textos de dimensões monográficas pra justificar o seu desgosto com a forma que as modinhas dominam geral. Pra verificar esse fenômeno, basta passar por blogs aí afora.

Isso atingiu níveis imbecil nos últimos meses. Acho que é porque fomos atacados por várias tendências diferentes em pouco tempo. Um sacrifício virginal geralmente acalma a fúria dos deuses, mas quem disse que eu consigo convencer uma a vir aqui em casa? Eu explico que a virginidade delas está causando esses infortúnios, mas aí elas começam a choramingar dizendo que têm apenas 13 anos ou então dão outras desculpas furadas. Bah.

Mas ô, quase esqueci o que tava falando. O negócio é que de dois em dois meses, aparece aí alguma coisa nova com a que a “mídia” (porra, usei de novo) se enamora. Seja pulseiras Livestrong, seja emocore, seja bonezinhos de nomes impronunciáveis (ou não, é que eu queria usar “impronunciáveis” num texto), seja dar a bunda, whatever it may be. Se cinco mil aderem a essas ondas, pelo menos mil e duas pessoas irão automaticamente, sem o menor motivo aparente, odiar.


Zoar emos faz bem pra pele.

Tirar onda com grupinhos é tipo beber uma cervejinha. É bacana e com moderação não faz mal a ninguém, mas nego tende a exagerar. Quando se menos espera, é noite de Natal e seu tio está totalmente bêbado e decidiu que seria engraçado tentar subir no pinheiro enfeitado no canto da sala. Sua vovozinha de oitenta anos tenta acalmá-lo, mas acaba levando um sopapo no meio da cara diante de todos os familiares chocados. O tio bebum acaba vomitando em cima do seu priminho menor e do seu presentinho, um Power Ranger falsificado comprado no dia anterior pela sua mãe de um camelô porque, afinal de contas, o moleque só tem três anos e vai acabar comendo o boneco de qualquer jeito.

É aí que a piada começa a perder a graça. O ódio sem motivo acaba virando uma própria moda.

E entendam bem, não há motivo pra esse ódio todo. Digamos que um moleque usando Nike Shox, cinco pulseiras Livestrong e uma camisa do My Chemical Romance matasse seus pais, sua namorada, cagasse no seu peito e finalmente cortasse seus braços – de forma que você não pudesse limpar a merda. Foi premeditado.

Taí, esse é um bom motivo pra odiar um portador da moda, talvez até todos eles. E ainda assim seria um certo preconceito, porque os outros modistas não têm culpa de ter um assassino com os mesmos gostos que eles. “Não generalize, ôu!” diriam os outros emo. Mas estou fugindo do tema.

A questão é: quem aí tem uma história trágica assim pra justificar seu ódio?

E como citei lá em cima, o problema final é que os odiadores não se conformam com o bom e velho ódio e precisam propaga-lo – em toda sua insignificância – para o mundo. Como blogs são o último reduto de comunicatividade de pessoas descoladas, tome postagens sobre o porquê das pulseirinhas Livestrong serem sinônimo de viadagem, ou como é ridículo ouvir Good Charlotte, ou qualquer outra coisa super radical e anti-conformista. Multiplique o número de blogs falando do assunto por mil. Some quatrocentos. Divida por 4.5 e multiplique de novo por três milhões. O número que você pensou foi cinco, não foi?

É como se os hippies estivessem de volta, mas pior porque os hippies ao menos tomavam porrada de polícia naqueles tempos.

Não faltaram pedidos nas últimas semanas pra que eu ressucitasse o Manual dos Góticos numa (que seria clichezíssima) versão emo. Muitos pediram há uns meses que eu fizesse uma paródia com as pulseirinhas da campanha lá do câncer, ou seria lepra, eu não lembro agora. Todos se achando super descolados porque vêem as mazelas das modinhas e não as aceitam.

Não entendo como esse pessoal pode sempre pular no mesmo grupinho de ódio e ainda assim achar que está sendo super diferente por não adotar as modas. “Ai ai ai, olhem essas pulseiras, que gay né?” ou “Ai ai ai, olha esses emos, que bichinhas né?” ou “olha esses Von Dutch, que feio isso”. Todo mundo falando a mesma coisa ao mesmo tempo, todo mundo postando a mesma coisa ao mesmo tempo, todo mundo odiando a mesma coisa ao mesmo tempo, mas em seu íntimo se achando super individual. Como se estivessem gritando desesperadamente “olha pra mim, não sou afetado pelas dinâmicas de comportamento de grupo, hihi!” Nem que eu tentasse muito poderia criar uma paródia tão irônica quanto essa dicotomia dos odiadores de modinha.

E o irônico é que é impossível falar sobre o fenômeno dos odiadores de modinha sem se tornar, de um certo modo, um odiador dos que odeiam modinhas. Acabei de fundar meu próprio clube.

Enfim, parem de odiar as coisas, dá mais trabalho. E se realmente querem odiar, ao menos sejam originais e odeiem algo que não esteja tão em voga e que ning
uém mais odeie.

Mortadela, por exemplo.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

2 Comentários \o/

  1. Tarciana says:

    Você escreve muito bem, e é totalmente verdade..

  2. #PiPo O FuMaNtE JuVeNiL # says:

    seu troxa putas troxas oriivel isoo nem si porque estou escrevendo neesee lixo escrevi isooo so para falara quee vcs sao tudo um banndo de troxa serus paul no cu vao to mar no cu troxa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! ,,i,,