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Postado em 24 May 2007 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Então, vou começar uma mega RENOVAÇÃO CARISMÁTICA nessa porra. Passei um tempaço relegando o mínimo de tempo possível pra atualizar o blog, mas eu resolvi que esse negócio de vida adulta de verdade (trabalhar oito horas por dia, pagar contas, sair de casa como meio de passar tempo) é uma parada extremamente complicada e cansativa, e que a vida nerd era – pasmem! – mais frutífera e recompensadora. Então vou traçar a seguinta meta pra mim mesmo – TODO DIA deverá haver um update aqui no HBD. Todo dia. A partir de hoje.

Nada de encheção de linguiça nem posts com fotos homossexuais – textos DE VERDADE, como outrora. Quem sabe até uma resenha de SNES. E cheia de erros de ortografia pra que os professores de gramática de plantão possam puxar seus Aurélios da manga e berrar nos comentários algo como “AH MEU DEUS DO CÉU KID ESQUECEU O ACENTO EM ‘AMBULÂNCIA’ EIN?!?! NÃO SEI POR QUE AINDA LEIO ESSA PORRA DE BLOG” E note que eu usei “por que” corretamente, ou seja, não é hoje que vocês me pegam, desgraçados. Acho que vou até instalar o Word nesse PC e começar a revisar meus textos, pra roubar essa diversão de vocês.

Agora, voltando com o programa original.


O ser humano é, sem qualquer sombra de dúvidas, a espécie de criatura vivente mais fascinante que jamais caminhou sobre a face da terra. Mais fascinante até que os terríveis dinossáurios (essa era a forma que meu avô pronunciava a palavra e foda-se, essa é a forma que eu vou usar até o dia que eu morrer, caso a palavra “dinossáurio” seja relevante no dia da minha morte) que captivaram minha imaginação por anos durante minha infância e forçaram minha mãe a comprar quase todos os fascículos da célebre REVISTA DINOSSAURO ou DINOSSAUROS ou sei lá qual era o nome daquela porra. Se ao menos ela tivesse comprado todas as edições, meu tiranossauro de plástico que brilhava no escuro teria pernas. O meu era o único dinossauro aleijado do bairro inteiro, que puta humilhação

Mas então, o ser humano é uma criatura simplesmente incrível, não é? A nossa raça é capaz de bolar explicações e postulados e teoremas e prosopopéias e outros troços interessantes que nos permitem conhecer a as entranhas e a exata composição química de estrelas a bilhões de quilômetros de distancia – e a mesma criatura consegue não ver avisos postados em fonte vermelha tamanho 40 bem diante de seus olhos.

Foi o seguinte. Outro dia o keypad – porra, como é o nome disso em português? É aquele tecladinho numérico onde você digita o seu código do cartão de débito e tal, keypad – de uma das caixas registradoras do trabalho pifou. Um dos moleques novatos (um eufemismo pra “retardados incapazes de seguir qualquer instruções que derem a eles, ou de executar qualquer tarefa com o mínimo possível de algo que pudesse ser confundido com competência”) derramou Sprite ou sei lá o que em cima do keypad, não me pergunte como ele realizou tal proeza, e acontece que a parada deu um belo curto circuito e agora pronto, ninguém mais pode usar dinheiro eletrônico pra comprar seus sanduíches. Horas depois de iniciar meu turno e já cansado de repetir “sorry sir/madam, cash only please!” (frase que parecia não ultrapassar a bolha imaginária de mais ou menos dois metros de distância que envolve cada freguês, ou seja, a próxima pessoa na fila JAMAIS ouvia o meu aviso e eu tinha que repetir pra cada pessoa), fui ao escritório, abri o MS WORD e redigi um lindo cartazinho. “CASH ONLY. SORRY FOR THE INCONVENIENCE”. Tal como no Gênesis, bati a poeira das mãos, e decidi que tudo era bom. Aí eu lembrei que pessoas conseguem ser imbecis não importa quantas chances que você dê a eles de não serem, então selecionei o texto e pintei a parada de vermelho. “Agora sim”, pensei comigo mesmo, “os retardados terão que fazer um esforço maior pra ignorar o cartaz, e quem sabe a preguiça os indicará à tarefa mais simples de ler a parada”.

Voltei pra frente, e com ajuda de 50% durex e 50% chiclete, afixei o aviso na frente da caixa registradora. E bem na frente da telinha que exibe pro cliente o pedido dele, o que me dava a chance de aloprar com a ordem do sujeito. Sem a telinha, o cara só saberia que eu pus cebolas e picles extra no sanduíche dele quando ele estivesse no meio do caminho de volta pra casa.

Voltei pro meu posto e passei a pegar os pedidos normalmente, achando levianamente que a presença de um aviso BEM NA FRENTE DA GERAL tornaria redundante ter que avisar pra todos os clientes que eu não posso executar pagamento com cartão de crédito.

Imagina aí a minha CONSTERNAÇÃO quando um filho da puta aparece, faz um pedido quilométrico e puxa o cartão de crédito. Imagina aí então quando esse sujeito foi seguido por outro, e outro, e outro, até que a mera visão daquele hologramazinho de segurança da Visa se tornasse nada além de um triste lembrete de quão imbecis as pessoas conseguem ser.

Especialmente quando estão comprando comida num restaurante fast food.

E o pior é a frustração de não poder sequer tirar uma onda com o desgraçado. Eu tinha que engolir a raiva, sorrir, e educadamente explicar que eu não posso aceitar cartões de crédito. Eu aprendi minha lição em uma ocasião passada, a única vez que eu arrisquei SORRATEIRAMENTE fazer piadinha com um cliente, o resultado foi uma freguesa cega ligando pro meu chefe pra reclamar de mim (qualquer dia conto essa história). Ou seja, eu tinha que me resignar em simplesmente apontar pro cartaz com um sorriso que eu esperava com muita fé que fosse interpretado como “Ô SEU RETARDADO, SABE LER?”

Mas eles só sorriam de volta e diziam NOSSA, OLHAÍ! NEM VI ESSE CARTAZ, ACREDITA?!?! ^_^

Acredito, sim.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)