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Postado em 20 November 2006 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Algumas pessoas, em seu terceiro dia de faculdade, começam a fazer as primeiras amizades almejando encontrar comparsas que assinem seu nome na lista de frequência quando elas decidirem ficar em casa injetando heroína ao invés de aparecer pra aula de Metodologia Científica. Outras tomam coragem pra finalmente logar no MSN no laboratório de informática e extender ao ambiente acadêmico a campanha de stalking que promove contra os perfis orkúticos dos atuais ficantes de suas ex-namoradas.

No meu terceiro dia de faculdade, conheci o Ron Jeremy.


Pronto, taí a foto. Agora que já matei o suspense, deixa eu explicar como isso aconteceu.

Após cansar de bater papo no MSN na sala de Inglês e assinar a lista de frequência – o que automaticamente me libera pra fazer qualquer outra coisa pelo resto do dia -, resolvi dar uma passeada pelo prédio de Comunicação (na verdade é Communications, mas preciso traduzir pra vocês). Dou de cara com isso aí na parede:


Logo de início, achei que devia haver algum erro no cartaz. O que diabos Ron Jeremy estaria fazendo em Oshawa, o cu do Canadá, onde o programa de sábado a noite da juventude local se resume a se dirigir à parada de ônibus, esperar UMA HORA pelo coletivo, e se deslocar em direção ao único cinema da cidade pra assistir uma de quatro opções cinematográficas? Será que eles não queriam dizer na verdade “Debate sobre pornografia com exibições de películas do aclamado ator Ron Jeremy” e por causa da fonte que escolheram, não coube no cartaz? Só havia uma forma de descobrir – aparecer no local do debate no dia seguinte, munido de minha adorável câmera digital Canon Powershot vagabunda de supostos 4mp que parecem mais 1.8, e registrar o evento. “E quiçá”, pensei eu tentando utilizar a palavra “quiçá” corretamente numa frase pela primeira vez na vida,

Armado de minha câmera, cinco chicletes de hortelã e minha adorável namorada gringa, nos dirigimos até o ginásio da faculdade para verificar a veracidade do cartaz.


Manhã gélida. No fundo, meu prédio.

Após um breve momento de total desorientação em que eu imaginava estar caminhando em direção a outra cidade ao invés do prédio onde o debate aconteceria, achamos o caminho correto. A entrada do ginásio estava lotadaça; tinha neguim sentado até nas laterais, onde supostamente ninguém poderia sentar porque se por um acaso do destino o prédio explodir sob ataque terrorista, aquelas laterais seriam o único caminho de saída em direção à liberdade.

Descemos até o nível mais baixo das arquibancadas (o chão do ginásio ficava num nível de subsolo; o topo das arquibancadas dava pra porta de saída, que era o nível térreo. Deu pra entender como era o lugar?) e nos acomodamos como dava. Ron ainda não havia aparecido, e o crente que seria seu adversário estava lá cuspindo suas teorias evangélicas sem que alguém pudesse devidamente respondê-lo. “Masturbação faz mal” aqui, “pornografia é nociva a um relacionamento” ali, estudantes mais audaciosos ensaiando vaias acolá…


…E o rei da noite (digo, manhã) resolve aparecer e pôr o reinado de desinformação do cristão ao fim. Ron aparece do nada descendo por uma das laterais do ginásio, toma seu lugar no pódio, apresenta-se brevemente (enquanto a platéia delirava emocionada desde o momento em que ele pôs o pé no ginásio), e deixa o crente terminar seu discurso. A mera presença de um oponente tão poderoso atrapalhou o crente, deu pra notar com clareza.

Após o religioso terminar sua ladainha, Ron já começou Ron pedindo desculpas e disse que 98% do que o cara falou estava errado, e que os 2% restantes são apenas afirmações idiotas mesmo, arrancando deliciosas risadas do público que já estava do lado do Ron mesmo sem ele falar nada mesmo. Ron começou a desfiar sua versão do “problema”, ou seja, usando sua experiência com a indústria – e se valendo da falta de senso religioso – pra tecer comentários menos tendenciosos. Em menos de 30 minutos Ron destruiu essencialmente todos os argumentos do cristão, o que tornou a palestra bem curta (e barulhenta, já que a platéia – que tem Ron como ídolo – gostava de deixar bem claro quem estava vencendo o combate intelectual). Pulou-se pra parte de perguntas pros debatedores e, apesar dos empurrões da namorada, não tive coragem de mandar a minha.

target=”new”>Neste vídeo, uma senhora perguntou o que Ron acharia se sua hipotética filha entrasse no mundo do pornô. Ron meio que deixou a bola cair nessa, porque deixou meio implícito que preferiria que sua filha não estrelasse em pornôs..

target=”new”>Neste outro vídeo, o cristão lê títulos de filmes pornôs que ele considera absolutamente terríveis. A platéia, infelizmente, não concordou..

target=”new”>Neste último vídeo (há mais, mas a preguiça me impede de compartilhar com a internet) Ron autografa uma plaquinha do FHBD que eu emoldurarei em breve

Vou te contar, é bem estranho estar do lado de alguém que você sabe que comeu muito mais mulheres do que todas as pessoas que você conheceu na vida combinadas.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)