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Postado em 1 July 2007 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Agora que já brinquei bastante com o meu console novo, sobrou um tempinho pra dar as terceiras impressões sobre a parada.

Sim, terceiras impressões porque as minhas primeiras foram postadas há algum tempo, naquele dia que eu resenhei os três sistemas next gen com toda a ignorância de alguém que não possuia nenhum deles. Não que eu tenha falado muita merda, mas minha opinião sobre os consoles mudaram consideravelmente após finalmente possuir 2/3 deles. O Xbox 360, pra quem não lembra, foi definido por mim naquele post como “o console não-fede-nem-cheira da nova geração”. Aí saiu Gears of War e eu mudei de idéia tão drasticamente que comprei o console literalmente na manhã seguinte após ter visto o trailer do jogo pela primeira vez.

Como eu estava dizendo, aquele post foi minha primeira impressão sobre o Wii. A segunda veio meses depois, quando eu joguei Excite Truck pela primeira vez numa loja de jogos eletrônicos. E a terceira (e provavelmente definitiva) impressão chegou com a compra e subsequente profunda exploração dos recursos e potenciais do console da Nintendo.

Vamos começar pelo começo.

Eu e a namorada trabalhamos próximos um do outro, então quando nossos turnos coincidem, voltamos pra casa de bicicleta juntos. Na sexta feira, eu ouvi de fonte seguríssimas que a BlockBuster local tinha recebido um carregamento de jogos novos de DS, e um de tais jogos era o esperadíssimo Sim City DS (sim, eu sei que as resenhas não foram exatamente magníficas, mas eu quero assim mesmo, favor foder-se). Então fui à loja com a namorada. Qual não foi a minha surpresa ao passar na frente da vitrine da loja e ver algo que eu jamais tinha visto antes:

A caixa de um Wii.

Como os antenados devem saber, o console esteve bastante escasso por essas bandas. Eu ligava pra Best Buy/Toy Are Us/Future Shop e perguntava quando eles receberiam um novo carregamento. Eles diziam “sexta feira, cara!”. As lojas abriam às dez da manhã, eu chegava lá ao meio dia e os Wiis já haviam esgotado. Sexta feira foi a primeira vez que eu vi uma caixa do negócio numa prateleira, pronto pra ser pego por um sortudo com bom senso de oportunidade.

Quase caí da bicicleta quando vi a parada. Joguei-a na calçada e entrei correndo na loja.

“Aê, cês tão com Wii no estoque ou aquilo ali é pra atrair otários?”
“Temos sim, amiguinho!”

O coração saltou. Fiz um cálculo mental de quanto continuaria na minha conta bancária após a compra, o resultado foi aceitável. Puxei o cartão e apontei pra vitrine.

“Me dá um aí faz favor, amigo.”

Sabendo que eu provavelmente seria assassinado se chegasse em casa com um Wii e apenas um Wiimote, peguei também o fedorentíssimo WiiPlay, que é basicamente um DVD com uns dez jogos escrotíssimos e totalmente inúteis que a Nintendo se deu ao trabalho de produzir apenas pra poder vender junto com um Wiimote por dez dólares mais caro do que o Wiimote sem o jogo.


Pura alegria na forma de plástico e componentes eletrônicos.

Desempacotei o negócio com fúria comparável apenas a do célebre Nintendo 64 Kid, liguei na televisão da sala e pus o troço pra funcionar – não sem antes, claro, correr até o pé da escada e berrar “NEGADA, VENHAM VER ISSO AQUI!”

Fiz isso porque eu queria pôr em prática o mito mais ouvido em relação ao Wii – o que atesta o poder quase inacreditável do console de conquistar até mesmo gente que não tem o menor interesse sequer em jogos de vídeo.

A turma toda aparece na sala e eu dou uma breve palestra sobre o produto. É um videogame novo, controle revolucionário, blá blá blá. Eu podia estar dando uma explicação a respeito da bolsa de valores de New York e os efeitos da poluição nos bosques da Noruega e eles não teriam aparentado maior desinteresse. Era o que eu esperava mesmo.

Aí pus WiiTennis pra rodar.

Bastou apenas rebater a primeira bola que o computador mandou contra mim pra ver os olhos do meu pai e madrasta se expandirem até tomar conta de toda sua expressão facial. Pera, como assim, você rebate o controle e o bonequinho na tela se movimenta igual? Que MACUMBA é essa que você trouxe pra dentro da minha casa, Israel? Como isso é possível? Não pode ser! Tem algum truque aí, seu irmão deve estar sentado atrás do sofá com um controle “de verdade” movimentando o bonequim, fala a verdade.

Quase que imediatamente meu pai se levanta do sofá extendendo a mão pra mim. “Deixa eu ver, deixa eu ver!”. Meu pai, um engenheiro de 40 e sei lá quantos anos, um homem feito na vida, com família pra criar e contas pra pagar, me enchendo o saco pra ver meu videogame tal qual os moleques do trabalho quando eu apareço com o PSP por lá. “DEIXA EU VER ISSO AÍ, DEIXA EU VER!

Nesse momento, eu já me dei por satisfeito pela compra. Ver essa reação e confirmar a magia que o Wii exerce nos não-jogadores valeu a pena.

Expliquei pro véio como mover o controle, e a explicação se limitou a “apenas mova o controle como você moveria a raquete”.

“Que botão aperto pro bonequinho rebater?”

“Nenhum. Só rebata.”

O homem acenou afirmativamente, dizendo que tinha entendido a explicação. Peguei o outro wiimote e fui jogar contra ele. O coroa perdeu as primeiras bolas, graças à ignorância em relação ao timing necessário pra rebater a bolinha virtual. Três tentativas depois ele pegou o jeito. E um sorriso imenso não saiu mais do rosto dele.

A madrasta foi a próxima, pedindo pra pegar meu o controle da mesma forma como meu pai tinha acabado de fazer. Entreguei o controle pra ela e dei dois passos pra trás, pra contemplar a cena – meus pais jogando videogame. Simplesmente inacreditável.

Mais ou menos uma hora depois eles finalmente cansaram e pediram pra eu mostrar outro jogo. Como não havia na loja nenhum jogo que eu queria (especificamente, Resident Evil 4, Red Steel e Super Paper Mario), eu tava apenas com o WiiSports mesmo. Então coloquei o WiiBoxing pra eles.

Meia hora de jogo depois, meu pai ofegava e suava, cansado. O véio teve um piripaque cardíaco há algum tempo, e o médico recomendou exercícios que elevem a atividade cardíaca dele. Ele foi o primeiro a relembrar a família inteira do conselho clínico após jogar no Wii, todo satisfeito por ter encontrado uma forma divertida de seguir o aviso do médico.


A interface da parada, algo que eu imagino que muitos de vocês desconhecem.

Após todo mundo ter cansado de jogar (olha que demorou, todo mundo jogou contra todo mundo pelo menos duas vezes antes de isso acontecer), passamos pra segunda parte do processo de aclimatizar a família ao console – a criação de miis. Outro ponto que a Nintendo acertou em cheíssimo. Poder costumizar personagens é um negócio que sempre dá certo, sempre deixa o jogador mais envolvido com o mundinho virtual reproduzido pelo videogame.

Todo mundo tomou turnos pegando o wiimote e construindo suas imagens e semelhanças virtuais no console. Rolou muita risada, muita tiração de onda em cima de defeitos de fisionomia (“ah, peraê, aumenta esse nariz, aumenta essa testa, entorta mais esse olho aí, AHAHAHHAHAHAHA agora sim”), e no final cada membro da família teve sua representação digital na tela.


Até daqueles que não vão nem sonhar em chegar perto do meu console. Aliás, o Mii do Kevin foi o que proporcionou mais gargalhadas. Após fuçar bastante nas opções do software, eu ainda não consegu
ia chegar numa imagem que representasse bem o moleque.

Então tive um estalo – como todos os bebês, Kevin tem uma cabeçorra imensa do caralho. Eu percebi que poderia reproduzir o efeito da cabeça gigantesca do moleque, bastava trazer todas as feições do rosto do bonequinho pra baixo. E saiu isso aí – a testa imensa do Kevin, uma marca registrada da família Nobre. E todo mundo riu quando o resultado final apareceu.

E esse foi basicamente meu primeiro dia com o Wii. como eu trabalho no fim de semana e sempre costuma ter festinha (fui a uma na sexta e tou me arrumando pra uma aqui perto de casa já já), não tive tempo de experimentar melhor o console nem de sair caçando jogos pra ele. A namorada alugou Trauma Center, mas ela ainda está no trabalho e provavelmente só jogarei a parada amanhã de noite já que eu trabalho amanhã de manhã.

Mas o pouco que o console me mostrou me agradou muito. Arrisco dizer que foi uma compra melhor até que o Xbox 360. Gears of War tem gráficos que humilham qualquer outro jogo lá fora, mas isso não faz minha família querer fazer parte do meu hobby.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)