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Postado em 22 December 2006 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Todas as pessoas do mundo, desde o Secretário Geral da ONU ao pipoqueiro da esquina que foi preso semana passada por porte ilegal de um rifle AR-15, têm duas características em comum – a respiração baseada no consumo de oxigênio, e a firme e inabalável crença de que um determinado grupo de pessoas escolhido arbitrariamente por ela merece deixar de viver o mais rápido possível, hoje ainda se não for pedir demais. Alguns foram mais longe e realmente colocaram seu dogma em prática, mas felizmente os Aliados invadiram Berlim e puseram um fim naquela papagaiada. Desde entao, o resto de nós pudemos voltar a fantasiar sobre a eliminaçao violenta de milhares de pessoas que nos incomodam sem precisar realmente se tornar um genocida ou se sentir mal por isso.

Tendo em mente a natureza popular desse sentimento homicida que se esconde dentro até mesmo do otaku mais efeminado, receio de antemão que o tema “gente que merece morrer” deve ser lugar comum em publicaçoes bloguísticas, e que é provável que alguém corra aos comentários pra dizer que “Ô Quide, o fulano de tal escreveu um texto sobre esse mesmo tema ano passado, o que o torna proprietário legal de qualquer opiniao sobre o assunto e impossibilita o resto da humanidade de redigir textos sobre o mesmo tópico.” Mas agora já escrevi dois parágrafos e nao terminar este post seria um desperdício de cinco minutos de digitaçao, algo que nao estou disposto a aceitar a menos que alguém venha aqui em casa agora mesmo me ensinar como se faz arroz.

Escrever uma lista de pessoas que precisam urgentemente deixar de viver é algo mais complicado do que parece, mesmo que você esteja aí pensando “mas não parece nem um pouco complicado, do que diabos você está falando?”. Ao me pôr como o imaginário carrasco de todos vocês decidindo autoritariamente que comportamentos irritantes seriam punidos com morte caso eu escrevesse as regras deste país (que nem tem pena de morte, uma merda), corro o risco de sem perceber descrever uma atitude que eu mesmo costumo tomar com frequência, e pela lógica eu mesmo deveria ser posto no cadafalso. Aliás, é cadafalço ou cadafalso? Acho que a última vez que vi essa palavra escrita na minha frente foi na segunda série, numa aula sobre Tiradentes. Mas voltando ao meu dilema, como escrever um artigo condenando milhares à morte por comportamentos banais e/ou estúpidos sem correr o risco de acabar descrevendo crimes sociais que eu também cometo? Ah, eu lembrei – porque eu não sou um completo imbecil e tenho noções básicas de convivência em sociedade. Então, sem mais delongas, aqui está a lista oficial HBD de pessoas que precisam urgentemente interroper suas respirações por mais de 4 minutos consecutivos.

1) Pessoas que pensam ter desenvolvido ecolocalização.

Como eu ia de bicicleta todo dia pra trabalho, estava forçado a cruzar caminho com pessoas que acreditam estar num nível mais elevado da escada evolucionária que o resto de nós. Esses são os indivíduos que dirigem seu carro olhando para QUALQUER direção disponível no capo que seu pescoço permita rotação, e o único pre-requisito para a direção em que eles estejam olhando é que esta não seja a direção em que eles estão guiando seu carro.

Não há nada de errado com dar olhadas pros lados durante seu passeio de carro, seja pra ignorar mendigos que insistem em poluir cartões postais da cidade com sua presença ou apenas cutucar o nariz de forma stealth sem que a namorada perceba. Acontece que algumas pessoas parecem estar firmemente convencidas de que não necessitam de sua visão para conduzir um automóvel, e saem dirigindo como se estivessem procurando objetos pessoais que perderam em todo e qualquer canto da cidade. Não consigo contar quantas vezes eu quase fui atropelado por estar atravessando uma rua no momento que um desses sujeitos decidia cruza-la olhando pra trás.

Tais pessoas estão na grave necessidade de que alguém segure suas cabeças debaixo dágua por algumas horas.

2) Vendedores um pouco prestativos demais

Vou mandar fazer uma camiseta com os dizeres “Eu sei o que estou comprando. Não preciso da sua ajuda.” antes de pisar no Walmart ou FutureShop ou Best Buy ou qualquer outro lugar que venda videogames. Graças à maldita mecânica das comissões, funcionários vêem qualquer cliente como nada além de um bônus de 10% ambulante.

Não existe uma compaixão verdadeira, o altruísmo é apenas simulado. Vendedores vão falar absolutamente qualquer coisa pra forçar você a comprar até mesmo algo em que você não estava interessado.

Vamos combinar uma coisa? Se alguém entra na sua loja usando uma camiseta como esta…

…e uma fivela como essa…

…é bem provável que você está diante de alguém que já abandonou sua vida em prol dos videogames. Então, me deixe perambular pela loja procurando meus joguinhos favoritos sem sua encheção de saco. Eu não preciso da sua opinião, eu não preciso saber que jogos você acha que são “imperdíveis”. Que demônios de palavra é “imperdível”, agora que estamos falando sobre isso? A única coisa “imperdível” nesse mundo são quilos indesejados.

A melhor atitude que tais pessoas poderiam tomar pra me ajudar é se localizar embaixo de um caminhão de mudanças em movimento.

3) Imbecis e seus headsets Bluetooth

“Mimimimi invejinha do Quide mimimimi”, já tou imaginando o que você tá pensando. Bom, sinto informar que você está enganado. Eu tenho um headset Bluetooth, que aliás nem uso muito porque meu computador é retrógrado demais e não se dá muito bem com sistemas recentes de comunicação wireless. Não estou criticando simplesmente a posse do dispositivo, e sim o uso imbecil que alguns retardados dão a ele. Especialmente, mantê-lo na orelha como se sua vida dependesse disso.

Mesmo morando no Brasil, você já deve ter visto alguém andando na rua (ou basicamente fazendo qualquer outra coisa que não ocupe suas mãos) trazendo com um headset Bluetooth afixado à orelha. Que tipo de ligação você está recebendo quando você não quer correr o risco de demorar muito tempo tirando o celular do bolso? A menos que o Presidente do Banco Mundial esteja te ligando pra decidir políticas de empréstimo a países subdesenvolvidos, eu tenho certeza absoluta que você pode se dar ao luxo de demorar 0.8 segundos metendo a mão nas calças e extraindo seu telefone pra atender o interlocutor.

Tais pessoas precisam ser envenenadas por meio de uma serra elétrica embebida em arsênico.

4) Inventores de screamers

No vocabulário vulga gringo, “screamer” é uma pessoa – frequentemente mulher – que tem o hábito de berrar como um condenado durante momentos de demonstração de amor carnal. Claramente este item não se dedica a estes indivíduos, uma vez que o HBD é absolutamente a favor da prática da gritaria sexual. Os screamers a que me refiro são aqueles flashes que te tapeiam a observar uma imagem por algum tempo arbitrário e então te surpreendem com um screenshot de uma cena de O Exorcista e um .wav de uma mulher gritando. Isso, aqueles screamers.

Screamers viveram seu auge há alguns anos atrás, quando a sapequice era novidade e ninguém abria animações flash com dúvidas em seu coração. Ninguém* é pego por um screamer duas vezes, já que o trauma força sua mente a evitar flashes de qualquer natureza a partir daquele momento.

Minha raiva contra os idealizadores de tal sacanagem tecnológica não é fruto da revolta de uma vítima, e sim inconformação em relação ao mal uso da prática. Você já parou pra pensar quão mais útil essa porra teria sido
se tivesse vindo ao mundo em forma de vírus?

Imaginaí você jogando Dota, ou teclando no fórum UOL Jogos, ou decidindo se beija ou peida na cara da pessoa acima numa comunidade do orkut, e SEM MAIS NEM ESSA uma cara feia toma conta do seu monitor inteiro e o som mais horrendo que você já ouviu na sua vida arromba seus ouvidos através dos seus headphones. Sem saber como evitar a parada, neguim ia ficar com MEDO de usar o computador.

Os inventores da coisa tiveram a idéia certa; apenas não a executaram como deveriam.

*Ninguém com um cérebro

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About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)