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Postado em 5 January 2007 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Mais uma aulinha de vocabulário aí, vamos lá?

“Vergonha alheia”, um termo inventado por Albert Einstein logo após a vitória dos aliados sobre a Alemanha em 1859, é o nome do sentimento de profunda ojeriza diante ações embaraçosas de outrem. O momento em que você sente vergonha alheia é, muito similarmente a ver dois deformandos fazendo amor em cima de uma cama repleta de pétalas de rosas, um momento lindo e horrendo ao mesmo tempo. Aliás, a parada é tão simultânea que tiveram que inventar toda uma teoria quântica pra explicar a existência de algo que apresente uma dicotomia tão clara. Como alguma coisa pode ser maravilhosa e revoltante ao mesmo tempo?

Vergonha alheia é aquele momento mágico em que você presencia uma cena que faz o destino coletivo da humanidade parecer tão sombrio que você quase uma dor física nos testículos, mas ao mesmo tempo você se sente feliz e satisfeito porque este sentimento vem com a certeza absoluta de que existe alguém mais merda que você.

Exhibit A:


Kevin Federline

Se alguém quisesse catalogar a longa linha histórica de paspalhos que são não apenas insignificantes mas incrivelmente notáveis em sua insignificância (o que quebra praticamente todas as leis da física e da lógica moderna) e quisesse fechar o seu Livro da Vergonha com um excelente exemplo, não há dúvidas que o capítulo final do livro seria dedicado à vida e obra de Kevin Federline. A parte da “obra” seria um trecho bastante curto, o que permitiria ao editor do livro ir pra casa mais cedo (mas não sem antes dar uma boa olhadinha na foto do cara e rir no caminho pro estacionamento).

A aura de fracasso que cerca o rapaz Federline é tão densa que nada menos que pura mágica está impedindo-a de entrar em colapso sob o próprio peso e vire um buraco negro de vergonha e humilhação. Lembra que eu comentei que o trecho “obra” num livro sobre o cara seria bastante curto? Então, isso acontece porque não há muitas formas de fazer “comeu a Britney Spears e se tornou famoso por associação” ocupar mais que duas linhas. Kevin Federline era um dançarino de fundo nos shows da cantora até que um dia alguém misturou querosene na tequila dela e ela então se convenceu que fazer um filho com um maluco insignificante qualquer – e sustentar ambos sozinhos com as economias do tempo em que alguém ainda comprava CDs ou ia aos shows dela – seria uma idéia comparável apenas a desenvolver um reator de fusão a frio usando palitos de dente, cartuchos de NES e meia resma de folhas ofício.

Então a mulé pariu um filho do sujeito. Kevin Federline deve ter pensado que fama é algo sexualmente transmissível, aliás, quem não pensaria? Foi só furunfar a cantora e PÁ, frequência constante nas capas de tablóides de supermercados que carregam outras notícias igualmente relevantes à comunidade global, como “Donald Trump fez outra cirurgia pra redução da papa! Leia mais na página 48!” ou “Tom Cruise nega ser homossexual mais uma vez, acompanhe a reportagem na página 82!”.

Mas ser considerado o mais notório caso de fama por tabela não era suficiente pro sujeito – ele passou a querer MERECER a atenção, e sua mídia seria a música. O que seria algo louvável, caso Kevin Federline tivesse algo que pudesse ser ao menos confundido, de longe, com talento.

Mas Kevin é praticamente um brasileiro e não deixaria detalhes irrelevantes como habilidade musical impedir uma duradoura carreira de sucesso no ramo. Numa manobra de RP, o aspirante a rapper largou seu nome de batismo por um resumido “K Fed”. Talvez pra se desvencilhar de um nome que boa parte dos americanos já relacionavam a “babaquinha”* ou talvez porque é uma forma mais user-friendly do seu próprio nome que K Fed achava mais fácil de escrever, uma coisa é certa – Kevin Federline é, de fato, um idiota.

A estratégia de mudar o nome pra talvez “reiniciar” a própria carreira é tão eficiente quanto apagar uma fogueira ateando-a com gasolina e combustível de foguetes. K Fed vai em frente com seu plano de se tornar famoso independentemente e ataca a comunidade global internética com o mais ofensivo e desrespeitoso uso da língua portuguesa desde que Marcelo Camelo começou a escrever músicas.


Permita que seus olhos e ouvidos absorvam tudo que você verá acima após clicar no botãozinho play. Vocês sabem que meu passatempo é falar mal de jogos/filmes/pessoas e etecéteras mas eu sinto dessa vez que escrever uma linha que seja pra falar mal dessa música é uma espécie de ofensa contra a inteligência de vocês; como se alguém precisasse apontar as falhas tão claras dessa aberração. Mas assista apenas uma vez, a exposição prolongada ao vídeo é quase tão prejudicial quanto escovar os dentes com mercúrio.

SIM BICHONAS DO CARALHO EU SEI QUE O VÍDEO É VELHO. O problema é que este sujeito jamais recebeu nenhum tipo de punição por liberar essa atrocidade no mundo. Por mais que o Sr. Spears se arrependa de seus atos e se esforce em conter os danos que causou, estamos na era da Informática, baby. Como muitas outras pessoas que tiveram suas vidas arruinadas por vídeos que galopam livre na interwubz, Kevin Federline jamais poderá conter o avanço digital dessa vergonha em forma de TENTATIVA de música. Ao atingir a internet, todo e qualquer vídeo se tornar imortal e indomável. O mundo não poderá mais voltar ao estado inicial de não-exposição à sequência vergonhosa de imagens do “cantor” se empolgando com a própria composição.

Sinto uma vergonha alheia ao assistir o vídeo, mas acima disso tenho pena do sujeito porque tudo que ele queria era ser admirado genuinamente por causa de suas suas próprias realizações. Mas isso serve pra dar uma lição importante pra todos nós – às vezes não sabemos o que já temos em nosso favor.

Se ele não tivesse esquecido que já capturou a admiração masculina mundial por não apenas comer a Britney Spears mas comer a Britney Spears sendo um palerma sem valor algum, nada disso teria acontecido.

* A palavra que eu realmente tinha em mente é douchebag, mas neguim já andava reclamando demais do meu uso de termos anglofonos então resolvi ir com o resumido “babaquinha”, que não capta o significado real do que eu queria dizer mas é mais patriótico.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)