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Postado em 4 December 2006 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Dia 1

Na véspera da nossa saída de Oshawa, levei a namorada pro nosso hotel pra podermos passar a última noite juntos. Na manhã seguinte, o momento que ambos temíamos desde que a viagem foi anunciada chegou.

Mais uma vez sou obrigado a me despedir da namorada que em prantos me pede pra ligar e mandar email todo dia. Prometo que sim, mostro o celular com a bateria carregada e digo que vou mandar mensagem o tempo todo, pá e tal. A namorada então abraça os sogros e chora mais ainda, já que ela tem um relacionamento muito bom com eles. Mais um último abraço e pé na estrada.

Acho que essa foi a viagem menos complicada, psicologicamente falando. Acho que fui desensitivizado ao longo dos anos. A despeito disso, era difícil não sentir um nó na garganta enquanto o carro do pai passava em alta velocidade por pontos da cidade que traziam memórias agradáveis. A velocidade com que o carro ganhava a estrada me aludia ao fato de que, assim como os lugares em que eu já vivi, as paisagens canadenses na janela do carro não demoravam muito tempo em meu campo de visão.

Na zona norte, passamos por um lugar onde eu e os amigos jogávamos boliche de vez em quando. Passei pelo trabalho da namorada, onde incontáveis vezes fui andando buscá-la após o expediente. Passamos perto da casa de amigos que eu sei com toda certeza do mundo que nunca mais verei novamente. No centro da cidade se localiza a maior parte dos lugares onde trabalhei, o que invocou lembranças dos tempos de labuta e dinheirinho no começo da semana pra gastar com bobagens eletrônicas. E ao sul da cidade fica o lago Ontário, onde de vez em quando íamos com amigos pra caminhar pelo píer falando bobagens e tentando fazer pedrinhas quicar na superfície gelada do lago que mais parece um mar.

Aos poucos a mente começa a abrir mão das memórias e das pessoas que você deixa pra trás. A vida de mudanças constantes meio que facilitou o processo, como eu falei, já que me deixou mais acostumado a ter que se desfazer de relacionamentos várias vezes no passado.

Acontece que antes sempre havia alguma coisa que me conectava às cidades que abandonávamos. Fortaleza é onde minha família inteira mora, então eu sei que é o principal destino de viagens de férias. Em São Luís mora a família da minha madrasta, o que a torna atraente pra ela e meu pai. Mas Oshawa? Minha família não fez praticamente nenhuma amizade lá, e embora eu sinta saudade dos meus amigos, eu sei que não gastarei centenas de dólares pra pegar um avião e voltar pra lá. A namorada morará comigo em dois meses – considerando-se que nossos planos darão certo -, o que meio que elimina o desejo de voltar à cidade também. E se o namoro não suportar a viagem, aí mesmo é que não haverá vontade de visitar o lugar.

A última visão que terei de Oshawa, e de boa parte das pessoas com quem vivi nos últimos três anos, será pelo retrovisor do carro.

E se o ImageShack não estivesse tão lento, eu colocaria umas fotinhas da estrada pra deixar esse post ainda mais dramático. O WiFi do Hilton me pareceu mais rápido 🙁

(Nerd mimado do caralho)

A viagem não mudou tanto minha rotina diária, ao menos até agora. Ontem à noite joguei videogame, liguei pra namorada (abençoada é a empresa do meu pai, que o dispõe de um celular que me permite ligar pra qualquer lugar do mundo de graça) e postei bobagens no Fórum. Agora de manhã, ao invés de procurar algo pra comer e tomar um banho, vim pro notebook checar emails e conferir as respostas das bobagens que postei no Fórum na noite anterior.

So far, so good.

E falando na abençoada empresa onde meu pai trabalha, há mais motivos pra idolatra-la. Meu pai inicialmente não queria ir pra Alberta nem mediante a ameaças de dano físico, então o chefe lá ofereceu uma oferta irrecusável – a viagem seria todinha aos custos da empresa. De lá pra cá já foram três noites no Hilton, duas telas de LCD instaladas nos bancos do carro pra permitir que eu zere Gears of War três vezes daqui até Calgary, e jantares em restaurantes caros toda noite.

Vida de cigano tem lá suas vantagens.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)