Hbdia
  • Feed do Hbdia
  • Twitter
  • Youtube

Postado em 5 June 2007 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Lembra de Cybercops? Eu lembro, agradeça a deus. Se você não lembrasse e eu não lembrasse, como diabos eu poderia escrever este texto? Ficaria devendo o post diário de hoje. Imagina o tanto de reclamação que eu ia receber.


Cybercops era apenas mais um entre milhares de seriados japoneses cafoníssimos que agraciavam nossas tardes uma dezena de anos atrás. Assim como os relógios Casio e Nintendinhos, seriados japoneses de aventura eram o principal produto de exportação nipônico, constituindo aproximadamente 98% do produto interno bruto da nação amarela. Atualmente esses itens foram substituídos por revistinhas em quadrinho a respeito de menininhas colegiais sendo estupradas por animais antropomórficos, o que é uma pena porque eu detesto essas revistinhas, você tem que ler ao contrário e tal, um saco.


Taí a abertura do negócio, de repente agora tu lembra. Caralho, essa musiquinha de abertura era sensacional. Tchu ru, tchu ru ru. Tchu ru, tchu ru ruuuuuuuuuuuuuuu… Ah, meus oito anos 🙁

Então, CYBERCOPS CARA. Você vai ter que me perdoar porque eu não lembro muito a respeito da trama do negócio, o que sem dúvida deveria ser um roteiro de qualidade reconhecível pela Academia*. Basicamente os CYBERCOPS eram um time de policiais de elitíssima, equipados com sensacionais roupas de lycra cobertas com armaduras de plástico colorido, que lutavam contra terríveis criminosos que portavam perigosíssimas armamemntos que provocavam leves explosões de faíscas no solo próximo a onde os CYBERCOPS estavam naquele determinado momento. Lembro também que um deles, o TAKEDA se não me engano, poisé, tinha uma sub-trama a respeito dele ter vindo do futuro ao algo que o valha. O codinome dele era Júpiter, porque por algum motivo os personagens eram nomeado de acordo com planetas. E todo episódio era igual – algum inimigo chutava a bunda de todos os Cybercops, incluindo o Takeda/Júpiter. Aí este se emputecia, berrava o clássico “JÁ CHEGA!”, e ativava algum tipo de poder secreto. Uma fumacinha saía da parte de trás da sua armadura, umas asas se extendiam, uma extensão parecida com um chifre saltava de seu capacete, uma arma futurística literalmente caía do céu e o problema da semana estava resolvido.


Lembrou?

Ah, e tinha o Lúcifer, um personagem que tanto tinha uma vontade inexplicável de destruir os CYBERCOPS (especialmente o TAKEDA), quanto provocou minha mãe (evangélica roxa) a me proibir de assistir o programito. Eu sempre tomava o cuidado de abaixar o volume da TV durante episódios que o personagem demoníaco estrelava, mas um dia eu me descuidei e a festa acabou.

Então. Uma parte importante do seriado era o fato de que os Cybercops podiam, de qualquer lugar em Tókio, acessar o arsenal do seu quartel general. Eles basicamente encostavam em qualquer hidrante ou caixa de correios ou cesto de lixo ou mendigo e miraculosamente havia um keypadzinho onde eles digitavam um código qualquer. Uma sequência mostrava uma caixa viajando por canais subterrâneos e sendo entregue aos caras, seja lá onde eles estivessem.

Era uma conveniência sensacional, um deus ex machina que resolvia o problema em mãos e pronto. Mas minha mente inquisitiva se torcia toda tentando compreender a logística por trás da parada. Como o governo japonês poderia ter instalado o negócio em todos os pontos da cidade? Uma empreitada dessas custaria horrores e não haveria jamais uma forma prática de distribuir os túneis de forma que toda a cidade fosse coberta. Se o troço existia apenas em localidades seletas, não era muito conveniente que os vilões sempre apareciam nessas áreas? O que propelia a caixa portando as armas pelos túneis? Levitação magnética? Por que os Cybercops já não iam pra porrada carregando as armas, já que elas eram necessárias EM ABSOLUTAMENTE TODOS OS EPISÓDIOS? Voltando à questão logística, não seria infinitamente mais inteligente e menos oneroso apenas carregar os armamentos por aí ao invés de distribuir túneis e aqueles portais de acesso pela cidade?

Mais importantemente, por que eu com oito anos de idade não podia apenas apreciar o programa sem se preocupar com os problemas factuais apresentados por ele? Por que eu não podia apenas fazer como o resto da gurizada do condomínio, que se reunia no playground todo dia após o seriado e discutiam aos tapas quem interpretaria o Júpiter nas brincadeiras do dia, que se resumiam a correr pelo estacionamento do prédio berrando bordões populares do seriado (“Já chegaaaaaaaaaaaaaaaa!”) e desviando de faíscas imaginárias?

*É a instituição que distribui Oscars, seus burros.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Deixe sua opinião aí. Você não tá fazendo nada mesmo!

comments

Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)