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Postado em 15 September 2006 Escrito por Izzy Nobre 1 Comentário

Nerds de todas as faixas etárias, religiões e guildas de World of Warcraft ao redor do mundo já preparam as carteiras (suas ou dos pais) em antecipação pela chegada da já célebre “Nova Geração” – sempre com maiúsculas porque o assunto é muito sério – de equipamentos eletrônicos de entretenimento visual interativo que fazem seu dinheiro e sua frequência de banhos diários desaparecerem misteriosamente. Alguns argumentariam que a tal Nova Geração, aguardada desde o momento em que o primeiro dono de um PlayStation 2 imaginou “…já pensou quando eu estiver comprando o PlayStation TRÊS?“, já chegou há algum tempo, juntinho com o lançamento do Xbox 360. Outros, partidários de uma competição mais equilibrada, decidiram que a Nova Geração só estará valendo quando os consoles da Sony e da Nintendo derem suas caras e o que rola no momento é um mero café-com-leite onde a Microsoft brinca sozinha contra as paredes. No entanto, a pergunta realmente importante não foi feita ainda: O que diabos você sabe a respeito desse negócio?

Como o assunto começa a se tornar pauta até nas rodinhas de bate-papo de brasileiros (que obviamente deveriam ser os últimos a se preocupar com a tal Next Gen, uma vez que o preço na etiqueta de um desses novos videogame poderia sustentar uma família de quatro membros por doze anos incluindo visitas frequentes ao Beto Carreiro World), nada mais justo que um dossiê meu, de nerd para nerds, sobre a parada. Após ler este texto, você estará suficientemente informado pra tomar decisões a respeito de que console você implorará sua mãe pra liberar o cartão pra você comprar em 18 vezes sem entrada e sem juros pra pagar a primeira parcela só em 2890 no calendário Maia, e contra qual console você mostrará repúdio público em fóruns na Internet.

E como há repúdio em relação a videogames na Internet! A julgar pelo que algumas pessoas postam por aí sobre a Microsoft ou a Nintendo ou a Sony ou a Brastemp seja lá qual a empresa particular que eles particularmente odeiam neste dia em particular, você imaginaria que os presidentes das tais companias estupraram parentes do sujeito após passar duas semanas consecutivas ligando pras casas deles e desligando em seguida e/ou tocando Los Hermanos nas caixas de som do computador e segurando o telefone bem na frente. Ao contrário de todos os outros textos sobre a Next Gen que você encontra por aí, neste aqui eu vou tentar evitar aquele fanboyismo nojento típico de neguim que age como se uma determinada empresa videogamística desse razão e significado pra sua existência sebosa. Tratamos com FATOS aqui, porra, e não com opiniões retardadas vazias de qualquer embasamento real, alimentadas unicamente pela sua vontade em atingir prazer sexual molestando-se com controles do seu console favorito.

Como vocês devem saber (e se não sabem, não consigo imaginar o que diabos você faz lendo este site), ano que vem a briga nas prateleiras e em leilões do eBay será travada entre o Xbox 360 – já disponível atualmente -, o PlayStation 3, que deve chegar em novembro se eu não estiver horrivelmente enganado, e o Wii, até pouco atrás conhecido como “Revolution”, a próxima tentativa da Nintendo de se redimir de tudo que veio aprontando nos últimos dez anos (começando pela aberração que foi o Nintendo 64. E se alguém me explicasse o que diabos eles estavam pensando quando lançaram o Rumble Pak, eu agradeceria).

Vamos entender um pouco melhor sobre cada um dos videogames que muito em breve estarão disputando seu dinheiro.

Xbox 360

Reza a lenda que a Microsoft tem hábito de tentar corrigir com Relações Públicas e slogans o que eles fodem absurdamente na área técnica, e o Xbox 360 não é uma exceção. O próprio nome do console é uma jogadinha safada de marketing; segundo a IGN (um respeitado site de videogames que você provavelmente já conhece), a idéia por trás do “trezentos e sessenta” é não deixar o console soar tecnicamente inferior ao PlayStation TRÊS, que era o efeito o que eles receavam que um título como “Xbox 2” carregaria. Em minha modesta opinião eu recearia que o novo Xbox pareceria tecnicamente inferior ao PS3 porque é realmente tecnicamente inferior ao PS3, mas eles são os profissionais milionários, não eu. Então passemos adiante.

O Xbox 360 veio para usufruir a imensa popularidade que o seu antecessor alcançou na América do Norte e em basicamente nenhum outro lugar no globo terrestre. Diz-se que no Japão (e você sabe que na Internet, a opinião japonesa é a única coisa que importa), o primeiro Xbox foi tão rejeitado que algumas pessoas têm medo de usa-lo até mesmo como calço de porta, receosos de que espíritos malignos que ocupam o interior do videogame causem câncer nos habitantes da casa.

Disponível desde o fim do ano passado, o Xbox 360 mostrou grandes inovações e melhorias em relação ao seu predecessor. Pra começo de conversa, o Xbox 360 não tem o tamanho de uma geladeira como o antigo Xbox, o que é um ponto positivo. A Microsoft deu uma melhorada no seu já excelente serviço Xbox Live, que conecta jogadores através da Internet para jogar NFL 2006 quando deveriam estar estudando ou consertando a pia da cozinha. O console vem com um controle wireless (se você resolveu gastar um pouquinho mais com o Premium System) com alguns botões extras e novas funcionalidades bem vindas, como a possibilidade de acessar o sistema operacional do videogame no meio de um jogo, sem interromper a partida nem nada.

Mas estamos falando da Microsoft, e é óbvio que elogios não poderiam passar de um parágrafo. Rumores dizem que a finalização do Xbox 360 foi desesperadamente apressada pra coincidir com o Natal americano, e o fato de que muitas unidades vieram com problemas de fábrica (alguns até pegaram fogo) parece corroborar a crença de muitos que o Xbox 360 teve seus componentes colados com papel machê e cuspe.

O console já aproxima seu primeiro ano e, como veterano na corrida Next Gen, será por algum tempo o sistema com mais jogos disponíveis. Como o que importa no final das contas são os jogos, o novo Xbox 360 terá a seu favor o fato de oferecer o maior número de títulos.

PlayStation 3

Ah, o PS3. Há tanto pra falar sobre o videogame que eu não sei nem por onde começar. Aliás, sei sim – Blu-Ray.

Os nerds mais antenados devem estar ligados no Blu-Ray, o formato de mídia que supostamente virá pra enterrar o DVD. Pra substituir um formato tão bem sucedido e popular como o DVD, você imaginaria que o tal Blu-Ray é capaz de fazer ligações interurbanas de grátis, de lavar suas roupas e de convencer um Testemunha de Jeová a não bater na sua porta num domingo de manhã, mas a única melhoria do novo formato é, basicamente, maior armazenamento. Porque você sabe como estúdios precisam de 900 terabytes disponíveis num disco para encher de featurettes, making of e comentários de diretores que mais da metade dos consumidores sequer dá a mínima. Seja sincero aí, quando foi a última vez que você sentou pra assistir TODO o conteúdo do seu DVD extra de De Volta Para o Futuro? Eu sou fã doente da série desde os 13 anos, tenho o boxset e muito tempo nas mãos, e nunca assisti.

Mas que seja, espaço extra não é exatamente um “problema”, certo? Errado. Ele é um problema, se esse espaço extra vem com um custo exagerado e o fato da exclusividade da mídia. A situação em torno do Blu-Ray não é tão simples.

Resumindo a história, Blu-Ray
custará CARO. A propósito, é por causa do leitor de Blu-Ray que o PS3 custará abusivos 600 dólares. Aí os burgueses que vocês são dizem “foda-se, minha tia mora nos EUA e vai trazer pra mim“. Se preço ainda não é um problema pra você, espere ouvir a próxima parte do probrema.

Entenda a “bigger picture”: a Sony está pegando uma tecnologia nova, cara, exclusiva e proprietária, CUJA AUTONOMIA, QUALIDADE E PENETRAÇÃO O MERCADO AINDA NÃO TESTOU, e tá anexando IRREVERSIVELMENTE ao PS3. O problema agora é que o destino do PS3 estará ligado, pro melhor ou pro pior, ao destino da mídia que ele usa. PSP e GameCube são um bom exemplo disso, mas eu falarei mais sobre isso mais tarde.

A grande vantagem anunciada pra contra-balancear o fato de que o PS3 custa parte do seu fígado é “ahhh, mas essa nova mídia é o futuro, cara! É um formato muito melhor, e no fim das contas valerá a pena porque você já terá um tocador de Blu-Ray na sua sala!” Aí surge a pergunta que ninguém parece estar fazendo:

O que acontece se o Blu-Ray não vingar, assim como, sei lá, TODAS AS OUTRAS TENTATIVAS DA SONY DE EXCLUSIVIZAR O FORMATO DE MÍDIA? Lembram do Betamax, que apesar de ser tecnicamente superior, não resistiu à popularidade do supostamente inferior VHS? Do MiniDisc, que foi a pior e mais mal executada idéia na história dos tocadores portáteis de música? Do LaserDisc, que mal durou mais de um ano? Do Memory Stick, que só é usado em aparelhos da Sony (o que faz donos de outros formatos de cartão de memória FUGIR de aparelhos da empresa como o diabo foge da cruz)? Ou, mais recentemente, do UMD, um disquinho cara-de-paumente entitulado “Universal Media Disc” apesar de ser utilizado em exatamente UM e apenas UM aparelho em todo o planeta, e que tem vendido tão horrivelmente que já está perdendo apoio de vários estúdios (o que de tabela fode o propósito de chamar o PSP de um toca-filmes portátil)?

Caso você não tenha entendido a lição de história acima, aqui vai a versão condensada – a Sony é teimosa pra caralho e se recusa a lançar hardware a menos que lance também mídia exclusiva pra ela. E todas as tentativas anteriores fracassaram em vários níveis de derrota, que vão desde “vergonhosa” a “espetacular”.

Agora voltemos pro PS3. Suponhamos que o Blu-Ray não agrade o público (por causa do preço, por causa da simples falta de motivo substancial pra abandonar o DVD em prol do upgrade) e que tenha o mesmo destino do UMD, do BetaMax, do LaserDisc, etc. O mercado não dá muita continuidade a um formato que não tem boa aceitação. Ao grampear uma etiqueta de 600 dólares no PS3, a Sony já começou a foder o futuro do Blu-Ray.

O tempo dirá. Se daqui há um ano você for surpreendido com uma manchete como “Vendas de Blu-Ray decepcionam Sony no segundo semestre de 2007“, ninguém vai poder dizer que não foi avisado.

Problemas de mídia postos de lado, os Sonistas poderão ao menos respirar aliviados a respeito do fato de que o controle do PS3 não será mais essa simulação de um sex toy, e sim uma re-invenção do Dual Shock, ou seja, será quase idêntico ao modelo atual de controles da Sony, mas sem o aspecto “Dual Shock” da coisa. Sim, porque caso você não saiba, a Sony perdeu uma batalha legal e foi obrigada a abrir mão da vibração do controle do PS3, novamente graças a sua colossal teimosia. Tendo isso em mente, dá até pra tecer uma teoria de por que eles abandonaram o formato planejado pro controle.

E pra não dizer que está parada no tempo, a Sony muito safadamente enfiou um sistema de detecção de movimento na última hora no controle do PS3. target=”new”>De acordo com demonstrações do aparelho, já dá pra saber que absolutamente ninguém será capaz de jogar por muito tempo sem que num momento de animação enfie a cara do seu bonequinho virtual na parede, ou caia de um precipício, ou algo assim. Esqueceram de avisar a Sony que gamers (especialmente os novatos) costumam mover os controles involuntariamente no meio de suas jogatinas, e que tentar enfiar jogabilidade que vá contra um instinto natural dos usuários do negócio é uma idéia quase tão idiota quanto a de criar uma nova mídia e usar a popularidade de um console pra botá-la pra frente.

O PS3 chega no finzinho desse ano. Veremos se meus receios foram infundados ou não.

Wii

A Nintendo acha que porque salvou sozinha o mundo dos videogames do crash dos anos 80, teria eternamente nos convencido a aceitar qualquer coisa que ela lançasse. Com esse tipo de pensamento vieram ofensas como o VirtuaBoy, o Nintendo 64 e o GameCube, que foram capazes de transformar antigos fãs em céticos em relação ao futuro da empresa que nos trouxe tanta alegria anos atrás.

Após tomar uma surra de pau mole na disputa da geração passada e ter que ver o GameCube (o console mais avançado de uma empresa veterana na área) apanhando pros sistemas de companias relativamente menos experientes, a Nintendo resolveu virar o jogo. E o Revolution foi anunciado.

O nome que incorporava a missão de renovação foi abandonado em favor do incrivelmente retardado “Wii”. Então, qual é a do Wii? A característica mais notável sobre o console é o controle. O Wiimote, como é chamado, tem um complexo sistema de detecção de movimento que permitirá ao jogador que, ao invés de apertar um botão pra brandir uma espada, realmente reproduza a ação de sacodir a lâmina no ar, provavelmente acertando familiares no rosto e/ou derrubando objetos que estiverem no raio de alcance do braço do infeliz. Só isso foi suficiente pra chamar minha atenção.

Antes que você faça aquela choramingada que todos os outros nerds do planeta fizeram ao ver o Wiimote pela primeira vez, deixe de ser viado. Haverá também um controle mais convencional, pra jogos que exijam uma jogabilidade menos “dinâmica”.

No momento sabe-se pouco sobre o Wii, além do fato de que ele custará míseros 250 dólares e que sai dia 19 de novembro, virá com o Wii Sports e terá outros 30 jogos disponíveis no lançamento. O preço, além do approach mais arcade, mais informal, combina com a decisão da Nintendo que não é exatamente agradar aos gamers hardcore e encher seus olhos com trezentos bilhões de polígonos renderizados em tempo real, e sim conquistar novos jogadores com jogabilidade inusitada e original. Pra não dizer que os jogadores mais veteranos não foram lembrados, o Wii permitirá que você baixe via Internet todos os jogos já lançados pela Nintendo. Ou seja, você poderá jogar Duck Hunt, Super Mario World, Mario Kart Double Dash no mesmo aparelho.

Minha opinião semi-imparcial sobre a nova geração é que o PS3 está caminhando pro mesmo destino de outros produtos da Sony que teimaram em trazer suas mídias exclusivas. O Wii, apesar de trazer esse estigma que a Nintendo cultivou por mais de uma década, me parece extremamente promissor, um ar de novidade numa cena que não viu muitas mudanças de jogabilidade desde a introdução do controle direcional digital (que, aliás, foi uma invenção da própria Nintendo). E o Xbox 360, pelo que tou vendo até agora, será o “não fede nem cheira” do grupo.

E eu acabarei comprando todos eles.

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Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

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  1. […] a diversos pedidos que datam do ano passado quando eu fiz aquele dossiê comparativo dos consoles next gen, aqui vai o Relatório HBD de […]