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Postado em 18 April 2007 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Woohoo! Graças a uma deliciosa dor de garganta epidêmica que assola a minha região, combinada a um desgaste estomacal provocado pela ingestão diária de aproximadamente trinta quilos de batatas fritas, ganhei dois dias de folga no trabalho. E usarei este tempo livre para debater assuntos de extrema relevância aqui no seu, no meu, no NOSSO HBD.

E que assunto mais fresquinho e relevante que Cho Seung-Hui, também conhecido como o Coreano atirador maluco suicida que matou trinta e duas pessoas anteontem em Virginia Tech (trinta e três se você considerar a morte dele próprio)?

(Foi anteontem? Nem lembro)

Até o momento em que minha enfermidade dominou meu organismo e forçou meu estômago a expelir seus conteúdos na parede mais próxima – o que resultou no meu chefe me mandando de volta pra casa -, Cho Seung-Hui era o assunto na pauta diária dos funcionários do respeitável restaurante fast food onde eu ganho minha bufunfa. Ninguém fritava nenhuma batata ou preparava saladas ou virava hamburgers sem antes dar sua opinião especialista de profissional em coisa alguma sobre o caso. Quem melhor pra dar profundos diagnósticos sobre alguém que eles sequer conheciam que um rapaz de 17 anos que mora a milhares de quilômetros de onde a tragédia aconteceu e que não tem nenhuma conexão com o caso e/ou habilidade intelectual pra reconhecer sua inaptidão pra esse tipo de comentário?

Apesar de ser um leigo absoluto nas ciências que explicam o que motivam pessoas a levarem armas para centros de ensino e abrirem fogo contra desconhecidos, tenho minhas próprias conclusões sobre o caso. Uma de minhas brilhantes conclusões veio após uma rápida análise da contagem de corpos no massacre – um atirador, com uma única arma (uma Glock 9mm, que nem totalmente automática é), acertou mais de quarenta alvos, letalmente fodendo trinta e duas pessoas. E não estamos falando de qualquer tipo de alvos, estes alvos tinham PERNAS. Você tem idéia de como é difícil acertar alvos móveis?

Vamos por as coisas em perspectiva. Aqui em casa temos um alvo móvel que responde por Kevin.


Após o terrível atentado de Onze de Setembro, Kevin Nobre relegou sua antiga paixão por viagens aéreas e viaja por meio de carrinhos de compras

Kevin começou a ensaiar seus primeiros passos apenas recentemente, mas com as mãos no chão o moleque passa zunindo pelo carpete. Não raramente eu tentei fraguea-lo com minha HK MP-5 airsoft, que é target=”new”>totalmente automática, e minha taxa de sucesso foi inferior a -40%. Alguns podem argumentar que isso se tratou graças à minha madrasta, que ao ver minha arminha apontada contra o pivete, iniciou uma contra-ofensiva arremessando panelas e outros utensílios de cozinha em minha direção. Mas meu ponto continua inalterado – acertar alvos móveis é difícil pra caralho, mesmo que você tenha arminhas de plástico transparente que atiram bolinhas amarelas numa velocidade aproximada à da luz.

Ainda assim, esse maluco conseguiu acertar esse número invejável de alvos que estavam muito provavelmente correndo por toda a região, erguendo os braços ao ar como bonecos infláveis de postos de gasolina, berrando e hipoteticamente até mesmo defecando em si mesmos. Pra comparar, os moleques de Columbáine eram dois, cada um com duas armas, e eles mataram o que? Um pouco acima de dez vítimas infelizes. Matematicamente falando, o coreano desempenhou um serviço doze vezes melhor! E não ousem corrigir meu cálculo porque eu tenho fé em Deus que ele está certo (o cálculo, não Deus. Deus erra pra caralho. Por que seres humanos peidam? Por que homens têm mamilos? Respondam essa, mórmons!).

E isso me fez pensar – se eu tivesse esse tipo de talento, eu pensaria duas vezes antes de me matar. Porra, as Olimpíadas estão a apenas dois anos de distância! Com um pouquinho de determinação e um pouco menos de tendências psicopatas, esse moleque poderia se classificar pra categoria de tiro olímpico. Se você realmente está tão cansado de respirar, por que não ao menos faz um último esforço por você mesmo, deixa uma marca? Ganhe uma medalha de ouro em Pequim (que aliás é pertim da casa do maluco) primeiro, e depois vá estourar cabeças na faculdade mais próxima.

E como sempre, vão culpar meus adoráveis videoguêimes pela tragédia. SEMPRE que uma merda dessas acontece, paz não será alcançada até que a culpa da tragédia seja colocada em um artefato inanimado sem qualquer tipo de ligação direta com o evento, pra que todos possam limpar a poeira das mãos e dar o mistério como solucionado.

Os corpos nem tinham caído no chão ainda quando Jack Thompson, o famoso advogado anti-games que alega que tudo desde o Holocausto até a concepção do filme Ultraviolet é culpa de videogames, começou a tecer seu discurso padrão. Muitos engolem essa papagaiada, mas aí quando pressionados por coisas bobas e irrelevantes como a falta de qualquer evidência científica que corrobore essa crença, o discurso muda de “GTA É UM SIMULADOR DE ASSASSINATOS” pra “bom, esses assassinos eram pessoas com graves problemas psicológicos e acesso a armas de fogo, o que as tornavam pré-dispostas a matar um grande número de pessoas com precisão militar e sangue frio digno de vilões de revistas em quadrinhos da Marvel, talvez até o Galactus, MAS SE NÃO FOSSE GTA ISSO NÃO TERIA JAMAIS ACONTECIDO“. O que é análogo a dizer que as asas de um avião o tornam pré-disposto a voar, mas se não fosse os amendoins que eles carregam a bordo, o avião seria incapaz de voar. Jogos violentos e amendoins são irrelevantes, e não os causadores ou possibilitadores da coisa. Felizmente esse tipo de opinião retardada não é a regra.

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About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)