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Postado em 12 March 2007 Escrito por Izzy Nobre 1 Comentário

Finalmente reuni tempo livre o bastante pra sentar na cadeira, abrir o notepad e finalmente contar aos senhores a respeito da minha nova empreitada profissional.

Há aproximadamente três semanas estou trabalhando num restaurante de fast food nas redondezas do meu bairro. Por causa do desespero da cidade em arrumar força de trabalho (praticamente todo dia há alguma notícia nos jornais locais relatando mais algum problema que a falta de trabalhadores causa na cidade), a “entrevista” se resumiu à pergunta “quando você quer começar?”. Tanto eu quanto meu irmão dissemos estar mais que prontos pra ganhar dinheiro, e começamos a pegar no batente já no dia seguinte.

Duas equipes populam o restaurante – a equipe matinal, composta por umas nipônicas que mal falam inglês mas que são muito simpáticas e disciplinadas, e a equipe noturna, formada por uma galerinha de 17/18 anos absolutamente maluca. Não preciso explicar que equipe conquistou um local especial no meu coração. I mean, não que eu não goste das chinesinhas – afinal, como não adorar uma pessoa que, quando você finge que não entendeu o que ela disse, ela fala um adorável “NOOOOOO!” carregado de sotaque japonês e com um olhar cheio de terror e preocupação -, mas é que a galera noturna é simplesmente absolutamente insana. Cheguei a essa conclusão logo no primeiro dia em que trabalhei com eles, quando assisti estupefato um dos gerentes enfiar a mão no troço onde as batatas fritas são mantidas, pegar uma mão cheia e em seguida enfiar no bolso de um outro funcionário que estava no posto de drive thru. O coitado, lidando com um cliente do outro lado do headset, pouco podia fazer pra se livrar da invasão de frituras em seu bolso a não ser correr pelo restaurante balançando os braços desesperadamente, enquanto antagonicamente mantendo a voz completamente calma e lidando com o pedido do freguês do outro lado da linha. Com muito sangue frio, o garoto continuava respondendo o cliente placidamente, perguntando se ele queria (ironicamente) fritas com o pedido dele. Alguns ainda sugeriram que ele tirasse as batatinhas do bolso e servisse pro cliente, mas ele recusou. Vai entender.

Fazem apenas três semanas que estou trabalhando lá, mas porra, o número de bizarrices e situações inusitadas que eu presenciei nesse pouco tempo daria pra preencher um segundo blog com posts diários. Como tou meio apressado hoje (exame médico seguido de uma jornada de oito horas de trabalho), ficarei devendo alguns contos do restaurante. Aliás, eu já estive pensando numa nova saga de crônicas, pra seguir alguns posts históricos como a Viagem de Esqui (nem vou linkar, quem leu lembra), o Bico do Halloween, etc e coisa e tal. Se chamará “Crônicas do Drive Thru”, apesar do mínimo detalhe que eu só trabalhei no Drive Thru uma vez.

Uma das coisas que me deixou muito satisfeito com esse novo trampo, além da comodidade com que roubo nuggets e batatas fritas e brinquedinhos daqueles que dão nos lanches da gurizada, é a afinidade que rolou quase imediatamente com a turma do trabalho. Quase todos os funcionários são nerds, com pouquíssimas exceções (basicamente, apenas as meninas se excluem). Contabilizei por alto três donos de PSPs, cinco donos de Nintendo DSs, e quatro jogadores de Magic. Nenhuma dessas cifras me inclue, aliás. Aliás, num dia em que a turma do trabalho veio aqui em casa assistir Borat, eu e outros dois colegas nos divertimos mandando mensagens juvenis um pros outros usando o software PictoChat, que acompanha o sistema operacional do DS. Num outro dia, eu e outro funcionário jogamos Star Wars Battlefront 2 enquanto uma velhinha decidia se queria um xisburgers duplo ou uma salada. Não lembro o que
ela finalmente escolheu.

A instantânea amizade que surgiu assim que eu me identifiquei parte da tribo geek garantiu convite imediato pras festinhas da galera, e de fato, semana passada compareci à primeira das muitas que eles costumam ter toda semana. A localização incrivelmente conveniente do anfitrião das festas (Royce, um ex-funcionário do restaurante que mora literalmente do outro lado da rua. Dá pra ver a garagem dele da janela da minha cozinha) garante que eu marcarei presença constante nesses eventos sociais da galera, provavelmente com muitas putarias peculiares finding their way into YouTube. De fato, já há um desses vídeos:


Ehsan é iraniano, mas ele não tem esse sotaque do vídeo. Ele estava imitando o sotaque do Borat, sei lá por que razão. Aliás, eu já estava em casa quando eles fizeram esse vídeo. E o dono da casa não tinha a menor idéia do que diabos eles estavam aprontando.

E isso nem é tudo. Semana passada um dos meus chefes veio me perguntar o que eu estaria fazendo nesta quarta-feira. Antes mesmo que eu pudesse responder, ele batei na testa num momento de eureka e falou “porra, sou EU quem escreve tuas horas aqui.” Ele puxa uma caneta do bolso, anota algo num pedaço de papel e devolve ambos pro bolso da camisa.

“Tá afim de ir ver Megadeth e Black Sabbath semana que vem?”

Não preciso descrever minha resposta. Bom, uma parte eu preciso, e esta parte é “…mas eu só serei pago sexta-feira, e até lá tou meio liso”.

Sem pestanejar, o amigo retorque “Bom, você tem dez dólares?”

Novamente, antes que eu pudesse responder, ele me interrompe explicando que um dos funcionários tem um camarote exclusivo no estádio onde o show aconteceria. Mas ele não é muito chegado a metal, então ele cede o espaço do camarote (que comporta dez espectadores) pro resto da galera, inteiramente de grátis. Os dez dólares são apenas pra contribuir com a vaquinha da bebedeira. Grana pra comida é irrelevante, uma vez que os camarotes do estádio recebem um all you can eat buffet que já está incluso no preço do mesmo. Pra nós, acaba sendo de graça.

Ou seja, aqueles “boa sorte arrumando um emprego, Kid!” funcionaram esplendidamente bem, Obrigado, vagabundos.

….


Sabe o que é isso? É o doce sabor da vitória.

Após futricar com ISOs, BINs, CUEs, ROMs, e outros siglas de três letras (e seus respectivos conversores e compiladores) por HORAS, finalmente consegui portar Syndicate Wars, um sensacional clássico de estratégia, pro PSP. O próximo da lista é Theme Park. Se você conhece algum bom jogo de estratégia do PS1 (eu pulei essa geração e fui direto do SNES pro PS2, perdendo muitos bons jogos da era em que 32 bits simbolizavam os melhores gráficos que um console poderiam rodar), me diz aí nos comentários.

Ah, esqueçam Command n Conquer Red Alert. Já rodei-o no PSP, e sem mouse simplesmente não dá.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

Um comentário \o/

  1. neendj says:

    kid,pura caso esse fast food misterioso que o senhor trabalhava se chama “mcdonald’s?to sabendo,já trabalhei naquele lixo…