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Postado em 23 November 2006 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Vocês acreditam que vou me mudar DE NOVO?


O estilo de vida nomádico que o emprego do meu pai, que já nos levou a morar em três estados brasileiros diferentes em menos de 10 anos, agora nos obriga a abandonar a área rural que é Oshawa em direção ao oeste canadense. Daqui a duas semanas, a família Nobre estará de malas prontas e eu, com milhões de ISO de SNES no PSP, em direção a Alberta.

Eu passei a minha vida inteira dizendo adeus. Aqui, uma breve timeline da minha breve existência:

1984: Eu nasci em Fortaleza, Ceará.
1990: Mudamos-nos pra Londrina, Paraná. Até então eu estive frequentando na mesma escola desde que iniciei meus estudos. Foi a última vez que isso aconteceria na minha vida.
1993: Volta pra Fortaleza. Estudei em QUATRO colégios diferentes (Colégio Evangélico na Pontes Vieira, Colégio Adventista no Centro, Cora Coralina no Conjunto Ceará, e Evolutivo Centro-Sul na Parangaba) e morei em quatro endereços diferentes, até que…
1999: A família decide passar uma temporada de dois meses nos EUA antes de mais uma grande mudança. Como já tínhamos entregue a casa e despachado todos os móveis, durante esse período que passamos nos EUA, não tínhamos um lar propriamente dito.
2000: Mudamos-nos pra São Luís, no Maranhão. Eram meus últimos anos de estudo secundário, mas isso não me impediu de estudar em dois colégios diferentes. A vida em São Luís começava a se tornar muito confortável até que….
2003: Adeus terceiro mundo, olá Canadá! A adaptação foi complicada no primeiro ano, mas uma vez que a língua estava devidamente dominada e eu já tinha experimentado minha parcela de mulheres canadense (uma parte delas, extra-conjugalmente. Não espalhem)…
2006: Estamos abandonando Oshawa e mais uma residência pra acompanhar meu pai e seu estilo de vida cigano. Pelo jeito, engenheiros estão em falta no mundo todo.

Como você pode concluir, eu não tenho raízes. Sempre invejei pessoas que têm o luxo de viver a vida inteira no mesmo bairro, envelhecendo junto com os mesmos amigos, presenciando a mudança de gerações na mesma escola. Vivi a maior parte da minha vida consciente distante da minha família, e até hoje me limito a imaginar o que aconteceu com aqueles milhares de rostos, outrora familiares, mas que hoje desvanecem aos poucos no fundo da minha memória. Amigos de escola, vizinhos, companheiros de curso na faculdade, amigos do CEFET (esses em especial, porque cursei apenas dois meses antes de vir pra cá e mal cheguei a conhece-los), colegas de trabalho…

Até meu sotaque se perdeu. Quando conversando com amigos sulistas, sôo nordestino pra eles. Mas pros meus conterrâneos, eu “perdi a raça” junto com meu sotaque. E, desde 2003, até mesmo minha língua-mãe começa a ser deixada pra trás aos poucos. Começou inocentemente; me lembro até hoje a primeira vez que um deslize idiomático aconteceu lá em casa – eu pedi pro meu irmão “bringar” (uma conjugação lusofonizada do verbo “to bring”, “trazer”) o ventilador, enquanto ria segundos depois do vacilo. Hoje, não raro começo diálogos em inglês com meu irmão, apenas pra segundos depois falar “why the fuck are we speaking in English?“. Ainda em inglês.

Um post desse não tinha como não ser melancólico. É mais um ao longo de 22 anos de adeus, de rostos deixados para trás, de laços eternamente desfeitos, de planos interrompidos e abandonados. Por mais insensível que você seja, uma hora você se surpreende se perguntando o que teria acontecido com aquele seu melhor amigo na segunda série, ou com aquela sua primeira namoradinha, quando você tinha oito anos e achava que andar na rua de mão dadas com uma menina era embaraçoso.

Falando em namorada, antes que alguém me pergunte – a Patroa tá indo comigo. Não imediatamente; ela tem que pegar os últimos créditos na escola pra poder ingressar no curso da faculdade (Paramedicina). Em fevereiro ela estará lá comigo.

Isso é, se ela não mudar de idéia nesse meio-tempo. Isso já aconteceu antes comigo, e gato escaldado, sabe como é…

Enfim, podem ter certeza que em breve eu não terei uma vida social pra me impedir de atualizar esse blog praticamente todo dia como antigamente. Lembro que o período de maior produtividade aqui no HBD foi o comecinho de 2004, quando eu tinha praticamente acabado de chegar aqui no Canadá, não tinha amigos, não tinha nada pra fazer, amargava o fim de um noivado e chorava todo dia querendo voltar pro Brasil. Se pra alguma coisa aquele sofrimento todo valeu, foi pra eu aprender a deixar de ser tão frouxo.

Bola pra frente. Vamos ver o que Alberta tem pra me oferecer.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)