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Postado em 31 October 2006 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Foi o seguinte.

1) Trabalho

A gente nunca se contenta com o que tem, mesmo. Se há menos de três meses eu choramingava por não ter nada pra fazer além de coçar a bunda, jogar videogame e acessar a internet, hoje em dia meu emprego me deixa indisponível pra basicamente qualquer atividade que não envolva palha de aço, detergente e resto de batata frita grudada com ketchup no fundo da xícara. Porra, quem é o filho da puta que faz essas merdas quando vai em restaurante, ficar misturando condimentos, guardanapos, jogando merda aleatória dentro dos pratos só pra complicar mais o trabalho da nossa comunidade?

Pra complicar mais a situação, um maluquinho lá do trampo teve um total colapso mental, mandou geral tomar naquele lugar, e eu acabei sendo promovido ao posto dele. Agora, talvez o sujeito volte, e eu vou ter que me reacostumar com o salário menor de novo, mas esses dias que o miserável esteve longe do trabalho foram absolutamente alucinantes. Eu já trabalhei turnos de 6, 7 e até 10 horas antes em outras ocupações, mas uma coisa é trabalhar por 6 horas, e outra coisa sensivelmente diferente é trabalhar por 6 horas correndo de um lado pro outro pelo restaurante o tempo todo. Já ouviu alguém usar a expressão¨”mal tive tempo de respirar” pra se referir a trabalho muito apressado e cansativo? Eu descobri que a máxima não é apenas uma daquelas expressões exageradas – a sensação é de que realmente você está tendo que prender a respiração pra ganhar mais tempo.

2) Computador fodido

Após aproximadamente dez anos usando a internet com mais frequência do que tomo banhos, finalmente peguei um vírus, e aí adeus MBR e possivelmente a BIOS também (já que em 60% do tempo, o computador nem entra mais na BIOS quando ligo). Como meu pai – técnico de informática há vinte anos – estava viajando, não havia quem desse um jeito na minha máquina. Como aqui em casa há outros quatro computadores, além dos Palms e do PSP que também acessam a internet, eu desencanei e vi esse infortúnio como uma solução pro meu uso exagerado do computador. Sem o conforto que o meu PC oferece – playlists selecionadas a dedo por este que vos escreve e uma cadeira que se adaptou com perfeição às dobras da minha bunda após anos de uso incessante -, o uso da internet se tornou uma atividade rápida. Entra, confere email, dá um bid no eBay, xinga um velho inimigo no orkut, dá uma checadinha no fórum, lê os comentários do blog, pronto. Após os primeiros três dias, eu percebi que passar o dia inteiro na frente do PC (excetuando-se obviamente o período em que estou trabalhando) é um hábito dispensável. Especialmente quando se tem dinheiro e um vício poderoso. E chegamos no terceiro item dessa listinha.

3) Magic

O vício voltou, e voltou aproximadamente cinco vezes pior do que antes, com +2/+2, atropelar e ganhando vida cada vez que causa dano. Eu era extremamente viciado em Magic no Brasil – e diga-se de passagem, fiz minhas melhores amizades através do jogo -, mas a falta de dinheiro de outrora servia como uma espécie de contenção de gastos com o dito vício. O booster custava uns 13 ou 14 reais, eu quando muito descolava 20 reais no fim de semana. No Canadá, o booster custa uma fração disso, e eu ganho mais de dez vezes o que tinha na carteira aí no Brasil. Além disso, temos aqui lojas especializadas no ramo dos trading card games, que vendem literalmente milhares de cartas avulsas catalogadas em imensos fichários. Por algumas doletas você tem acesso a virtualmente qualquer carta que precise. No Brasil eu costumava dizer que jamais gastaria 20 reais num Call of the Herd ou Shadowmage Infiltrator ou Spiritmonger ou qualquer outra carta super cara, mas uma coisa é dizer isso sem nunca ter sido oferecido o negócio e vendo a faixa de preços apenas no fim da revista Dragão Brasil. Chegar numa loja que exibe dez Chamados do Rebanhos numa vitrine, ter 300 dólares no bolso e sair de lá sem nenhuma é outra história.

Falta do meu computador, trabalho, Magic e dinheiro sobrando na carteira ocuparam uma boa parte do tempo em que estive mais afastado da internet. Soma namorada, amigos, festas de Halloween (temporada que infelizmente acaba hoje) e eu finalmente entendo porque algumas pessoas gostam tanto de usar o argumento da “vida social” quando querem aloprar alguém na internet – argumento que apesar de ser meio mal formulado, tem um fundo de verdade. Qualquer true nerd sabe que dá pra conciliar vida social e internetagens constantes numa boa. Mas vida social, trabalho e vício em joguinho de cartas é outra história.

Esse tempo vivendo no mundo real não foi de todo ruim; a experiência encarando a vida offline me deu uma excelente idéia pra um post. Se eu não descolar o PC novo hoje, me resignarei a digitar o post aqui na sala mesmo.

Disclaimer: Vida social não é o mesmo que alto número de scraps no orkut. Idiotas que mantenham esse tipo de crença talvez se confundam na leitura do post acima.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)