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Postado em 1 August 2006 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Se você tem um modem há mais de dois dias, já deve ter notado que é mais fácil cagar uma barra de ouro puro do que encontrar pessoas inteligentes na internet. E mais frequente que os imbecis virtuais, são os manés que disfarçam sua cretinice com algumas pitadas de conhecimento geral e um mínimo bom senso, o que levaria você a imaginar que está diante de alguém comum. Mas não está. Este sujeito com quem você animadamente debate o sistema de cotas ou a guerra no oriente média, por mais efetivo que seja seu disfarce, não passa de mais um dos infinitos débil mentais que uma conexão com a internet liga a você.

Por que é tão difícil encontrar pessoas inteligentes na internet? Para responder essa pergunta, você precisa entender um aspecto muito importante das comunicações internéticas em geral – a internet provoca cretinice. Enquanto no mundo real uma discussão acalorada sobre, sei lá, aquele referendo do desarmamento terminaria com um dos dois lado admitindo que opiniões são opiniões e que se há uma coisa sagrada que todos concordam, é que o PS2 é muitíssimo melhor que um Xbox, a mesma discussão na internet não acabaria de forma tão feliz. Você diria que o sujeito defende o desarmamento porque ele está aprovando um improvavel golpe de estado, enquanto o outro diria que sua opinião pró-armas apóia a violência no país, e antes que o moderador do fórum pudesse suspender um de vocês dois, mães já estariam envolvidas nos xingamentos e alguém acabaria com uma denúncia registrada no Ministério Público por calúnia e/ou difamação.

E por que isso acontece? Porque ninguém inventou ainda um periférico que permita esmurrar um internauta através de seu monitor. Enquanto a comunidade científica se ocupa com bobagens que vão desde cura do câncer a exploração espacial, eu não posso discutir tranquilamente na rede virtual sem que um imbecil meta as fuças no meio da conversa e vomite seus pensamentos desconexos que apenas com muita boa vontade poderiam se passar por um argumento. No dia que a Creative lançar seu esmurrador remoto de pessoas imbecis (contanto que o aparelho não exija o pagamento de um serviço adicional, nos moldes do Xbox Live), estarei na fila da Best Buy.

Como um bom desocupado (bom, na verdade nem tanto atualmente, mas serei sempre um vagabundo de coração como vocês), eu me encarreguei com a tarefa de identificar e quantificar a imbecilidade do Internauta Comum. Após ler este texto, você nunca mais terá que se perguntar “Será que este sujeito que defende a qualidade musical do último CD dos Los Hermanos é um imbecil?”, embora essa devesse ser uma pergunta retórica pois é sabido que qualquer pessoa que não nutra desprezo pela banda é, de fato, um idiota.

Primeiro patamar de imbecilidade
Pessoas que pontuam frases com pontuação excessiva
É impressionante que nos dias de hoje ainda há pessoas que criam tópicos em fórums com o título “alguém sabe onde posso pegar o instalador do fotoshope” acompanhado de trinta ou trinta e um pontos de interrogação, costumeiramente enfiando um ponto de exclamação no meio ou algumas barras e uns. O que eles estão pensando? Que a quantidade exagerada de pontuação desnecessária irá apressar a resposta à sua dúvida?


Não demorei mais de trinta segundos pra achar um bom exemplo desse tipo de comportamento. Ahh, orkut.

Sinto um misto de pena e desprezo quando presencio um destes retardados (que infelizmente são bem mais numerosos do que um Deus justo e amoroso deveria permitir) comunicando-se com sua característica pontuação excessiva. Na maioria esmagadora dos casos que presenciei em minha longa interação com a rede mundial de computadores, pessoas que pontuam frases com “!!!!!!!!?????” costumam também usar “rsrs” e enviar pros seus familiares apresentações de powerpoint que já eram velhas quando o muro de Berlim caiu. Preciso dizer mais alguma coisa?

No mundo real, este imbecil…
Seria o tipo de pessoa que, durante uma conversa entre amigos, faz um comentário irrelevante qualquer em forma de uma exclamação exagerada. Imagine a situação:
— Porra, eu adorei aquele filme, gente boa.
— Eu também. Bons efeitos especiais, ein?
— É VERDADE PESSOAL, AQUELE FILME FOI O MELHOR QUE EU ASSISTI ESSE ANO!!!!!

Evite qualquer contato com esse tipo de gente, ainda que seja apenas contato visual a uma distância de cinquenta metros.

Segundo patamar de imbecilidade
Pessoas que correm pra delatar outros internautas pras autoridades forísticas
Embora há alguns anos (lá por volta da quinta série) xisnovear coleguinhas de sala pra “tia” e assistir a subsequente confusão era divertido, saudável e até educativo, é provavelmente uma boa coisa o fato de que a maioria das pessoas evoluiu daquela fase (também conhecida como “pré-adolescência” ou “virgindade”). Entretanto, além de pornografia, a internet também é notória por trazer a tona a criança retardada que vive dentro de cada um de nós.

E um dos comportamentos clássicos desse tipo de gente é a mania quase patológica de delatar os outros.

Sou dono de algumas comunidades grandes, e não há nada mais abundante em uma comunidade grande que imbecis. Esses imbecis ainda não domaram as técnicas mais rudimentares de convívio social, então eles costumam falar e fazer idiotices o tempo todo, irritando a parcela não-imbecil da comunidade – assim como uma segunda qualidade de imbecis, também. Estes últimos se imbuem da responsabilidade de caçar os provocadores de confusões e destruir sua influência maligna no ambiente. Todo dia recebo scraps e emails me avisando de que alguém falou “porra” durante um debate sério, ou que um outro fez montagens com as fotos da namorada de um terceiro, e daí pra baixo.

Os dedos-duros virtuais vivem num mundo fantasioso em que a infraestrutura de um site como o orkut não poderia resistir sem a sua influência benevolente, e portanto agem de acordo. Como a Odeio Acordar Cedo poderia funcionar normalmente (e por “funcionar normalmente” entenda-se “exibir centenas de tópicos de joguinhos irrelevantes e um ou outro spam genérico”) sem que eu a vigiasse constantemente, impedindo que baderneiros orkúticos exalem o fedor da confusão virtual no coreto??!!//1

Normalmente, delatores virtuais abraçam a agradável ilusão de que eles são de alguma forma superiores aos criminosos virtuais que deduram. Isso nao passa de um engano; embora suas imbecilidades se manifestem de formas dimetralmente opostas, ambos ocupam o mesmo patamar de imbecilidade online – e ainda assim, considera-se o incitador com um pouco mais de prestígio que o justiceiro virtual, porque enquanto o incitador age por lazer, seu antagonista defende o ambiente virtual como se isso fosse algum tipo de trabalho voluntário não-remunerado. E todos sabemos que tipo de gente faz trabalho voluntário – hippies.

Alguns vão ainda mais longe em sua disposição em policiar a internet e até “formalizam” a coisa (o que reflete uma violenta necessidade de reconheimento). Quando três ou mais desses indivíduos se reúnem, surgem abominações como os auto-proclamados Justiceiros do Orkut. Tais comunidades se sustentam tanto pela colossal estupidez de seus membros, quanto pela seu igualmente colossal desejo de anexar uma mínima quantia de autenticidade ao seu grupo de vigilantes da interwebz. Os casos mais perdidos dessa espécie pensam até em registrar seu grupinho em cartório, isso se já não tiver impresso carteirinhas de sócio para os companheiros.

No mundo real, este imbecil…
…Seria como o Diego Alguma Coisa, que era por sua vez um moleque roliço com quem eu cursei a t
erceira ou quarta série há bilhões de anos atrás. Estudávamos num colégio religioso (a orientação era adventista, pros curiosos), e conversar telepaticamente com Jesus logo no início das atividades escolares diárias era uma prática inviolável. Por um motivo ou outro, num belo dia decidi que não estava afim de bater papo com divindades e manti meus olhos anarquicamente abertos durante a cerimônia.

Aí que entra Diego Alguma Coisa, que foi rápido em avisar à professora ao fim da oração que “O ISRAEL TAVA DE OLHO ABERTO EIN TIA!” Jumentíssimo, a rolha de poço não deve ter notado que com a sua acusação, ele havia acabado de admitir que também não havia participado do ritual religioso.

Não sei que fim levou o desgraçado, mas consigo até imagina-lo enviando scraps pros moderadores de suas comunidades favoritas, avisando que o Fulano de Tal e o Sicrano da Silva são na realidade semeadores da discórdia.

Terceiro patamar de imbecilidade
Pessoas que abraçam fama virtual inexistente
A internet deu a muitos Zé Ninguém a oportunidade de falar bobagens pra um número bem maior de pessoas do que a geografia normalmente permitiria; invariavelmente, alguém acabará achando que o Zé Ninguém é um rapaz muito especial e, meu deus do céu, vai até admitir pro rapaz sua opinião via um email elogioso muito bem redigido, tomando o maior cuidado de se identificar como um “não-paga-pau, como aqueles outros”. Quando dez ou mais pessoas fazem o mesmo num espaço curto de tempo, Zé Ninguém começa a achar que é de fato algum tipo de celebridade. É o nascimento de uma estrela virtual.

Já tive encontros com estrelinhas virtuais no passado (ou, em retrospecto, pessoas que acreditavam ser estrelinhas virtuais), mas em casos como o do famosíssimo Thiago Fialho, ao menos havia algo que pudesse levar o coitado a ver-se como algum tipo de ganhador do prêmio Nobel ou coisa que o valha – afinal, o Fialho é dono do mais famoso e simultaneamente desconhecido videolog da internet do mundo inteirinho, supostamente o primeiro de toda a galáxia, e isso deve valer ao menos uma entrada grátis no cinema local quando você informa o guichê de que tremendo VIP você é. Entretanto, o orkut está fazendo muita gente acreditar que é importante por motivos bem mais idiotas.

Disclaimer: pra ser sincero, poucas coisas são mais idiotas que se achar mundialmente famoso porque o seu site idiota com vídeos que rivalizam em idiotice tem 300 visitas diárias e foi citado numa coluna de 4 linhas na Gazeta Semanal de Juazeiro do Norte, mas darei uma colher de chá pro garoto Fialho, porque ouvi dizer que o primo dele conhece um sujeito que tem o telefone de um advogado.

Como eu estava dizendo, os sedentos por reconhecimento acharam no orkut um novo motivo pra gabar-se de sua influência inexistente – números arbitrários regidos por um software mais bugado que a versão beta do Windows 3.11 e que na verdade não significam absolutamente NADA.

Quantas vezes você estava xeretando o perfil de sua ex-namorada e acabou sendo atraído a um outro perfil, um que mostrava uma garota mais exuberante, apenas pra ser surpreendido no perfil da vadia com pedidos chorosos de que você junte-se às variadas comunidades de pobres coitados que supostamente a amam?

Como se o orkut não fosse exclusivamente lotado de comunidades imbecis e que o ato de criar uma comunidade exija tanto esforço quanto beber água usando um canudinho motorizado, algumas pessoas têm o ego masturbado quando são informadas de que alguém montou um grupo em sua homenagem, como se isso fosse o equivalente a usar seu nome pra batizar um navio ou esculpir um busto de marfim ou algo assim. Mais que isso, a pessoa (geralmente mulher, vai entender) joga qualquer sombra de dignidade na privada e passa a rastejar-se nas sarjetas virtuais daquele antro de idiotas recrutando mais participantes pras comunidades criadas em sua honra.

Isso pra não mencionar alguns sujeitos que, quando não se gabam do número de “amigos” que mantem no site, queixam-se em voz alta em relação aos bugs orkúticos que exibem no perfil do sujeito um número de “fãs” inferior ao que ele realmente tem. Notou as aspas sarcásticas? Não costumo usá-las sem bom motivo. A definição de “amizade” no orkut é “atitude de aceitar meu pedido virtual por meio de um clique em um botão”, ao passo de que o significado de demonstrar admiração fanática é “atitude de… clicar em um botão”. Se você está convencido de que o fato de que 500 pessoas clicaram em um botão em sua honra significa que eu devo reconhecer a sua importância, por favor, vá lamber sua própria bunda.

No mundo real, este imbecil…
Eu nem consigo imaginar que tipo de comportamento seguiria a já horrível atitude de respectivamente esmolar e se gabar atenção e importância no orkut, o que é um bom sinal para a humanidade em geral.

Quarto patamar de imbecilidade
Vovôs virtuais e seus maçantes sermões sobre educação internética
Já percebeu que você mal pode mandar um idiota se foder que rapidamente um policial elitista da moral e bons costumes aparece em cena pra dar a sua opinião babaca a respeito de que você não tem o direito de se expressar daquela forma na internet, e que blá blá blá blá blá? Sob investigação mais cuidadosa, 90% dos indivíduos que opõem-se às suas demonstrações de liberdade de expressão revelam-se ter mais de quarenta anos. Aí reside uma combinação drasticamente idiota – gente velha e a internet.

Gente velha – e pra fim de debates, estabeleçamos “gente velha” como qualquer ser humano vivo que já era adulto nos anos 80 e que portanto não pôde apreciar clássicos como Capitão Planeta ou Família Dinossauro* – tem uma habilidade impressionante de não se adaptar a mudanças. Idosos não apenas não se adaptam aos avanços da sociedade ao seu redor, mas ativamente lutam para manter um ambiente de comportamento retrógrado e ultrapassado onde quer que estejam.

Vamos deixar algo bem claro – se eu estou mandando alguém se lascar, esta pessoa provavelmente merece o gasto de energia resultante na digitação e publicação de tal ofensa. Se eu julguei que o dispêndio de tempo e esforço dedicados na tarefa de ridicularizar o sujeito perante seus coleguinhas era justificável, compreenda, você simplesmente não sabe do que está falando se tenta argumentar comigo que eu não devo tratar as pessoas desse jeito e que no seu tempo os mocinhos eram mais educados e a gasolina era mais barata e computadores ainda tinham monitores monocromáticos e blá blá blá blá. Você fala demais, e pior que isso, fala demais sobre algo que ninguém quer ouvir. Cale a boca e aceite que a internet existe com o único propósito de facilitar a entrega de ofensas mundialmente.

No mundo real, este imbecil…
Assiste novelas reprisadas no Vale a Pena Ver de Novo e relembra nostalgicamente a respeito de que, quando a novela passou pela primeira vez, os comerciais nos intervalos eram da Mesbla e das Lojas Riachuelo. E também que naquela época um garoto de 14 anos não tinha métodos tecnológicos pra utilizar quando queria desrespeitar um idoso.

Bom, isso é basicamente um resumo de todos os imbecis que povoam o orkut e a internet em geral. Há aqueles que vão além de nossas expectativas e não se enquadram em apenas um, mas dois ou até três perfis de imbecis virtuais.

Desafio você a se dirigir à comunidade mais próxima e não encontrar ao menos dois internautas que se encaixem direitinho nas descrições que você acabou de ler aqui.

É batata.

*Aê vel
harada que lê este blog: façam-me o favor de me poupar do comentário clichê “ahhhh mas eu tenho 50 anos e curtia Capitão Planeta e/ou Família Dinossauro!

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